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OS SONHADORES


Uma lição sobre a base para a realização da nossa obra para Deus. A Eleição de Deus para a salvação e a Revelação de Deus para a Obra: Moisés, José, Abrão, Isaac, Jacó, Paulo e nós...
Eternos sonhadores
No cristianismo dos nossos dias existe uma confusão doutrinária com relação à salvação e a sua segurança eterna. Muitos defendem que um crente “pode fazer de tudo” e ainda assim ter assegurada a sua salvação, enquanto outros insistem em que devemos ter cuidado para não perder a salvação e irmos para o inferno.
Sem entrar em detalhes sobre a doutrina da salvação, o que eu gostaria de compartilhar é que o status ou a posição de cristão – me refiro àqueles que tiveram um novo nascimento, uma regeneração, e não os que são apenas evangélicos – está relacionado à sua salvação eterna e isto nada tem a ver com o serviço ou a obra que ela pode realizar dentro do plano de Deus. Para a salvação eterna o que importa é a ELEIÇÃO é o chamamento de Deus através de Sua graça, nada mais. Entretanto, quando se trata da obra que alguém vai realizar para Deus o que está em jogo não é a ELEIÇÃO, mas sim a REVELAÇÃO, o SONHO, ou ainda podemos dizer o aparecimento de Deus para o eleito.
Vamos explicar com detalhes estes pontos:
Tomando Moisés como exemplo, vemos que ele foi escolhido por Deus, ELEITO para realizar uma obra de libertação do Seu povo. Esta era a sua posição e estava relacionada à sua salvação ou santificação para a referida obra. Podemos dizer então que Moisés foi ELEITO e esta eleição ocorreu quando Moisés nada sabia sobre o seu Deus. Todavia, quando Moisés foi realizar a obra de libertação do povo no Egito, com certeza instruído e devidamente orientado por sua mãe na infância, tomou como base para tal obra a posição que tinha desde o nascimento, ou seja, a sua ELEIÇÃO. Quando Moisés saiu para realizar a obra para Deus foi um desastre. Todos sabem o resultado: o povo o rejeitou e ele, frustrado e perseguido, fugiu para o deserto.
Realizar a obra de Deus baseado no fato de que somos eleitos por Ele, salvos, etc., sempre resulta em frustração.
Para que Moisés saísse para a obra que Deus lhe havia preparado, ele não deveria  tomar como base a sua posição de eleito, mas, pelo contrário, teria que receber uma revelação, uma visão, ou um sonho especial. Esta revelação, visão, sonho ou qualquer outro nome que queiramos colocar, seria o que lhe daria a força, que o capacitaria a realizar a obra sem se importar com as condições exteriores ou as conseqüências que viriam. Quando foi então que Moisés foi capacitado para a obra? Somente depois da visão da sarça ardente, quanto se encontrou com Deus, foi que se tornou capacitado para realizar a obra.
O exemplo de José também é muito significativo. José tinha a posição para realizar a obra de Deus. Ele era semelhante a todos nós, os genuinamente cristãos; A todos nós por nascimento (o novo nascimento), nos foi dado o direito, o privilégio, a autoridade de realizar a obra de Deus, de servi-Lo. Entretanto, para realizar a obra que lhe havia sido confiada, José necessitou não apenas da posição que ele tinha por herança (a sua eleição), mas sim de um SONHO, uma revelação. O que norteou a obra de José não foi a sua posição, e sim os seus sonhos. Abrão, Jacó, Paulo, e tantos outros servos de Deus tiveram a mesma experiência. Primeiro a ELEIÇÃO, depois a REVELAÇÃO, o SONHO.
O queremos dizer é que a nossa eleição não é escolha nossa, não depende de quem quer ou de quem corre (Rm. 8), é uma questão da escolha de Deus, mas o nosso trabalho na obra tem tudo a ver com nossos sonhos que vêem com o aparecimento de Deus em determinadas épocas de nossas vidas.
Falando um pouco sobre nossos sonhos, observemos a vida de José e encontraremos nela alguns fatos que talvez nos servem de ajuda para utilizarmos como princípios:
1. Devemos ter cuidado ao contar nossos sonhos às pessoas carnais (especialmente àqueles que apesar de serem nossos irmãos na fé, ainda são carnais). Nossos sonhos podem causar muita inveja aos outros e muito sofrimento a nós mesmos. José pagou um alto preço por contar seus sonhos a pessoas inadequadas. Creio que melhor que contar nossos sonhos é praticá-los. Qualquer luz que recebemos de Deus pode representar uma ameaça aos carnais. Eles podem pensar que com isso estamos presumindo que somos superiores a eles; foi assim com José e também poderá ser conosco. Os carnais são aqueles que não sonham. Eles não têm sonhos, luz, direção de uma obra a realizar para o Senhor. São aqueles que se conformam em figurar nas reuniões cristãs apenas como ouvintes e nunca sentem a necessidade de servir através de uma direção pessoal de Deus. Quando servem, o fazem porque outros determinaram o que deveriam fazer. Cristãos que não sonham, muitas vezes vivem em si mesmos e, se não forem humildes, sentirão inveja dos que sonham. A vida dos “sonhadores’ é muito misteriosa e instável aos olhos humanos. Veja o caso de Abrão: todos seus contemporâneos estavam vivendo aparentemente bem em Ur da Caldéia. Ali havia estabilidade, todos pensavam da mesma maneira até o dia no qual um deles teve um sonho e “saiu sem destino e sem mapa“, para uma terra que não sabia sequer se existia. Ao chegar naquela terra distante teve fome e foi ao Egito. Ali chegando falou uma meia verdade meia mentira e, em seguida “emprestou” sua mulher a outro homem com a finalidade de livrar sua própria pele. Depois de um tempo, regressou daquela terra rico; então, separou-se de seu sobrinho sócio Ló e fez pacto com reis mundanos das terras vizinhas> Posteriormente, fez guerra para defender seu sócio desertor. Ao ganhar a guerra pagou dízimo a um desconhecido (Melquisedeque), etc. Que vida mais complicada aquela. Acredito que sua vida daria motivo para muitas fofocas. Caso a vida de Abraão fosse vivida hoje, a Caldéia ferveria de fofocas. Através de cartas, telefonemas, e-mails, orkut etc., muitos criticariam a saída daquele sonhador e o seu destino tortuoso.
2. O segundo aspecto importante quando você tiver um sonho é que a esposa do seu amo, a sua carne, lhe tentará muito. Isso é verdade, principalmente, quando você estiver a caminho de cumprir o que sonhou, que com certeza é o propósito de Deus na sua vida. Esta esposa, representada pela esposa de Potifar (este sendo aqui um tipo de Satanás) é nossa carne. Talvez por rejeitarmos a cobiça de nossa carne e a satisfação dos seus desejos malignos, vamos ter que ser presos e difamados diante de alguns como o foi José. Deus, entretanto, utilizará todos os problemas surgidos para levar o sonhador a cumprir o que Ele deseja.
3. Aqueles que verdadeiramente recebem a revelação de Deus para realizar uma obra, mesmo em situações tão adversas como era o caso de José na prisão, não se preocupam com suas próprias vidas. Ainda estando preso, José se preocupava apenas com os colegas de cela. Leia Gênesis 40: 4-7 e ficará impressionado com o coração do sonhador.
4. Mas não pense que o sonhador é um super-herói. Quando estivermos em sofrimento, muitas vezes nossas debilidades virão à tona. Nesses momentos tentaremos ajuda de homens e confiaremos na carne mortal. Em Gênesis 40:14 as debilidades de José foram expostas, contudo, tais tentativas foram em vão, pois quando a obra é de Deus carne e sangue não têm participação. Assim, nestas circunstâncias, os homens nos negarão os seus favores. Graças a Deus por isso.
5. O quinto aspecto que vemos na experiência de José é que não devemos pensar que os sofrimentos causados pelo fato de sonharmos passarão rapidamente. As situações difíceis nas quais nos meteremos (as prisões, no caso de José) demoram muitas vezes anos, até que o autor da obra ache que já estamos prontos para sair.
6. Por último, o que temos que aprender de José é que o SONHO SEMPRE SE CUMPRIRÁ. Não importa o tempo que tarde, não importam as circunstâncias, se o sonho veio de Deus, se cumprirá. Deus sabe o tempo que necessita para isto, Ele sabe o tempo de execução do sonho. Às vezes pensamos que nada está acontecendo, que sonhamos em vão, que estamos presos e Deus nem se lembra do que nos revelou um dia. Entretanto, não devemos esquecer que o tempo de Deus não é o tempo do homem. Ele está trabalhando nas circunstâncias, em você, nas pessoas, etc., e no devido tempo, Ele virá para concretizar aquilo que nos revelou um dia. Não esqueçamos que foi assim com todos os servos de Deus e não será diferente conosco.

Uma advertência: Existem sonhos e sonhos. Algumas vezes Deus mesmo nos vem revelar coisas e outras vezes o nosso coração cria sonhos. Não devemos confundir a revelação de Deus para nós com os nossos próprios sonhos. Tomemos Davi como exemplo: o sonho de Davi para construir uma casa para Deus não foi concretizado durante sua vida. Cremos que existiram pelo menos três razões para isto: 1) O sonho de construir uma casa, um templo para Deus não foi revelação de Deus, foi uma “boa idéia” do coração de Davi. Na Bíblia falta base para dizermos que Deus desejou algum dia uma casa fixa e feita por mão de homens. Ele revelou para Moisés a construção de um Tabernáculo móvel, que era um tipo de Cristo. Isso era bem diferente. O próprio Cristo não parecia ser muito admirador do templo. 2). Os nossos pecados podem retrasar o tempo de cumprimento do nosso sonho (veja que estou falando do NOSSO sonho). Davi nunca viu realizado o que sonhou; Salomão, seu filho, foi quem o concretizou. 3). Nunca pensemos que a benção de Deus é sinônimo de Sua aprovação. A benção dele veio sobre o templo, mas isso não significa a Sua aprovação. Igualmente, Ele abençoou a Ismael grandemente, também o fez com Salomão, todavia Ele jamais aprovou a atitude de Abraão ao gerar Ismael (um problema até hoje para Isaque) nem as atitudes carnais de Salomão.
Devemos, portanto, buscar a presença do Senhor e esperar que Ele nos faça sonhar o SEU sonho, aquela revelação que Ele quer que executemos. Desejar ardentemente servi-lo abre a porta do nosso coração para receber Sua luz e direção para a obra que Ele tem preparado para cada um dos seus filhos. Que Ele nos faça sonhar a todos nós.


djalma marques
Enviado por djalma marques em 30/03/2006
Código do texto: T130953
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Sobre o autor
djalma marques
Recife - Pernambuco - Brasil
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