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Projeto de Educação Indígena Krahô-Kanela

1. APRESENTAÇÃO

Esse Projeto de Educação Indígena foi elaborado para orientar a construção de um Projeto Pedagógico que possibilite o envolvimento dos estudantes índios da etnia Krahô-Kanela da Terra Indígena Mata Alagada que estudam em Escolas públicas no município de Lagoa da Confusão, Estado do Tocantins.

Nesse Projeto propomos a execução de diversas práticas pedagógicas para que todas as áreas e conteúdos do currículo escolar estejam envolvidos de forma transdisciplinar e multidisciplinar, com intuito de trazer para dentro da Escola um pouco da cultura dos índios Krahô-Kanela que vivem no município.

Sabemos que historicamente os povos indígenas sempre foram relegados ao segundo plano, ficando quase sempre à margem da sociedade. E é bem verdade também que ainda hoje, em muitos lugares, até mesmo na Escola, isso ainda é frequente. Portanto, queremos através desse “Projeto de Educação Indígena Krahô-Kanela” trazer para as Escolas de Lagoa da Confusão uma educação diferenciada, uma educação transformadora, que envolva e acolha a todos indistintamente, principalmente os povos indígenas de nosso município.

A nossa pretensão não foi a de apresentar um Projeto de Educação Indígena pronto e totalmente acabado, mas ao invés disso tivemos como meta levantar alguns elementos favoráveis à construção de uma proposta diferenciada. Assim, apostamos nas inúmeras habilidades e competências dos educadores locais que atuam de forma dedicada no ensino desses alunos indígenas e que, certamente, estarão influenciados por outras inúmeras vertentes de estudo, o que, consequentemente, fará com que esse Projeto seja melhorado ainda mais, com o surgimento de diversas adaptações, inovações e novos caminhos para essa proposta.

Sabemos da dificuldade para a realização de um Projeto dessa natureza, especialmente por levarmos em conta a falta de exemplos de propostas desse tipo em nosso Estado. Estamos cientes que para pôr em prática tal iniciativa será preciso muito mais do que só força de vontade, pois realizar um Projeto assim exige nos despirmos de conceitos e idéias pré-concebidas, encarar enfrentamentos e queremos sobrepôr obstáculos. Para tanto, não iremos contar apenas com disposição e força de vontade, pois, além disso, é claro, estaremos usando todas as ferramentas que um bom profissional de educação deve conhecer e saber manipular. Assim, inicialmente reunimos muitas informações sobre a temática “Educação”, “Pluralidade Cultura” e “Cultura Indígena”, especialmente buscando aquelas fontes e trabalhos que tratam diretamente do grupo indígena Krahô-Kanela e, a daqui em diante, esperamos também poder contar com apoio de todos, notadamente daquelas pessoas e profissionais que conhecem, amam e dedicam parte de suas vidas para estar ao lado desses índios.

Mudar a nossa comunidade para melhor, dando oportunidade para todos e acolhendo aqueles que historicamente foram marginalizados e excluídos exige empenho de todos, incluíndo nisso o papel do professor e da Escola. É basendo-se nessas idéias e conceitos que nos lançamos nessa bela e inovadora proposta através desse Projeto de Educação Indígena Krahô-Kanela.


1.1 UM POUCO DA HISTÓRIA DOS KRAHÔ-KANELA

Os Krahô-Kanela, assim como diversos outros grupos indígenas do Brasil, tem uma extensa e árdua história em busca de seu reconhecimento como etnia indígena e pelo direito às suas terras.

Até o presente, existem pouquíssimos registros da história dos índios Krahô-Kanela. Os poucos estudos antropológicos enfocando esse grupo indígena tratam-se de relatórios técnicos solicitados pela FUNAI (Fundação Nacional do Índio) para identificação e delimitação da Terra Índígena Mata Alagada, que foram elaborados na época em que pleiteavam essa Terra. Além disso, existem alguns poucos relatos sobre esse grupo indígena que foram divulgados em jornais e revistas de circulação local. Assim, reunimos tais informações e apresentamos aqui uma síntese da história desse grupo indígena para que todos os profissionais da Escola e das demais instituições envolvidas nesse Projeto possam conhecer melhor esses índios.

Um grupo de índios Krahô e Kanela, liderado por Florêncio Caboclo, parte do sul do Estado do Maranhão em meados da década 1920. Nesse processo de re-territorialização, o grupo se estabeleceu em três localidades por períodos variados de tempo: Serra do Carmo (1933 a 1949), Mumbuca, (1949 a 1959), Atoleiro (1959 a 1960), até que, em 1960, encontram espaço que reunia as condições para se reproduzirem, física e culturalmente, segundo suas expectativas coletivas. Desse modo, os índios Krahô-Kanela se estabeleceram na localidade da “Mata Alagada”, ali se territorializando. “Mata Alagada”, dentro da trajetória Krahô-Kanela, foi o espaço eleito como constituidor de novo território, desse modo ficou marcado e foi simbolicamente vinculado ao grupo. No ano de 1977, depois de um conflito com fazendeiros daquela região, eles foram expulsos dessas terras e passaram a habitar a periferia de Dueré, cidade mais próxima ao local que habitavam. Os fazendeiros que os expulsaram, obtiveram ilegalmente as ações de título daquelas terras com a ajuda de autoridades do extinto IDAGO (Instituto de Desenvolvimento Agrário de Goiás), e estabeleceram ali a Fazenda Brahma.

Em 1984, os Krahô-Kanela solicitam reconhecimento e assistência da FUNAI, que abre então o “Processo de Delimitação e Reconhecimento da Terra Indígena Mata Alagada”. Três anos após, em 1987, uma parte do grupo foi conduzida pelo Órgão Indigenista ao Parque Indígena do Araguaia, no interior da Ilha do Bananal, área onde atualmente habitam os índios Karajá, Javaé, Tapirapé e Avá-Canoeiro; a outra parte se dispersou por cidades próximas como Gurupi, Lagoa da Confusão, Formoso do Araguaia e Cristalândia.

Em 1994, há o início da ação de retirada dos posseiros que ocupavam o interior da Ilha e nessa época, por volta de 1996, inicia-se também a negociação da retirada dos Krahô-Kanela daquela localidade.

Em junho de 1999, eles deixaram a Ilha do Bananal e foram conduzidos pelo INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) para o “Projeto de Assentamento Tarumã”, no município de Araguacema, a cerca de 450 Km dessa região. Naquele lugar, o Governo Federal destinou-lhes uma porção de terra pobre e sem condições de subsistência.

Em 22 de setembro de 2001, eles retornam a sua antiga morada, onde acampam durante 5 dias próximo à sede da Fazenda Brahma, com o objetivo de tomar posse daquele lugar. Após uma ordem de despejo, foram novamente removidos para outra localidade. Agora, dessa vez foram levados para o “Projeto de Assentamento Loroti”, localizado no município de Lagoa da Confusão. Ali permaneceram por cerca de 2 anos, juntamente com integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).

Os índios Krahô-Kanela não estavam satisfeitos com a FUNAI e o INCRA, pois o “Processo de Delimitação e Reconhecimento da Terra Indígena Mata Alagada” estava parado. Assim, há um novo conflito na Fazenda Brahma, que causa uma grande repercussão junto à mídia Nacional, o que acaba despertando atenção para sua luta. Após esse conflito, em novembro de 2003, eles foram transferidos do “Projeto de Assentamento Loroti” para a “Casa do Índio” em Gurupi, sob os cuidados da FUNAI.

Deve-se ter em mente que o primeiro trabalho técnico enfocando esse grupo indígena foi realizado em meados da década de 1980, pelo Antropólogo André de Amaral Toral, do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Esse trabalho, por caracterizar o grupo Krahô-Kanela como “caboclos” ou apenas “remanescentes de índios”, acabou por influenciar a paralização do “Processo da Terra Indígena Mata Alagada por cerca de 15 anos, assim como fez com que tal grupo estivesse desamparado pela FUNAI, a qual passou, desde então, a considerar que a destinação de terras para essa comunidade fosse responsabilidade apenas do INCRA. Só com a realização do segundo trabalho técnico, em 2004, pela Antropóloga Graziela Rodrigues de Almeida, em um diferente contexto sóciopolítico, é que se possibilitou um devido reconhecimento a essa etnia.
     
Em outubro de 2005, a sociedade civil organizada reconheceu sua responsabilidade e sua dívida histórica para com este povo, os Krahô-Kanela. Através da criação do “Comitê pela Demarcação da Terra Indígena Mata Alagada”, as entidades que o compõem: CIMI (Conselho Indigenista Missionário), Centro de Direitos Humanos (CDH) de Palmas, Prelazia de Cristalândia, Casa 8 de Março, Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB), Arquidiocese de Palmas e de Porto Nacional, Igreja Anglicana, Organização Indígena do Tocantins (OIT), Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), Centro de Educação Popular, CEBs, ONG Eco-Terra, ONG APA-TO, Centro Acadêmico da UFT buscam levar esta reflexão para o público com as quais atuam e apoiar concretamente a luta dos Krahô-Kanela.

Destacamos que um grande avanço nessa luta foi o apoio que os Krahô-Kanela receberam das outras etnias (Karajá, Xerente, Krahô, Apinajé etc.) do Estado, através da Organização Indígena do Tocantins (OIT). Nesse período, as lideranças dos índios Krahô-Kanela fizeram várias reuniões e manifestações em Gurupi, Palmas e, até mesmo, em Brasília, solicitando o reconhecimento de seus direitos.

Em todos esses momentos aos índios Krahô-Kanela eram feitos pedidos de calma e, além disso, eles sempre ouviam promessas de que o retorno às suas terras ocorreria em breve. Mas, chegava a data de cumprimento da promessa e o Órgão Indigenista sempre adiava a data, renovando novamente o pedido de calma e fazendo mais promessas. Isso foi se extendo até que um dia, cansados de tanta falta de compromisso por parte das autoridades, eles resolvem agir novamente por conta própria. Assim, em julho de 2006, cerca de 29 anos após sua expulsão da “Terra Mata Alagada”, depois de uma história polêmica e conturbada, cerca de 100 índios Krahô-Kanela que residiam na “Casa do Índio” em Gurupi retornaram por conta própria para o local onde estabeleceram um vínculo simbólico.

Nessa época, aqueles índios que estavam estudando em Gurupi permaneceram na “Casa do Índio” até o fim do ano para concluírem o período letivo escolar. Ao final de 2006, todo o grupo foi para a Terra Indígena Mata Alagada, e a partir de 2007, os estudantes Krahô-Kanela receberam apoio da Prefeitura Municipal de Lagoa da Confusão que disponibilizou um ônibus escolar para conduzir diariamente os estudantes até a cidade, onde deram prosseguimento aos estudos nas Escolas locais.

É, nesse contexto, buscando integrar melhor a cultura dos índios que vivem no  município de Lagoa da Confusão através das ações desenvolvidas pelos educadores locais que esse Projeto de Educação Indígena Krahô-Kanela foi elaborado.



2 OBJETIVOS

2.1 OBJETIVO GERAL

- Colaborar para a formação de uma consciência crítica e reflexiva da comunidade de Lagoa da Confusão, trazendo mudanças para as atitudes e posturas com relação a pluralidade cultural e a questão indígena, particularmente focando nos índios Krahô-Kanela, e também por abrangência aos demais povos indígenas do Estado do Tocantins.

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

- Trabalhar as temáticas “Diversidade Cultural” e “Cultura Indígena” de forma prática e teórica dentro do currículo Escolas;
- Possibilitar aos alunos índios da etnia Krahô-Kanela a divulgação de sua cultura, suas tradições e seus valores na Escola;
- Contribuir para minimizar as atitudes de desrespeito e preconceito para com os índios, proporcionando melhor convivência respeito mútuo e amizade entre todos os alunos, funcionários da Escola, e comunidade em geral.


3. PARCEIROS

O Projeto Educação Indígena Krahô-Kanela contará com diversos parceiros:

- Prefeitura Municipal de Lagoa da Confusão;
- Secretaria Municipal de Educação de Lagoa da Confusão;
- Secretaria Estadual de Educação;
- Fundação Nacional do Índio – FUNAI;
- Instituto Natureza do Tocantins – NATURATINS;
- Núcleo de Estudos de Assuntos Indígenas – NEAI/ UFT;
- Ministério Público Federal – MPF;
- Prelazia de Cristalândia;
- Comissão Pastoral da Terra – CPT;
- Conselho Indigenista Missionário – CIMI;
- Associação de Barqueiros, Aquaviários e Pescadores de Lagoa da Confusão – ABAPA.


4. AÇÕES PROPOSTAS


As ações propostas pelo Projeto Educação Indígena Krahô-Kanela se baseiam principalmente na metodologia dos trabalhos realizados pela equipe de professores da Fundação Bradesco, Escola de Canuanã, que se encontram referenciados ao final desse trabalho. Dessa maneira trazemos de forma suscinta a problematização/ sensibilização, e o conteúdo proposta para ser trabalhado pelos professores nas ações e atividades desenvolvidas em classe e nas visitas agendadas para a Terra Indígena Mata Alagada. Por fim, há também a proposta do "1º Seminário de Povos Indígenas de Lagoa da Confusão".


4.1 PROBLEMATIZAÇÃO/ SENSIBILIZAÇÃO

O processo de sensibilização dos alunos indígenas e não-índios será realizado com a função de despertar o interesse deles, visando fomentar as ações de mobilização que possam contribuir para a aceitação, o reconhecimento dos direitos e valores dos povos indígenas. Essa sensibilização se dará com os professores organizando debates cujo objetivo será mostrar a história e os valores dos povos indígenas de modo geral, e dos Krahô-Kanela particularmente. Os professores realizarão reuniões com os estudantes índios e demais membros da comunidade Krahô-Kanela para discutir a importância da realização desse Projeto.

Assim, após o despertamento desses alunos e das lideranças Krahô-Kanela para se envolverem no Projeto, os professores organizarão o agendamento das atividades práticas e teóricas de acordo como o currículo Escolas, sempre pensando na possibilidade da presença de convidados índios da Terra Mata Alagada.


4.2 CONTEÚDO PROPOSTO
 
Há uma gama enorme de possibilidades que podem ser trabalhadas pelo professor enfocando as “Culturas Indígenas”, a “Diversidade Cultural” e a “história dos índios Krahô-Kanela”. Portanto, acreditamos que cada educador usará sua experiência e vivência profissional para incrementar as proposituras aqui apresentadas. Assim, reforçamos mais uma vez que as propostas aqui são apenas um norte para o professor que deverá sempre enfocar sua disciplina de forma a abordar tais questões dentro dos princípios da transversalidade e interdisciplinariedade.

Abaixo apresentamos o conteúdo proposto para cada disciplina individualmente, que se baseia principalmente em HERNANDEZ (2003):

- Lingua Portuguesa:
Palavras e expressões de origem em línguas indígenas que estão presentes no nosso vocabulário;
Lendas, contos, mitos populares de origem indígena;
Os índios na literatura brasileira.

- Matemática
Figuras geométricas presentes nas pinturas corporais e na pintura do artesanato indígena;
Formas geométricas dos diferentes tipos de construções residencias (casas ou ocas) dos principais grupos indígenas brasileiros;
Apresentar algumas curiosidades sobre formas diferentes de uso dos números e realização de contas entre os índios.

- Ciências/ Biologia
Plantas medicinais;
Alimentos indígenas;
Higiene pessoal (ex.: hábito de tomar banho) e ambiental (produção de lixo);
DST/ AIDS.

- Meio Ambiente
Relação do índio com o meio ambiente;
Métodos de produção e uso da terra;
Caça e pesca;
Criação de animais silvestres e domésticos;
Uso do Fogo.

- Física
Pesquisar sobre a óptica da pesca e a trajetória da flecha durante a pescaria;
Mitos sobre a origem e importância dos fenômenos naturais (eclipse, trovão, relâmpago, chuva, vento, marés, etc.) para os povos indígenas;

- Geografia
Relação homem e natureza;
Relação índio e não-índio;
Relação comercial;
Uso dos recursos naturais (solo, ar, água, flora e fauna);
Habitação e Saneamento básico;
Localização, altitude, latitude, longitude e coordenadas geográficas.

- Informática
Digitação de textos, contos, lendas e mitos sobre povos indígenas;

- História
História dos índios do Brasil;
Relações sociais e de trabalho relacionada aos índios;
Economia;
Influências culturais dos povos indígenas ao longo da história do Brasil.

- Artes
Intercâmbio cultural com uma visita a Terra Indígena Mata Alagada;
Artesanato indígena;
Arte plumária;
Rituais das nações indígenas do Tocantins;
Músicas, cantos e instrumentos musicais;
Jogos indígenas (peteca, natação, canoagem, etc.);
Utensíliso domésticos e ferramentas de trabalho.


Relembramos que tais conteúdos poderão ser tratados de diferentes maneiras, como por exemplo: (1) mostras de vídeos educativos; (2) realização de oficinas de pinturas corporais; (3) oficinas de dança e canto; (4) leitura de textos; (5) teatro e dramatização de lendas e contos populares; (6) debates em classe; (7) exposição de fotos e artesanato; e (8) entrevistas, debates e palestras com a presença de ambientalistas, indigenistas e estudiosos do assunto.

Ao final de tudo isso, como culminância do Projeto Educação Indígena Krahô-Kanela será realizado o 1º Seminário de Povos Indígenas de Lagoa da Confusão que está descrito a diante.


4.3 SEMINÁRIO DE POVOS INDÍGENAS

Para o final do segundo semestre, no mês de novembro, estaremos organizando o “1º Seminário de Povos Indígenas de Lagoa da Confusão”.

O “1º Seminário de Povos Indígenas de Lagoa da Confusão” será um momento especial aberto a toda comunidade, que terá a duração de dois dias que estarão dedicados exclusivamente para essa temática. Nesse Seminário haverá a apresentação resumida de tudo aquilo que foi trabalhado ao longo do ano em sala de aula e nas visitas à Terra Indígena Mata Alagada, sempre contando com a atuação constante dos alunos.

Para esse evento, esperamos contar com a presença de pessoas de renome e grande experiência nas questões indígenas do Estado do Tocantins, como por exemplo: (1) o Doutor em Antropologia, Odair Giraldin, que é coordenador do Núcleo de Estudos de Assuntos Indígenas da UFT; (2) alguns profissionais do MPF, especialmente o técnico Wellington Antenor de Souza e o antropólogo Márcio Martins dos Santos; (3) o Padre Brás Rodrigues da Costa da Igreja Anglicana de Aliança; (4) os missinários do CIMI e representantes da CPT; e (5) Dom Hiriberto Hermes, Bispo da Prelazia de Cristalândia.

Além desses convidados de fora da cidade, contaremos também com a presença da prof.ª Benta Lopes Morais do Colégio Estadual de Lagoa da Confusão, que sempre está atuante nas questões indígenas locais.


5. RECURSOS HUMANOS, MATERIAIS E FINANCEIROS

Essa parte descreve todos os recursos humanos, materiais e financeiros previstos para serem utilizados nas ações do Projeto Educação Indígena Krahô-Kanela. Destacamos que o quantitativo de tais recursos previstos pode sofrer pequenas variações ao longo da execução das ações, pois acreditamos que à medida que os resultados das primeiras ações forem chegando, conseguiremos o envolvimento de mais recursos humanos, o que, caso ocorra, certamente será favorável para a ampliação também dos recursos materiais e financeiros.

Informamos ainda que o item recursos humanos se refere apenas às pessoas que estarão executando as ações propostas, o que não inclui toda a parcela da comunidade de índios e não-índios que estará sendo atingida pelo presente Projeto. Dessa forma, não há previsão para gastos adicionais com os recursos humanos (como por exemplo com a contratação de prestadores de serviço), pois a maioria dos profissionais que estarão sendo envolvidos já são servidores públicos da Escola ou das entidades e órgãos parceiros que atuam na temática indígena e ambiental.

Assim, os gastos financeiros só serão aplicados na produção e aquisição de recursos materiais que estão detalhadamente descritos a seguir.


5.1 RECURSOS HUMANOS

Os recursos humanos necessários para execução do Projeto de Educação Indígena Krahô-Kanela serão:

- Equipe pedagógica da Escola;
- Equipe administrativa da Escola;
- Representantes da Secretaria Estadual de Educação;
- Lideranças do povo Krahô-Kanela;
- Representantes da FUNAI;
- Representantes do IBAMA;
- Representantes do Instituto Chico Mendes;
- Representantes da UFT;
- Representantes do MPF;
- Representantes do NATURATINS;
- Representantes do CIMI;
- Representantes da CPT;
- Representantes das ABAPA;
- Representantes da Prelazia de Cristalândia;
- Representantes da Igreja Anglicana de Aliança.


5.2 RECURSOS MATERIAIS E FINANCEIROS

Os recursos materiais e financeiros do Projeto de Educação Indígena Krahô-Kanela serão:

- Material didático: papéis variados, lápis de cor, pincel, tinta guache, tinta plática de cores variadas, isopor, cartolina, TNT, cola branca, fita adesiva, tesoura, cola gliter, etc.
- Materiais recicláveis diversos (garrafas, vidro, papel, latinhas, etc.);
- Spray de cores diversas;
- Balões de festa de aniversário;
- Aparelho de Data Show e computador portátil;
- Equipamento de som, com caixas e microfone;
- Aparelho de DVD e televisor tela plana.


6. AVALIAÇÃO E DIVULGAÇÃO

A avaliação do “Projeto de Educação Indígena Krahô-Kanela” irá ocorrer em todas as fases, desde o seu início quando ocorerrão os contatos e a sensibilização dos estudantes índios e não-índios, passando pela avaliação das parcerias estabelecidas, até chegar a execução propriamente dita, que ocorrerá dentro das Escolas, e que conforme esperamos chegará a outros locais de nossa comunidade, principalmente na “Terra Indígena Mata Alagada” e no ambiente familiar dos alunos não-índios e também no dia-a-dia dos funcionários da Escola.

Na fase de implantação será verificada a aceitação do Projeto pelos estudantes índios e não-índios. Quanto às demais metas, serão observadas de forma contínua e após a execução, verificando-se assim o cumprimento dos objetivos e das ações propostas.

Os alunos serão observados durante todo o Projeto de Educação Indígena Krahô-Kanela, através da análise do interesse, participação, realização das atividades, orais, escritas e práticas. Os conteúdos explorados também serão analisados pelos trabalhos e provas aplicadas em sala de aula durante cada bimestre.

Como instrumento de avaliação serão utilizados formulários e relatórios, bem como a escolha, premiação e divulgação dos melhores trabalhos através do boletim informativo e nos veículos de comunicação da cidade (canais de TV, rádios, jornais locais, etc.).

A avaliação do “1º Seminário de Povos Indígenas de Lagoa da Confusão” será realizada seguindo os mesmos princípios da avaliação das ações em sala de aula. Esperamos também contar com a colaboração dos convidados para o Seminário na avaliação do mesmo.

Ao final do segundo semestre, nos meses de novembro e dezembro, faremos a divulgação dos resultados nos veículos de comunicação da cidade e região.



7. CRONOGRAMA DAS AÇÕES

O Projeto de Educação Indígena Krahô-Kanela contará com o seguinte cronograma:

------------------------ Cronograma do Projeto ------------------
Ações  -----------------------Meses-----------------------------
----------------- J -- F -- M- A-- M -- J -- J-- A --S --O --N --D
1ª  --------------X ---------------------------------------------
2ª  --------------X - X  -----------------------------------------
3ª  --------------X - X  -----------------------------------------
4ª  ------------------------X –X-- X --X --X --X --X--X--X -- X-
5ª  -------------------------------------------------- X--X -- X-
6ª  ------------------------X –X-- X --X --X --X --X--X--X -- X-
7ª  ----------------------------------------------------- X -- X-

Descrição das Ações: (1ª) Elaboração do Projeto; (2ª) Estabelecimento de parcerias; (3ª) Sensibilização dos alunos indígenas e não-índios para participarem do Projeto; (4ª) Atividades multidisciplinares com convidados índios vindos da aldeia e não-índios; (5ª) Organização do 1º Seminário de Povos Indígenas de Lagoa da Confusão; (6ª) Avaliação do Projeto; e (7ª) Divulgação dos resultados do Projeto.


8. BIBLIOGRAFIA

ALMEIDA, G.R. 2004. Relatório de Identificação e Delimitação da terra Indígena Krahô-Kanela. FUNAI, Brasília (DF). 45p.

APOLINÁRIO, Juciene Ricarte. 2006. Os Akroá e outros povos indígenas nas fronteiras do sertão: políticas indígena e indigenista no norte da capitania de Goiás, atual Estado do Tocantins, Século XVIII. Goiânia: Kelps. 278 p. ISBN 85-7692-128-6.

CIMI – Conselho Indigenista Missionário. 2001. Outros 500: construindo uma nova história. , São Paulo(SP): Editora Salesiana. 256p.

CIMI – Conselho Indigenista Missionário. 2003. Povos Indígenas Resistentes: Nem ressurgidos, nem emergentes, somos povos resistentes. Jornal Porantim, edição nº 256, jun/jul-2003. Disponível em: http://www.cimi.org.br

FIOREZE, M. & SHOL, M.E. 2001. Religiosidade e Cultura Indígena. Diálogo: Revista de Ensino Religioso. Editora Paulinas, São Paulo (SP). 54-56p.

GALVÃO, M.M. 2001. Projeto Cultural Indígena: relato de experiência. Diálogo: Revista de Ensino Religioso. Editora Paulinas, São Paulo (SP). 58-59p.

HERNANDEZ, E.S.S. 2002. Projeto Ynã. Fundação Bradesco, Escola de Canuanã. Formoso do Araguaia (TO). Versão Atualizada. 11p.

HERNANDEZ, E.S.S. 2003. Projeto Vez e Voz. Fundação Bradesco, Escola de Canuanã. Formoso do Araguaia (TO). Versão Atualizada. 13p.
 
LUCHIN, L. 2004. Povo Krahô-Kanela retoma sua terra tradicional. Porantim, Brasília (DF). Ano XXVI, nº 266: 8-9.

MELO, Neuton Luiz Ramos de. 2000. Educação ambiental: os avanços na Escola de Canuanã. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Pedagogia) - Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas de Gurupi - FAFICH. Gurupi (TO). 18 p.

OLIVEIRA, J.P. 1999 (Org). A viagem de volta: etnicidade, política e reelaboração cultural no Nordeste indígena. Rio de Janeiro (RJ): Contra Capa Livraria.

SALERA JÚNIOR, G.; FRANKLIM, W.G.; Portelinha, T.C.G.; SOUZA, K. T.; Giraldin, O.; MALVASIO, A. Índios Krahô-Kanela: um breve histórico. In: II Seminário de Iniciação Científica da UFT, 2006, Palmas - Estado do Tocantins. v. CD-ROM.

SALERA JUNIOR, G. 2006. Índios Krahô-Kanela: uma história de luta. Jornal Chico, edição n. 13, p. 05, de 01/05/2006. Gurupi – Estado do Tocantins. Disponível em: http://www.recantodasletras.com.br/ensaios/279250

SALERA JUNIOR, G. 2007. Índios urbanos. Jornal Atitude, edição n. 12, p. 02, de 13/09/2007. Gurupi – Estado do Tocantins. Disponível em: http://www.recantodasletras.com.br/ensaios/304241

SALERA JUNIOR, G. 2008. Meio Ambiente do Tocantins: um breve histórico. Gurupi (TO). Disponível em: http://www.usinadaspalavras.com/ler.php?txt_id=74964

SALERA JUNIOR, G. 2008. Projeto de Educação Ambiental na Aldeia. Gurupi (TO). Disponível em: http://www.recantodasletras.com.br/artigos/1226616

SALERA JUNIOR, G. 2008. Projeto de Educação Ambiental na Escola. Gurupi (TO). Disponível em: http://www.recantodasletras.com.br/artigos/1112201

SILVA, E. 2004. Povos indígenas no Nordeste: Contribuição a reflexão histórica sobre o processo de emergência étnica. MNEME – Revista de Humanidades. UFRN – Ceres. Disponível em: http://www.seol.co.br/mneme

 SOUZA, K.T. 2005. Luta pela terra impulsiona movimento indígena em Tocantins. Porantim, Brasília (DF). Ano XXVI, nº 281: 10-11.

TORAL, A.A. 1986. Os caboclos de Dueré – Relatório Técnico. FUNAI, Brasília (DF).



9. AGRADECIMENTOS

Esse Projeto de Educação Indígena Krahô-Kanela se inspira no trabalho da Orientadora Educacional, Elizete Sales S. Hernandez, e do ambientalista e prof. de Educação Ambiental, Lucrécio Filho de Oliveira da Fundação Bradesco, Escola de Canuanã. Não poderia deixar de mencionar também a inspiração proporcionada pelo trabalho da prof.ª Benta Lopes Morais do Colégio Estadual de Lagoa da Confusão.

A realização deste trabalho só foi possível com o apoio recebido da FUNAI, do CIMI, do NATURATINS e da UFT. Agradecemos ainda aos Krahô-Kanela, especialmente ao cacique Mariano, e aos seus irmãos Sebastião, Aldereise e Argemiro.


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Gurupi – TO, Outubro de 2008.

Giovanni Salera Júnior
E-mail: salerajunior@yahoo.com.br

Curriculum Vitae: http://lattes.cnpq.br/9410800331827187

Maiores informações em: http://recantodasletras.com.br/autores/salerajunior
Giovanni Salera Júnior
Enviado por Giovanni Salera Júnior em 24/10/2008
Reeditado em 26/11/2011
Código do texto: T1246149
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Giovanni Salera Júnior
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