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UMA NOTÍCIA PREOCUPANTE

[Publicado a 02/05/2001 e ainda muito atual]

Demorou um pouco, mas parece que a mídia acordou. Anteontem o Jornal Nacional deu e comentou uma notícia há muito preocupante. Pesquisas nos dão conta de que os jovens, atualmente, na escolha de sua profissão, levam em conta em primeiro lugar o mercado de trabalho. A notícia indicava por causa a crise do desemprego. Concordo em parte, pois todos têm que correr atrás dos meios de sobrevivência. Mas acho que os jovens já fazem isso há muito tempo, não por causa apenas da atual crise. E a notícia lembra que a profissão em alta hoje pode não estar em alta amanhã, o que reforça a não preocupação com os fatores mais importantes na escolha do jovem.

Infelizmente, o aspecto vocacional está há muito esquecido, ou desprezado. Prova disso é o que temos visto em quase todos os campos de atuação profissional: pessoas frustradas, com desempenho que deixa muito a desejar, com reações que vão desde comportamentos desequilibrados até aberrações chocantes.

São muitos os fatores que levam os jovens à escolha errada, além da simples sobrevivência. Estamos num mundo desenfreado, onde os apelos são desenfreados e as respostas, idem. O jovem não se preocupa apenas com o fato de ter ou não chance de trabalho, mas se preocupa em ganhar muito dinheiro - rapidamente, de preferência. Antes se preocupava mais com o status, hoje nem isso é o mais importante. A mola mestra é a ambição, na grande maioria dos casos. E isso em todas as classes sociais.

Com a proliferação das Faculdades, nem sempre sérias, legiões de alunos são formados sem a devida preparação para o exercício da profissão escolhida. O desacerto é velho. Lembro-me, quando menina, a família dizendo: "poesia não dá camisa a ninguém"... sem se preocupar em sentir qual a "camisa" eu procurava e perseguia, qual a "camisa" melhor me agasalharia. E como o desacerto é tão antigo, os alunos já são formados por professores dentro de semelhante quadro, incapazes de perceber a escolha errada e a ânsia verdadeira dos educandos sob sua responsabilidade. Isso resulta em grande prejuízo para a sociedade que, certamente, será lesada.

O item mais esquecido é, justamente, o mais importante: a realização pessoal do indivíduo. Ninguém pode se realizar profissionalmente e como pessoa exercendo aquilo que não gosta, com a sensação constante de estar no lugar errado, sem o mínimo pendor para o ofício. E, conforme a área, a sociedade não fica apenas mal servida, mas corre sérios riscos. Na área da saúde especialmente. Quantas vidas se perdem porque se entregam a mãos incompetentes. E como saber escolher se ninguém traz estrela na testa? Quantas vezes vemos maus médicos que poderiam ter sido excelentes sapateiros... e vice-versa...

Está na hora - até já passou da hora – de se abrir na sociedade amplo debate a respeito, para que pais e mestres se conscientizem e possam conscientizar e alertar seus jovens filhos e aprendizes. Que os jovens aprendam a pensar e a discernir. Que tenham senso crítico para que antes de tudo se conheçam e possam optar com melhor margem de segurança. Que sejam estimulados e desenvolvam sadia auto-estima. E essa aprendizagem tem que começar na infância. É na mais tenra infância que se plantam todas as sementes. Somente o amor de todos pode modificar o mundo triste em que vivemos. E talvez possamos ter, no futuro, pessoas mais felizes.

Vejam: "Poesia não dá camisa" - http://66.228.120.252/poesias/125216
Sal
Enviado por Sal em 19/03/2006
Código do texto: T125224
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Sobre a autora
Sal
Marília - São Paulo - Brasil, 78 anos
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