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MULHERES CÉLEBRES

ROZA LUKSEMBURG = "Eu sou e quero permanecer idealista!" =

<><> No fim do Século XIX - começo do Século XX, houve um tempo de grandes transformações políticas, que influenciaram -- e continua influenciando nossa história. Idéias humanísticas que nasceram das cabeças de pessoas esclarecidas do Século XIX, que frequentemente eram distorcidas sobre seus objetivos -- e, assim, nasceram os hitleristas, stalinistas e muralhas -- físicas e mentais...
"A palavra "socialismo" e "democracia" podem estar juntas e complementar uma à outra? Não somente podem, como devem!" -- dizia Roza Luksemburg (no Brasil, chamavam Rosa de Luxemburgo) escritora e jornalista brilhante, entusiasta política que detestava qualquer espécie de dogma, pacifista e internacionalista, clamante pelo fim da pena de morte. E era enciclopedicamente uma simples pessoa esclarecida.
Depois do fracasso das grandes ideologias do Século XX, suas idéias originais permitem ter na vida a esperança de um socialismo democrático. Rosa foi teorista do marxismo sem governo e seu martírio fez-se sua legenda.
Rosa nasceu em 05 de março de 1871, em Zamosc, cidade polonesa (então parte da Rússia Imperial) em uma família de comerciantes
judeus bem integrados. Em sua juventude, Rosa estudou em um ginásio para moças em Varsóvia, mas para não ser presa por suas ligações com grupos revolucionários, teve que fugir para a Suiça. Na Universidade de Zurique, recebeu o diploma de doutoranda em Economia Política. Aí, ela encontrou-se com um conhecido -- judeu lituano, Leo . Jogiches. Em 1893 criaram juntos o Partido Socialista da Polônia e Lituania, cuja atividade reuniu trabalhadores russos e poloneses com o fim de destruir o czarismo. No mesmo ano, ela foi delegada da Polônia para o terceiro congresso da Segunda Internacional(1), onde ela não hezitou em contradizer Friedrich Engels(2)sobre uma pergunta pela independência da Polônia. Ela lutou por esse ideal durante toda a sua vida e condenou os perigos do nacionalismo e chovinismo. Em sua opinião, o proletariado de todos os países deveriam ter o mesmo objetivo: abolição do sistema capitalista.
Em 1898 tornou-se cidadã alemã e se alistou no Partido Social Democrático (SPD, em alemão) que, na época, era o maior partido socialista da Europa. Rosa representou a Esquerda, criticando o lado reformista, apoiado por Eduard Bernstein (3). Ela não foi contra conduzir mais reformas na economia capitalista, mas em sua opinião era que se o movimento trabalhista ocupasse somente esse assunto, então ele não mais quereria mudar seus fundamentos e superar o capitalismo. Ao contrário, ela desenvolveria sua teoria original baseada sobre a revolução espontânea do proletariado. Rosa aceitou a necessidade de uma revolução -- único caminho para o socialismo, iniciado pela classe trabalhadora -- e abandonou a idéia de uma atuação direta do partido. Não acreditava que a vanguarda esclarecida do partido deveria dirigir essa revolução.Depois da postura ditatorial do partido único na União Soviética, ela transformou-se em sua ardorosa crítica. Todavia, ela não foi anarquista, permanecendo marxista. Acreditava que o partido não deveria organizar a revolução -- deveria somente indicar o caminho e por isso ela se diferenciava muito de Lenine.
Rosa Luxenburgo participou da revolução russa de 1905, foi presa, depois libertada graças à intervenção dos dirigentes socialistas alemães. Voltando à Alemanha, ela se tornou professora de economia na escola de SPD, mas ficou isolada dentro do Partido. O Partido queria integrar a classe trabalhadora na sociedade capitalista, e os deputados socialistas alemães (em 1912, eles tornaram o partido mais forte da Alemanha)votaram a favor de despesas militares, em 1914, o que originou o caminho para a Primeira Guerra Mundial. Em 1914 quando a maioria dos dirigentes socialistas aprovaram o fortalecimento das forças militares, Roza Luksemburg e Karl Liebknecht (libknerr´t) (4) ficaram do lado pacífico do SPD. No Segundo Congresso Internacional , em Stuttigart, ela chegou a propor uma resolução que unisse os trabalhadores de todos os países para evitar a guerra. No mesmo ano, ela organizou manifestações contra guerras e clamou pela desobediência civil contra as auroridades, enquanto que os representantes do SPD votavam pelo acordo com as autoridades, garantindo que não fariam greve durante a guerra...
Rosa foi presa como "incentivadora à desobediência civil" e encarcerada entre os anos 1915 e 1918.
Todavia, no cárcere,ela continuou sua atividade política e fundou, em 1916, com Karl Liebknechet, Franz Mehring(5) e sua amiga Clara Zetkin (6) a Liga Spartaquista (nome dado em homenagem a Spartaco (líder dos escravos revoltosos contra Roma em 71 a.C.)E Rosa aceitou a revolução russa de 1917 com entusiasmo, mas ela suspeitava da direção revolucionária de Lenine, que parecia seguir em direção ao stalinismo.
Rosa foi uma revolucionária apaixonada, ao mesmo tempo em que era ligada de coração à perspectiva de uma democracia socialista autêntica. Se o conceito de socialismo junto a Lenine tinha tendência de dominação e estatização, este, para Rosa, permitiu o desenvolvimento de adminisitração própria e teve como objetivo a mais ampla democracia. Ela disse: "a liberdade é, ao menos, a liberdade para quem pensa de outra maneira."
No fim da Primeira Guerra Mundial, foi proclamada a República Alemã. Rosa foi então, libertada. Junto com Karl Liebknechet, fez reviver o a Liga Spartaquista. Ecorajada pela revolução russa, os spartaquistas desejaram ampliar a revolução e lançaram uma rebelião em Berlim,em janeiro de 1919.Rosa não foi a favor disso. Segundo ela, a força não é o caminho para o sucesso de uma revolta, mas assim mesmo ela participou da rebelião.
A rebelião foi esmagada por ordem dos dirigentes da nova social-democracia. Presa novamente, Roza foi mortalmente abatida pelas costas por um tiro, em 15 de janeiro de 1919. Seu corpo foi jogado em um rio próximo. No mesmo dia, Karl foi ferido por um tiro. Neste dia, um jovem poeta Berthold Brechet escreveu as seguintes palavras:
" ROSA, A VERMELHA, TAMBÉM DESAPARECEU
NÃO É CONHECIDO O LOCAL ONDE ESTÁ SEU CORPO
ELA DISSE AOS POBRES A VERDADE
E POR CAUSA DISTO OS RICOS A EXECUTARAM"
A vida e o pensamento livre  fez de Roza Luksemburg herege dentro do marxismo, e isso dá razão ao interesse que ela desperta até hoje. Durante toda a sua vida, ela lutou contra as exigências de Lenine e a aceitação por parte do SPD. Suas idéias apresentavam um caminho alternativo às duas principais ideologias: ela queria unir o socialismo com a democracia. E sempre aprovou as ações dos partidos políticos externos, nos quais as pessoas se mobilizam e os movimentos alternativos de nossos dias -- como exemplo, os movimentos de outras espécies de globalização e ecologia, são muito próximos dos ideais de Roza Luksemburg
(1) -- A Segunda Internacional: união internacional dos partidos socialistas, fundado em1889,em Paris.
(2) -- Friedrich Engels: teorista e socialista alemão, amigo de Karl Marx (1820-1895)
(3) -- Eduard Bernstein: teórico e socialista alemão (1850-1919)
(4) -- Karl Liebknechet: deputado alemão socialista, filho do criador do Partido Socialista Alemão (SPD), Wilhelm Liebknechet (1871-1919)
(5) -- Franz Mehring: jornalista e socialista alemão (1849-1919)
(6) -- Clara Zetkin: feminista e socialista alemã (1857-1933)

(Artigo traduzido do Esperanto para o Português, por EN.
Original de Olivier Gaudefroy, França)
Victoria Magna
Enviado por Victoria Magna em 21/02/2006
Reeditado em 22/02/2006
Código do texto: T114702
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Sobre a autora
Victoria Magna
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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