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"No tempo da mocidade / Eu também já fui vaqueiro / Não tinha jurema grossa, / Mororó nem marmeleiro. / Fui cabra da vista boa, / Negro do corpo maneiro". 
"Viola é verdadeiramente o grande instrumento de cantoria. Violeiro é sinônimo de cantador." E, Pinto do Monteiro é, talvez, o expoente máximo de nossa cultura popular. Hábil em fazer repentes, seus versos embriagaram muitos contendores e arrancaram hurras e aplausos de espectadores enfeitiçados pela sua criatividade.
Severino Lourenço da Silva Pinto, filho de Francisco Lourenço do Nascimento (Chico Lourenço) e Úrsula Bezerra da Silva, nasceu na Fazenda Carnaubinha, Monteiro (PB), na época Alagoa do Monteiro. Veio ao mundo no segundo dia do mês de novembro de 1896. Pinto completou seus noventa anos no Município de Monteiro, após ter vivido longos anos em Sertânia. Paralítico e cego, em suas reminiscências, conta as batalhas da sua vida. Do tempo em que fora vaqueiro na Fazenda Feijão à exposição de fotografia de Djair Freire no Clube Mandacaru e à V Semana Estudantil de Sertânia são muitas histórias que nos tem pra contar.. e sempre nos conta.
A história de Pinto não é só história de cantoria, mas também história de vaqueiro que usava gibão de couro e não hesitava em desbravar a caatinga ressequida e espinhante do sertão. É história de quem assentou praça na Polícia do Estado. É história de sertanejo que vendeu cuscuz no Recufe na década de 30... que cantou na calçada do mercado de São José e foi auxiliar de enfermagem em hospital de "doidos" - Hospital da Tamarineira. É história de quem também já cantou p´ra gente importante tal como o marechal Eurico Gaspar Dutra, então presidente da República, e Ademar de Barros, governador de São Paulo,
Que homenagem maior se poderá fazer a este poeta que com suas sextilhas de improviso soube alegrar o coração do povo? Fazê-lo imortal será, quiçá, a maior recompensa? Não!, Pinto já é imortal. Conhecido no Brasil inteiro, participou de vários filmes e recebeu inúmeras homenagens. Na V Semana Estudantil de Sertânia, Ésio Rafael sentindo a realidade em que vive Pinto do Monteiro desabafou: "Todo o Brasil conhece Pinto! Basta de tanta homenagem a Pinto. Pinto está necessitando de uma assistência médica pra ter uma morte tranqüila... porque ele está com noventa anos de idade e não segura mais a barra". Ésio não compreende como as autoridades de Sertânia e Monteiro não tomam iniciativas concretas para assistir o grande poeta.
Waldemar Cordeiro, poeta sertaniense, na oportunidade, referindo-se a Pinto disse: "... o gênio se perpetua através do tempo e do espaço, e Deus não pode absolutamente extinguir o gênio..., aquele que se vincula a divindade não pode morrer. Morrre os mortos, a morte é que é morta. Pinto jamais!" E pela passagem do nonagéssimo aniversário é bom lembrar estes versos de Pinto:
"Acho  graça a mocidade / Não querer envelhecer. / Velho ninguém quer ficar, / Moço ninguém quer morrer, / Sem ser velho não se vive, / Bom é ser velho e viver.

(Publicado no Diário de Pernambuco, na Coluna Cartas à Redação, de 5 de dezembro de 1986)

Rubens Leite
Enviado por Rubens Leite em 14/02/2006
Reeditado em 14/02/2006
Código do texto: T111931
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Sobre o autor
Rubens Leite
Sertânia - Pernambuco - Brasil, 54 anos
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