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DE ONDE VEM A ÁGUA QUE BEBEMOS ?

Entre a água que nasce cristalina nas serras e chega aparentemente pura às nossas torneiras, muitas coisas acontecem.
O consumo de água aumenta com o crescimento das cidades. Um dos maiores problemas é o caminho por onde ela passa para chegar aos lares consumidores.
A maior parte da água consumida no Rio de Janeiro vem do sistema Guandu, formado pelo bombeamento  de águas do superpoluido Paraíba do Sul.
O rio Paraíba do Sul vem sendo poluido desde sua nascente no município de Jacareí, interior de São Paulo.
A formação do rio começa nas serras do Mar e Bocâina, mas só se avoluma ao receber os afluentes Paraitinga e Paraibuna, onde existe uma represa da CESP. Ainda no território paulista o rio já é altamente poluido, pois recebe esgotos domésticos de favelas, postos de combustíveis e indústrias. Quando passa por Caçapava a situação já é caótica. Em Vila Paraíba, São José dos Campos e Guaratinguetá,o Paraíba do Sul já aparece em estado lástimável. Ao chegar a Barra do Piraí suas águas já estão altamente contaminadas. Em Itatiaia, Rezende e Volta Redonda recebe cargas tóxicas de várias indústrias e Principalmente das usinas siderúrgicas. Dos seus 1137 Kms de extenção, o Paraíba do Sul tem 500 Kms no estado do Rio de Janeiro, cortando mais de quarenta municípios com centenas de indústrias poluidoras, favelas sem saneamento básico e  lavouras contaminadas por agrotóxicos, só no território fluminense.
Antes de chegar a estação de tratamento as águas recebem também inúmeros poluentes domésticos dos moradores que circundam o Rio Guandu que passa por cidades como Nilópolis, Queimados, Nova Iguaçú e tantas outras; As águas das chuvas transportam lixo e despejos industriais, esgotos residenciais, lixo acumulado nas ruas e favelas que passam a fazer parte das águas do Paraíba do Sul e do Guandu.
Apesar do esforço consciente de muitos cidadãs e autoridades preocupadas com o meio ambiente, os dois rios estão se tornando um imenso depósito de lixo. A situação tende a agravar-se pelo aumento populacional ribeirinho, pela instalação de novas indústrias e favelas, além da devastação das florestas remanescentes.
Diariamente são lançadas toneladas de poluentes químicos, substâncias altamente danosas ao organismo humano e animal. Coisas como cádmio, chumbo, cromo, mercúrio, fenois, cianetos e tantos outros que podem causar incalculáveis danos à saúde.
Para garantir uma água potável em nossas torneiras, diariamente acontece uma verdadeira operaçãode guerra na estação de tratamento Guandu. Uma árdua luta contra a tragédia causada pela irresponsabilidade do bicho homem. Além do grande trabalho diário, temos o enorme consumo de produtos químicos usados no tratammento. São produtos químicos combatendo produtos químicos e, certamente, seus resíduos serão absorvidos pelo organismo dos consumidores. Quanto maior for a poluição, tanto maior será o consumo destes produtos que a cada dia encarecem mais o custo final da água.
Quando o consumo aumenta, maior quantidade de água poluida terá de ser tratada para nos abastecer. Com o consumo exagerado passando pela estação de tratamento, fica difícil garantir  que toda a água será realmente de boa qualidade. Até quando seremos abastecidos regularmente só Deus sabe.
Este problema de difícil solução não é apenas do Rio de Janeiro e São Paulo. Na verdade isto está acontecendo em todas as grandes cidades.
Calcula-se que hoje no mundo um bilhão e tresentos milhões de pessoas não dispõe de água potável.
Precisamos nos conscientizar da importância de economizar-mos este bem tão precioso e tão pouco valorizado.
Só daremos valor a água quando o poço secar.
Nicéas Romeo Zanchett - artista plástico
http://superpopulacao.spaceblog.com.br
http://www.artmajeur.com/niceasromeozanchett - website do autor.
Romeo
Enviado por Romeo em 31/08/2008
Reeditado em 31/08/2008
Código do texto: T1154587
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Sobre o autor
Romeo
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 66 anos
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Romeo



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