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Jt Leroy e James frey: A Farsa Domina o Mercado Literário

Pois é, quer dizer então que o "queridinho" da mídia americana (sem contar o frisson que sua visita à FLIP no ano passado causou na imprensa brasileira), JT Leroy, era uma dupla farsa: nem o tal garoto-de-programa-transgênero-soropositivo existia (sua figura era representada por uma mulher de verdade, Savannah Knoop, irmã de seu "pai adotivo"), nem seus livros foram escritos por outrem que não sua "mãe adotiva" (a ex-cantora de punk rock Laura Albert)...

Interessantes tempos estes em que (dezenas? milhares? de) escritores de real talento pelejam para colocar seus livros no mercado enquanto uma farsa é colocada em primeiro plano em nível mundial. Nada contra. É o "heterônimo" real (ou virtual) elevado ao cubo. É o pseudônimo de carne-e-osso. É esperteza pura, uma ace de marketing.

Se os livros são bons? Não sei, não li. Mas nem precisavam ser, depois de tanto barulho.

É isso aí. Não basta escrever. Temos que aprender a fazer (muito) barulho!

***

Ué... engraçado, parece que eu já tinha postado algo parecido!

Ah, não! Era "A farsa de JT Leroy..." (acima)...

Mas não se trata do mesmo caso? Nããão!!! O Leroy era um “traveco-imaginário-operado-com-AIDS-e-ex-prostituto”, o James Frey é o “maluco-metido-a-machão-que-escapou-do vício-e-da-drogadicção”...

De parecido, somente o fato de que ambos venderam como não-ficção algo que era, pelo menos em parte, ficcional.

Cool! Uma ex-cantora punk inventa um autor inexistente (com direito até mesmo a aparições públicas!), um autor de classe média se faz passar por expert do mundo cão para relatar suas experiências dramáticas com o vício. O primeiro recebe o aval das listas de “best-sellers” e vê um de seus livros virar filme, o segundo se torna um megasucesso comercial, vende os direitos prá Hollywood e recebe o aval da Oprah...

Mas peraí? Não é a mesma história???

Bem, num mundo em que as malhas da verdade se esgarçam em todos os sentidos, o bom da história é que o caso de James Frey e seu livro “Um Milhão de Pedacinhos” rendeu parágrafos e mais parágrafos na mídia do mundo inteiro... As vendas caíram? Só nos EUA... e ainda assim momentaneamente. Como disse sua editora Nan Talese no programa mezzo mea culpa mezzo palhaçada na Oprah (transmitido ontem pelo GNT), mais 500.000 exemplares vêm por aí, desta vez com uma nota explicativa, dizendo que a história é somente “baseada em fatos reais”, e não um “livro de memórias”.

Ah, bom! Agora me explica como é que eu invento uma farsa para conseguir furar o bloqueio editorial (a autores novos) vender meus livros....

Em tempo: Oprah fez seu papel, recuperou seu prestígio (afinal, o livro fazia parte do prestigiado círculo de indicações da apresentadora) desmontando as desculpas esfarrapadas do autor, que parecia não estar "nem aí" para o que acontecera, e saiu-se extremamente bem, apesar do desconforto evidente com que conduziu a entrevista.

(textos publicados originalmente em meu blog)

Renato van Wilpe Bach
Enviado por Renato van Wilpe Bach em 18/02/2006
Código do texto: T113287
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Sobre o autor
Renato van Wilpe Bach
Ponta Grossa - Paraná - Brasil
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