USURPADORES CULTURAIS.

Todos sabem da magnitude multicultural do Brasil. Somos mundialmente conhecidos por essa diversidade étnica, cultural e religiosa. Os valores da nossa cultura popular estão presentes nas mais diversas manifestações, nos quatro cantos do território brasileiro. O que não se pode conceber nesse universo plural é que artistas envolvidos com tais manifestações, apenas o façam tendo como meta, seus próprios e obscuros interesses.

Como exemplo linear desse imbróglio, gostaria de ater-me aos gastos públicos, no que tange aos vários “Projetos” que tem como pano de fundo a Guerra de Canudos. Desde já, é bom que se diga que, ao longo do século XX, muitas preciosas contribuições foram dadas por pessoas das mais variadas vertentes histórico-ideológicos, a exemplo do saudoso professor Edvaldo Calazans dentre outros.

Milhões e milhões de reais tem sido gasto nas últimas décadas em “projetos” oriundos de “historiadores, intelectuais, pesquisadores e afins”, que com o dinheiro do contribuinte, repassa á sociedade todas as suas verves acadêmicas sem, contudo, criar condições específicas de melhorias na condição de vida das comunidades que integram a geografia histórica do conflito.

Quando trazemos á luz da razão tais “Projetos”, nota-se que eles têm em seu bojo, apenas recompensas para um circulo de incompetentes travestidos de estudiosos que, só se sobressaem sob as asas da indústria cultural estatal, repleta de parasitas mambembes, advindos de suas receptivas facções partidários.

São três os temas explorados extenuantemente por esses exploradores do erário público: O autor Euclides da Cunha, sua obra Os Sertões e a guerra de Canudos em si. O grande escritor deve estar tremendo em seu túmulo ao ver sua obra vilipendiada por esses carniceiros de autores mortos, abutres da genialidade alheia, vermes a corroerem toda amplitude realmente histórica dessa saga sertaneja.

Vocês conhecem a estrada que leva a Cidade de Canudos??? Você conhece a estrutura do parque estadual de Canudos: Não há água potável, banheiro ou qualquer outro conforto que leve os turistas e a própria comunidade local a visitarem os sítios arqueológicos. Não há em Canudos um “projeto” social que tenha provido a comunidade local ao menos de uma leira de coentro.

Todos os anos acontecem às mesmas cenas: discursos, discursos, discursos... em meio a lançamentos de “Livros, documentários, filmes, cartilhas” dentre outros desperdícios. Qual o impacto direto que esses “Projetos” têm na comunidade e na cultura nacional como um todo??? Mas para dissertações, mestrados, doutorados, lançamentos editorias, festivais variados, que tem sempre as mesmas sanguessugas como patrocinados e o estado como patrocinador desses eventos, os temas acima supracitados tornaram-se o Éden para esses aventureiros dos meandros das verbas públicas.

O engraçado é que esses doutos senhores (as), só conseguem aparecer no cenário cultural, quando fazem parte de um ínfimo, mas poderoso circulo de amigos, ligados ás pessoas que têm dentre suas funções, analisar e aprovar tais “Projetos”. O triste nessa estória toda é que, os verdadeiros protagonistas da cultura popular, artistas inatos que fazem verdadeiramente as coisas acontecerem, têm apenas um papel secundário nisso tudo, cobaias que são dessa minoria formada pelo que há de pior na elite intelectual de nosso estado.

As coisas discutidas nesses eventos deveriam, na realidade, serem ensinadas na rede pública, em aulas de história do Brasil. É inadmissível que alunos recém saídos do ensino médio nada saibam sobre um dos episódios mais marcantes da história nacional: A fratricida guerra de canudos e seus desdobramentos políticos, religiosos e sociais ocorridos em todo território nacional.

É chegado o momento de alguém denunciar esses estapafúrdios e natimortos “Projetos”, a sociedade sertaneja não pode mais ser usada como massa de manobra dessa intelectualidade mórbida e ávida por reconhecimento pessoal e profissional. Que eles demonstrem suas virtudes através de suas competências e não por apadrinhamentos e conchavos com as instituições que liberam essas verbas. Nossas verbas, pois somos nós que pagamos por isso.

Sabemos que dentre ás pessoas envolvidas no estudo desse épico episódio nordestino, há gente séria, que só fazem engrandecer nossa história. O problema é que a Guerra de Canudos, o escritor Euclides da Cunha e sua obra Os Sertões, estão inseridos em um contexto onde, germina muito pouco trigo em meio a muito, muito joio...

LEILSON LEÃO

Leilson Leão
Enviado por Leilson Leão em 03/12/2008
Reeditado em 24/07/2009
Código do texto: T1317391
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