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GEOGRAFIA, MEIO AMBIENTE E CIDADANIA.

               GEOGRAFIA, MEIO AMBIENTE E CIDADANIA.

                                            Maria do Carmo Mattos Dantas Santos

Resumo

O período de observação em sala de aula, que antecede ao estágio, constituiu-se numa pesquisa do tipo etnográfico realizada em escolas-campo . Tal pesquisa levou-nos às seguintes constatações: o ensino de geografia ainda vem sendo tratado, no geral, como mero mecanismo de memorização, numa abordagem descritiva e distante, e não como ciência dinâmica e envolvente, presente no dia a dia do cidadão; a prática pedagógica de grande parte dos professores dessa ciência aponta para a concepção de uma Geografia mais voltada para o ensino tradicional, limitado aos conteúdos programáticos; e, suscitou-nos ainda, alguns questionamentos: por que os professores não transpõem com seus alunos os muros da escola e buscam estudar e avaliar “in loco” o espaço geográfico e o uso dele pelo homem? Por que as questões ambientais são tão pouco discutidas e estudadas no ensino da Geografia? Através de um projeto de Estágio Supervisionado, realizado durante uma unidade letiva de 2005 com alunos do 1º Ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Felicidade de Magalhães Neto, da cidade de Jacobina, Bahia,  buscamos respostas e resultados parciais na tentativa de responder a esses questionamentos. Isso nos conduziu a uma reflexão crítica acerca das concepções, práticas e metodologias do ensino de Geografia como também da importância da formação do professor preocupado com as questões ambientais. Além disso, ponderou-se sobre a importância do professor promover ações de esclarecimentos e sensibilização para as questões ambientais, por meio da contextualização entre textos e vida, escola e sociedade, prática e necessidade.

PALAVRAS-CHAVE: Concepções da Geografia; Meio Ambiente; Formação do Professor; Prática de ensino.
 
 
Introdução
O presente artigo tem origem na pesquisa do tipo etnográfico durante as observações de aulas de Geografia em escolas da rede pública da cidade de Jacobina, estado da Bahia, objetivando uma melhor compreensão dos processos interativos de sala de aula e das unidades escolares envolvidas no processo ensino-aprendizagem. Ao interpretar os dados coletados, surgiram alguns questionamentos sobre a realidade detectada no que se refere ao distanciamento e à apatia dos jovens estudantes com o ensino de Geografia e, especialmente, o cuidado e o zelo com os problemas ecológicos e sociais. Tais inquietações conduziram a elaboração de um projeto de Estágio intitulado “Vida ao Meio Ambiente”, voltado para os educandos do Ensino Médio, com o propósito de apresentar-lhes uma Geografia viva e envolvente, com vistas a desenvolver no aluno o senso crítico bem como de sensibilizá-lo em relação aos problemas ambientais e ecológicos, buscando mostrar que o homem é também natureza e que o futuro está no ar que respiramos, na água que bebemos, onde e como vivemos.
O relatório da pesquisa junto a essas escolas, chamou a atenção para o fato de o ensino de Geografia estar voltado apenas para o ensino do conteúdo programático de determinado livro didático, o qual se constituía, muitas vezes, no único recurso utilizado pelo professor sem, contudo, fazer uma ponte com as questões ambientais, necessidade premente no planeta e hoje inserida nos Temas Transversais dos Parâmetros Curriculares Nacionais.
Esta realidade conduziu-nos aos seguintes questionamentos: Por que as escolas não se voltam também para os textos que circulam socialmente, que estão a posto na cultura? São centenas de informações que nos chegam através de revistas, jornais, televisão e Internet, as quais podem e devem ser lidas, discutidas e reescritas dentro e fora da sala de aula, numa forma de inserir o aluno no contexto do mundo que o cerca Por que os professores não transpõem com seus alunos os muros da escola e buscam estudar e avaliar “in loco” o espaço geográfico e a sua configuração pela ação do homem? Por que “reproduzir” os conteúdos? Em que medida tais procedimentos mostram caminhos para que o aluno possa desenvolver a consciência de si mesmo e dos desafios que natureza e humanidade lhe outorgam?
O perfil dos professores e suas concepções da ciência geográfica foram as respostas para tais questionamentos. A sua prática pedagógica aponta para a concepção de uma Geografia mais voltada para o ensino tradicional, descritivo, limitado aos fatos e fenômenos espaciais. Como conseqüência, o seu trabalho vai muito pouco além do conhecimento mecânico de metodologias e técnicas para o desenvolvimento da aprendizagem.
Ficou evidente, portanto, que o aluno é relegado ao papel de receptor, de simples leitor passivo, uma vez que aceita o conhecimento socialmente construído pela humanidade, mas não o reelabora, deste modo, não é motivado para a tarefa dinâmica e interativa da leitura de mundo, sob uma ótica ampla e crítica, onde cabem discussões e pesquisas para o avanço e surgimento de novos conhecimentos.
A aprendizagem cresce da teoria para a prática na medida em que ela vai sendo acrescida de atividades e ações significativas. O mundo atual impõe imensos desafios a seus habitantes, entre eles, as questões ambientais. Desde muito cedo os jovens estão expostos a essas transformações e passa por um rico processo de percepção do espaço ao seu redor, expressão do meio social em que vivem. Esta geografia cotidiana possibilita experiências fundamentais para a formação da consciência de si e do mundo em que vivem, daí as questões concernentes aos Estudos Ambientais não poderem estar dissociadas do estudo da geografia e à concepção da apropriação do espaço geográfico.
Há, então, que se perguntar: Qual o papel da escola e da sala de aula nesse processo? Em que medida os professores de Geografia contribuem para a formação dos alunos? Ora, quando trazem para a sala de aula o estudo dos sujeitos que produzem o espaço geográfico permitindo o acesso à diversidade de opiniões e ao enfrentamento de posições, os professores, estão trabalhando com conceitos, procedimentos, atitudes e valores. Entre tantos outros do temário de Geografia, conceitos como ambiente, trabalho e configuração do espaço, podem articular-se a um processo mais amplo de construção da leitura de mundo, da problematização dos conteúdos da disciplina e da sensibilização e conscientização das preservações dos recursos naturais.
A educação escolar precisa estar voltada para a formação do cidadão solidário, responsável, capaz de agir e intervir na construção de um mundo melhor e mais justo, na defesa do patrimônio natural que lhe foi confiado e a toda humanidade. Esse é o papel fundamental da escola. Quanto a isso, Mauro Guimarães afirma:
“No trabalho de conscientização é preciso estar claro que conscientizar não é simplesmente transmitir valores”verdes” do educador para o educando: essa é a lógica da educação “tradicional”; é, na verdade, possibilitar ao educando questionar criticamente os valores estabelecidos pela sociedade, assim como os valores do próprio educador que está trabalhando a sua conscientização. É permitir que o educando construa o conhecimento e critique valores a partir de sua realidade (...) em busca de uma síntese pessoal que refletirá em novas atitudes” (GUIMARÃES, 1995, p.31)
Por entender que a ciência geográfica, sob o ponto de vista da corrente do pensamento possibilita, oportuniza ao ser humano a condição de compreender a natureza do meio ambiente e a interdependência entre os elementos que a compõem; e que saber utilizar determinadas práticas pedagógicas com estratégias  e procedimentos confere maior fluência e eficácia ao processo ensino-aprendizagem, é que, em conseqüência  da hipótese levantada através da interpretação dos dados coletados, foi elaborado o Projeto de Intervenção, com o objetivo de construir conhecimentos na área ambiental, trabalhando com a consciência e a sensibilização, de forma que o aluno seja capaz de perceber-se integrante e agente transformador do Meio Ambiente, contribuindo ativamente para a sua melhoria. Também por considerar que o professor só muda sua prática se refletir sobre ela e que mediante experiências e ações concretas estará desenvolvendo habilidades e competências requeridas no processo de formação de cidadãos autônomos e conscientes.
Na tentativa de desconstruir a percepção tradicionalista do estudo da geografia, buscou-se trazer para o espaço geográfico, textos diversificados visando complementar os conteúdos programáticos, além de suscitar outros questionamentos mais abrangentes, fazendo uma ponte entre os conteúdos e o meio sócio-ambiental. A metodologia utilizada nesse projeto esteve assentada em quatro pilares: pensar, sentir, tocar e fazer de modo crítico, criativo, significativo, solidário e prazeroso. Pressupõe, assim, a prática de ações pedagógicas libertadoras, pautadas na construção de um conhecimento de forma crítica, engajada na realidade, de modo a privilegiar a relação teoria-prática, na busca de apreensão das diferenças.
Um ensino renovado e crítico não consiste somente num novo conteúdo, mas também numa mudança de técnicas ou estratégias pedagógicas, que proporcionem ao aluno a leitura, a pesquisa, o diálogo, a interpretação e a ligação entre conhecimento científico e a sua vida cotidiana, e que contribuam para a formação de sujeitos críticos, capazes de atuar conscientemente no meio em que vivem, tendo um olhar indagador sobre a realidade, na busca da elaboração/reelaboração do conhecimento, visando a sua autonomia intelectual, moral e social.
Fundamentada na Teoria Interacionista de Piaget, na qual o professor é o mediador, e o aluno o sujeito da aprendizagem, a metodologia de desenvolvimento do aludido trabalho, deu-se a partir do conhecimento prévio do aprendiz, valorizando o relato das suas próprias experiências e propondo desafios passíveis de discussão com o uso de técnicas didático-pedagógicas, as quais facilitam e promovem a construção de conceitos e práticas geográficas, bem como o aprofundamento e reelaboração dos conceitos prévios.
Procurou-se ainda, despertar nos alunos a importância de voltarem a sua atenção para a questão dos acontecimentos atuais no mundo para compreender que os processos de degradação da natureza não podem ser tratados com indiferença nem pela sociedade, nem pela escola. Que a associação dos conhecimentos teóricos de Geografia e Meio Ambiente a fatos cotidianos é determinante para entendermos a importância de criar e conservar um ambiente sadio. A análise e interpretação de filmes concernentes aos conteúdos trabalhados, a leitura e discussão das leis brasileiras sobre a defesa ambiental, reconhecer a necessidade do reaproveitamento do lixo por meio de reciclagem e da reutilização, e a importância de redução do volume de lixo aos aterros sanitários foi objetiva proposta no Projeto, concretizados mediante estratégias estabelecidas em comunhão com os alunos, tais como: Dinâmicas de acolhimento,  filmes, debates, palestras, entrevistas, músicas,  paródias, excursão, saída de campo, relatórios, cartazes, concurso de slogans, reciclagem e/ ou reutilização do lixo.
Os resultados foram muito positivos, visto que os objetivos propostos foram satisfatoriamente atingidos, e a hipótese inicial, comprovada. Perceber o entusiasmo, o interesse e a participação dos alunos sobre os temas trabalhados no projeto, bem como o contentamento proveniente da descoberta da amplitude da ciência geográfica no seu dia-a-dia, e das suas capacidades de leitores e criadores de produtos a partir do lixo, foi à parte mais significante de todo o trabalho.
Nesse sentido, ficou claro e evidente que o professor, mesmo que possua um desejo enorme de acertar, ainda assim, não pode ser mediador entre o aluno e o conhecimento que ele, professor, não construiu. Dessa forma, nosso estudo aponta para a necessidade urgente e imprescindível da formação continuada do professor. As dificuldades ou distanciamentos dos alunos quanto às questões ambientais, que vão do não riscar as paredes da escola, não jogar lixo no chão, preservar as escolas etc., até o cuidado com a higiene pessoal, são, em grande medida, conseqüências das dificuldades ou da indiferença do próprio professor.
A geografia exige do professor, por um lado, familiaridade com os problemas e questões da disciplina, e por outro, ousadia no planejamento das atividades didáticas. Estes são elementos fundamentais para despertar nos alunos a inquietação e ao mesmo tempo a segurança diante de novos conhecimentos, objetivando a reflexão acerca das formas de apropriação da natureza e seus determinantes sociais, políticos e econômicos.

Geografia, Meio Ambiente e Cidadania
Hoje, o comedimento do meio natural e humano constitui tema relevante e da mais elevada consideração, dentro da escala de valores que regem as decisões das questões internacionais. Não sem espanto, muitos países, principalmente aqueles que têm alto desenvolvimento industrial e tecnológico, constataram que suas florestas vêm sofrendo progressiva degradação, que suas águas não mais se auto-regeneram; que seu ar está poluído e que o lixo da sociedade moderna não encontra mais lugar sem custos financeiros e ambientais crescentes. As freqüentes notícias sobre a destruição da camada de ozônio que protege a biosfera contra os raios ultravioletas decorrentes das ações humanas; o processo de acidificação da atmosfera, devido à queima desenfreada de combustíveis fósseis; a ameaça do descontrole da utilização da tecnologia nuclear; e a destruição das florestas tropical é alguns dos principais problemas que demonstram a universalidade das questões que envolvem a preservação do equilíbrio ecológico terrestre. O que está em jogo não é uma causa regional ou nacional, mas sim a existência da humanidade como um todo.
Ante a evidência do caos que já começou a se instalar no Planeta, surge e populariza-se definitivamente no mundo, a Educação Ambiental (EA). De acordo com Guimarães:
“A EA apresenta uma nova dimensão a ser incorporada ao processo educacional, trazendo toda uma recente discussão sobre as questões ambientais e as conseqüentes transformações de conhecimento, valores e atitudes diante de uma nova realidade a ser construída”.(GUIMARÃES, 1995, p.9).
No Brasil, apesar da inserção da EA nos currículos, projetos políticos pedagógicos e diversos projetos escolares, muitos são os obstáculos para a sua implementação. Na Bahia, por exemplo, ainda é muito pequeno o número de escolas que adotam na sua grade curricular a disciplina específica em Educação ou Estudos Ambientais. Primeiro, porque a Educação Ambiental Formal, segundo Sato “faz parte de um sistema educativo muito complexo em que a política sobre a formação de professores recebe atenção mínima”. O autor acrescenta ainda que:
“as leis são fracas por parte do governo, mas a estruturas acadêmicas também se corrompem na busca da boa avaliação conforme a”produtividade”, que em momento algum privilegia  as  inúmeras vozes de profissionais atuantes no campo do ensino fundamental e médio. Pessoas sem qualificação invadem esses espaços, oferecendo “treinamentos”, “capacitações” ou qualquer outro curso rápido de informação sem qualidade, tornando o espaço institucional educativo incapaz de cumprir sua função social”. (SATO, 2002, p. 14).
Como poderá então o educador que atua no campo do ensino fundamental e médio, muito deles no interior deste imenso país contando ainda somente com uma formação do Ensino Normal precária, estar preparado para engajar-se no processo de transformações sociais, discutindo a Educação Ambiental numa abordagem interdisciplinar, como uma ferramenta efetiva para a solução dos problemas ambientais e conseqüentes melhoria na qualidade de vida?
É senso comum que a Educação Ambiental, (enquanto disciplina) como Geografia, “qualquer um ensina”. É comum nas escolas públicas, como também em algumas particulares, quando da distribuição da carga horária, o professor de qualquer área ou formação aceitar ou até mesmo solicitar uma dessas disciplinas, sob a alegação de que “são disciplinas fáceis de ensinar, bastando, para tanto, a utilização do livro didático”. Assim, a Geografia continua, na maioria das vezes, sendo considerada matéria decorativa, desvinculada do processo de contribuição para a formação do cidadão crítico e ativo, e as questões ambientais, que não podem estar dissociadas a essa formação, uma vez que homem e ambiente se completam, sendo ambos as duas metades de um todo, são relegadas a simples leitura de textos, xerocadas de alguns livros para dar cumprimento à exigência do sistema escolar: avaliação para aferir nota.
Ora, sendo a Educação Ambiental uma necessidade categórica para as novas gerações em idade de formação de valores e atitudes, pela gravidade da situação ambiental em todo o mundo e, não tendo sido ainda implementada em todas as unidades escolares, cumpre ao poder público, em todas as suas instâncias, promover a sensibilização e a qualificação dos educadores de qualquer área, e ao nosso ver, principalmente da Geografia, pela grande intimidade que existe entre o objeto do seu conhecimento – o espaço geográfico – e o processo de transformação sócio-ambiental, pois, como destaca Sato (2002, p.28), é no professor que se deve investir e acreditar, se realmente consideramos que a Educação tem o maior compromisso para melhorar as condições de subsistência e promover um mundo mais sustentável.
Diante desta problemática, sentiu-se a necessidade de realizar uma intervenção junto aos educandos do 1º Ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Felicidade de Magalhães Neto, da cidade de Jacobina, os quais seriam os nossos alunos no período de estágio, pois, conforme ressalta Gonçalves (1990, p. 48), trata-se de uma filosofa de trabalho participativo em que todos, família, escola e comunidade, devem estar envolvidas.
Por meio de entrevistas realizadas com alguns estudantes, ficou claro que a participação da família e da comunidade junto à escola não faz parte da sua realidade ou do seu histórico educacional. Em muitos casos, os pais são apáticos, ou vítimas do mesmo sistema de ensino, meramente reprodutivo a que nos referimos mais atrás; em outros não têm tempo, trabalham muito. A escola, por sua vez, atribui o alheamento e o não envolvimento do aluno com as aulas e o estudo em si, ao meio social em que vivem e a ausência da família. Segundo Machado (2001, p. 21) a importância da escola no Brasil é maior do que nos países desenvolvidos. Não podemos esperar que o exemplo venha de casa ou acabaremos condenando as futuras gerações à mesma realidade e à continuidade desse ciclo vicioso. (grifo nosso).
A ausência da família no processo da educação não deve servir de fundamento ao discurso da escola no sentido de servir de justificativa para as deficiências do aluno com o seu contexto de vida. É fato que a sua participação e incentivo são de suma importância para o desenvolvimento do ser humano em todos os seus aspectos, porém, a escola não deve isentar-se da sua responsabilidade de valorizar, sensibilizar e conscientizar o aluno, uma vez que, na maioria das vezes, ela – e mais especificamente o professor – é o único meio de acesso a essa educação, que, segundo Gonçalves:
“é processo de aprendizagem centrado no aluno, gradativo, contínuo e respeitador de sua cultura e de sua comunidade. (...) processo crítico, criativo e político com preocupação de transmitir conhecimentos a partir da discussão e avaliação feitas pelo aluno, da sua realidade individual e social, na comunidade em que vive”.(GONÇALVES, ano p. 125).
Assim, o estágio teve a duração de um bimestre (a I unidade) de 2005. Na aplicação da proposta foram adotadas as concepções de Masseto (1992) que lembra a importância de nos comprometermos com a organização e execução de “aulas vivas”, espaço de convivência que articula vida e realidade, onde as propostas de atividades convidam os alunos a assumirem o papel de sujeitos da aprendizagem, dinamizando e dando vida ao trabalho. Procuramos trabalhar de forma prática reflexiva, por acreditar que dessa forma estaríamos oportunizando aos alunos as condições para que estes se percebessem como agentes integrantes da natureza, capazes e responsáveis pela sua preservação. Na culminância das nossas atividades, houve exposição de material produzido com a reutilização do lixo, apresentação de teatro, paródias, poesias e exposição de murais.
Ao nosso ver, trabalhar com Educação Ambiental exige antes de tudo diplomacia e sensibilidade, pois é preciso observar certos princípios norteadores, tais como:
• Amor – “Só se preserva o que se ama, só se ama aquilo que se conhece”. – Toma-se por base a percepção e compreensão da realidade.
• Cuidado – “O uso sustentável dos recursos naturais implica no respeito aos limites e o cuidado com a natureza”. Aqui, trabalha-se a compreensão da política nacional do meio ambiente e a legislação como forma de exercício da cidadania ambiental.
• Criatividade – Propor criativamente uma prática de ação para a gestão sustentável dos recursos naturais. A ação concreta pode se consolidar a partir da escola.

Conclusão
As situações de aprendizagem vivenciadas durante o estágio nos conduziram à reflexão e questionamentos sobre as nossas práticas pedagógicas e nos levaram a reconhecer a necessidade de estarmos diuturnamente atualizados com os acontecimentos do mundo e constantemente estudando e buscando novas metodologias e estratégias que possibilitem ao aluno um ambiente de aprendizagem mais prazeroso e consistente. Que, as dificuldades dos alunos são, em grande parte, conseqüências das dificuldades do professor, cuja formação conduz à concepção de uma Geografia Tradicional, descritiva, mais voltada para as informações sobre a Terra, seus acidentes geográficos, e sua divisão política.
Para comprovar este fato, constatamos que, em municípios da microrregião de Jacobina, os professores das séries iniciais, na grande maioria, não possuem sequer a formação do Magistério, muito são apenas concluintes do Ensino Médio. Isto ocorre especialmente em escolas municipais, cujos professores são indicados por chefes políticos de cada localidade. Deduz-se então, a falta de compromisso dos governantes com a educação. Para esta tarefa, são contratados temporariamente jovens sem nenhuma experiência ou nenhuma noção sobre psicologia educacional, didática e pedagogia para lecionarem desde as classes iniciais até o Ensino Médio e assim, reproduzem práticas tradicionais e espontaneístas, as quais retratam a realidade aqui descrita.
De tudo que foi vivenciado no estágio, podemos afirmar que além da necessidade de se pensar e trabalhar com os alunos uma geografia nova, faz-se mister também melhorar as condições de trabalho do professor. Durante o período de observação e estágio, sentimos falta do uso de recursos didáticos como jornais, revistas, transparências, xerox de textos e, principalmente, de mapas. Dessa maneira, torna-se difícil para o professor fazer um trabalho mais diversificado, sendo necessária uma atuação mais ampla dos gestores escolares, de forma que oportunizem atividades interdisciplinares e extraclasse, favorecendo a relação teoria-prática tão essencial para o processo ensino/aprendizagem.
Dessa forma, vemos que as nossas discussões vêm reforçar a idéia de que a educação, no Brasil, necessita urgentemente de uma reforma realmente séria, do contrário, os jovens estudantes serão tragados por esse mundo que está cada vez mais a exigir pessoas que saibam dominar ao menos uma pequena parte de todo o conhecimento que é produzido atualmente.
 
Referências
BRASIL, Ministério da Educação, Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares nacionais: ensino médio: Brasília: MEC/SEEF, 1998. p.309-314.
CASTROGIOVANAE, Antonio Carlos. et al (Orgs.). Geografia em sala de aula: prática e reflexões. 2ª ed. Porto Alegre, RS: UFRGS/AGB, 1999.
GONÇALVES, Carlos Walter Porto. Geografia e Meio Ambiente no Brasil. São Paulo: Rio de Janeiro: HUCITEC, 1995.
GONÇALVES, Dalva. Educação Ambiental: Garantia de vida. Dissertação de Mestrado em Educação. Niterói, RJ: UFF, 1984.
GUIMARÃES, Mauro. A dimensão ambiental na educação.São Paulo: Papirus, 1995.
MACHADO, Ana Maria. A leitura deve dar prazer. In: NOVA ESCOLA, nº 145, Local: Editora, Set.2001. p. 21-23.
RODRIGUES, Rosicler Martins. Vida na Terra: conhecer para proteger. São Paulo: Moderna, 1994.
SATO, Michele. Educação Ambiental. São Carlos (SP): RiMa, 2002.



Leoa da Montanha
Enviado por Leoa da Montanha em 04/08/2008
Código do texto: T1113150

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Sobre a autora
Leoa da Montanha
Morro do Chapéu - Bahia - Brasil, 57 anos
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