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DOENÇAS TRANSMITIDAS PELAS FEZES DOS POMBOS (Com acréscimos)

Tenho recebido pedidos de informações sobre as doenças causadas pelas fezes dos pombos e quero orientar resumidamente nestas notas preventivas.
Os pombos, as aves que tanto aprendemos a admirar, estão transmitindo pelas fezes, uma contaminação cada vez maior, por fungos, bactérias e outros microorganismos, que podem levar a infecções graves, muitas vezes ocasionadas pela contaminação das mãos, das frutas e pela água da chuva que corre pelos telhados, causando pneumonias fatais, rinites crônicas e sérias alterações da defesa orgânica, com a presença de outras infecções paralelas.
Esteve em tratamento comigo um produtor rural, que perdeu a esposa recentemente, fato este que lhe ocasionou uma grave depressão, com sentimento de culpa. Sua história, resume em um gesto aparentemente ecológico: Como tem uma casa nova grande, com amplos terraços à sua volta, iniciou a coleta de água da chuva em ema imensa caixa d'água, que depois era bombeada para suas frutas e legumes, mas sem nenhum tratamento prévio.
A esposa depois de chupar deliciosas jabuticabas no próprio pé da fruta, começou a ter fortes dores de garganta, febre alta e muita tosse. Feito um Raio X de tórax, os médicos que a atenderam acreditaram estar diante de uma infecção comum, que não cedeu aos antibióticos comuns, evoluiu para um imenso abscesso (bolsa cheia de pus) pulmonar, que depois de drenado veio a revelar ser ocasionado por um fungo do tipo Histoplasma capsulatum (descoberto em 1905, no Panamá por Samuel Darling), que ao tentarem tratar com antifúngicos, já encontrou o organismo frágil, não obtiveram sucesso e ela faleceu.
As revistas médicas estão tentando despertar para uma situação pouco levada a sério, ou mesmo desconhecida: O meio ambiente está carregado de partículas orgânicas contaminadas no ar ou depositadas no solo; com as chuvas os fungos e bactérias se deslocam, sendo elevados pela evaporação da água e pelos ventos que podem acompanhar as chuvas ou vir junto com elas. A consequência? Inalação destes agentes e broncopneumonia, muitas vezes fatais.
Um outro  tipo de contaminação grave em fezes de pombo, está acontecendo com muita freqüência por um contaminador  denominado  Criptococus  neoformas, com quadros graves e que enganam os médicos, pelo início sugestivo de quadros simples de pneumonias
Existem diversos Serviços de Infectologia estudando tais ocorrências, suas predisposições, suas conseqüências e nossa primeira medida preventiva, não só a estas doenças, mas a todas as doenças, passam pelo asseio das mãos, em seguida pela limpeza com desinfetantes de alimentos, à base de cloro, principalmente nas frutas em que podemos comer ou tocamos a casca. Lembramos aqui um engano cometido por muitos: as pessoas acham que se vão descascar as frutas, não precisam lavá-las, mas é preciso ver que ao eliminar a casca, tocamos invariavelmente a polpa da fruta com as mãos que serão as transmissoras dos micróbios.
Outro fato muito importante deve ser lembrado: A principal forma de combater as infecções hospitalares é lavando as mãos constantemente, ao lidar com objetos ou diretamente com pacientes.
Muitos hospitais num passado recente, gastaram milhões com tentativas de eliminação da infecção hospitalar, não praticando o óbvio inicialmente: lavar as mãos.
Quando freqüento Unidades de Terapia Intensiva é comum deparar com erros simples, que podem contaminar toda a unidade: médicos, enfermeiras e até parentes importantes de clientes, circulando sem a vestimenta apropriada para movimentar-se pelo ambiente. Este quadro comum nos remete às primeiras cirurgias, onde os médicos aprendiam a operar, vestindo suas roupas, engravatados, ou mais antigamente, só com as batas ensebadas.
Tenho um colega que nos despertou para um fato: um toalheiro completo tem em média trezentas toalhas simples. Normalmente os usuários usam duas por secagem de mãos. Ele atende cerca de trinta clientes por dia, do convênio que assiste. Supondo que destes clientes, dez necessitem lavar as mãos após fazerem suas necessidades, a cada dia de consultas, perfazem vinte toalhas por dia, o que dariam 15 dias no máximo para que as toalhas fossem consumidas, sem levarmos em conta as consumidas pela secretária. Entretanto, ele diz renovar o toalheiro a cada vinte dias. Isto indica que a maioria dos clientes não lava as  mãos, depois de usar o banheiro. Ainda bem que ele tem um lavabo dentro da sala de consultas e lava as mãos antes de atender cada cliente. Sua profissão? Dermatologista.
Como psiquiatra aprendi que não devo ser inicialmente psiquiatra, mas um clínico geral, especializado a posteriori em psiquiatria. Aconselho aos meus clientes a tomarem medidas simples de desinfecção de oro-faringites crônicas, usando gargarejos com dez gotas de iodo, uma colher de chá contendo sal e meio copo de água de torneira mesmo. Nem precisa jogar o ar para fora fazendo aquele incômodo barulho pela manhã e pela noite; basta deixar a solução tocando a garganta com movimentos para trás e para os lados, enquanto a língua entra e sai do seu repouso.
Ensino aos sitiantes a cuidarem com carinho as frutas, de modo a não se contaminarem; a não comerem carnes sem exames, mesmo que sejam de porcos e vacas caipiras.
Percebo que este pequeno auxílio os torna agradecidos e aderentes ao tratamento psiquiátrico com maior freqüência, que a obtida pelos médicos que trabalham com tempo cronometrado, pois me dedico a eles com carinho, com amor à arte.
Testei um colega que faz oftalmologista. Perguntei a ele: "Como você age num caso de Retinose Pigmentar (doença degenerativa da retina, onde se formam as imagens)?". Ele respondeu: "Não faço nada, pois não há nada a fazer!" Retruquei: "Exceto dar a este cliente o seu apoio, de forma franca, presente, para que ele saiba e veja que só vai perder a visão, mas terá aguçado todos os outros sentidos como compensação. Portanto poderá continuar vivo, produtivo, desafiando a doença e a incapacidade, não se deixando quebrar, ou se sentir inválido!" Ele percebeu que a escola e pós-graduação não lhe ensinaram a pensar assim.
Muitos estudantes de medicina e outras especialidades desconhecem que terão que seguir o "Método Científico" para exercerem suas atividades, do mesmo modo que uma dona de casa ou uma empregada doméstica segue um método para fazer um bolo, ou assar uma carne.
A maioria das pessoas é ensinada onde procurar soluções se existirem; não são preparadas para pensar, deduzir.
Infelizmente!
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pergunteaodoutor@drmarcioconsigo.com
Obs.: Mais detalhes podem ser buscados na Internet, nas bibliotecas médicas, como Bireme, Cochrane, Lilacs e outras.
Marcio Funghi
Enviado por Marcio Funghi em 17/08/2008
Reeditado em 01/11/2008
Código do texto: T1132988
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Marcio Funghi
Araras - São Paulo - Brasil
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