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FORÇA DE EXPRESSÃO

        Tudo que se justificativa explica-se de maneira simples - não precisa complicar. A humildade é a mãe das virtudes e a arrogância raiz de todos os males.

Uma comunidade, um estado, uma nação. Um povo unido, infalivelmente, pela força tradicional de uma cultura. Cultura que liberta ou escraviza. Cultura que amansa ou transforma homens em feras; que ocupa-os com as coisas do espírito ou da ciência.
       
        No último milênio o oriental voltou-se de corpo e alma, e nem poderia ser diferente, para o primeiro; o ocidental dedicou-se ao segundo. A tecnologia avançou tanto que caminha, possivelmente, para a auto-destruição.

  Hoje vemos, horrorizados, um ato de terrorismo de proporções inimagináveis paralisando nossa capacidade natural de discernimento entre o certo e o errado no confronto de culturas tão diferentes e valores opostos.

        Se nada justifica ação tão extremada e destrutiva, que certamente trará  conseqüências cármicas aos agentes, deve haver, porém, explicação para o fato. Ou nada, no mundo, faria sentido.

        Ação gera reação; portanto, tudo é retorno. Encoste a fera no barranco e ela te ataca. A desigualdade social faz isso com o homem: transforma-o em fera e encosta-o no paredão.

Os Estados Unidos vivem momentos delicados de decisão. Ataca o inimigo invisível com sua tecnologia de ponta para destruir a matéria e a cultura de um povo ou investe sutilmente suas reservas financeiras disponíveis para matar a fome e conquistar o espírito de quem não teme a morte e vê nela apenas um forma de libertação e promessa de glorificação?

Gandhi libertou a Índia sem o uso da força tradicional de confronto; Hitler aterrorizou o mundo e humilhou sua nação com o uso prepotente da força bélica disponível. Quem foi mais sábio?

Independente dos motivos que geram a discórdia, existe a opção da tolerância, da interpretação positiva do que se recebe ou deixa de se receber, da capacidade de perdoar uma ofensa ou da possibilidade de não se sentir ofendido. Ou, pior, a falta de tudo isso. Pois não há meia ofensa, nem limite de bom-senso ao ofendido.

        Quem ataca é motivado geralmente por algum ponto de honra e o atacado defende o que lhe resta. Nada que se possa considerar motivo de orgulho.

        Até os heróis são ocasionais e não passam, às vezes, de coincidências circunstanciais e de personagens criados pela fantasia de um povo carente de algo massageando-lhe o ego.

A atitude de um homem pode abalar uma nação ou afetar o mundo. Depende do seu poder e da capacidade de administrar momentos de crise. E a postura nos momentos de paz balizam a tendência natural reservada para os momentos de conflitos inevitáveis.

Por isso, quando a autoridade máxima de um município diz que os vereadores elaboraram  requerimento com conhecimento prévio da resposta e não houve estudo para adoção das cores que simbolizam apenas uma campanha vitoriosa, tudo bem, é verdade incontestável. Mas dispensa exteriorização de orgulho próprio ferido.

        Por que se ofender com algo tão banal? 55% é uma boa votação e reflete, realmente, o resultado de uma campanha vitoriosa, quanto aos votos nominais; mas é apenas isso e está mais para 1/2 que 2/3 e isso, na verdade, nem é o mais importante.

        Número é um símbolo relativo e sua interpretação depende do ângulo de quem o vê e do significado que lhe  é atribuído. Aliás, representa 44% dos eleitores, se interpretarmos o ofício ao pé da letra.

        Assim, preocuparia aos que contribuíram para a obtenção desta marca, a maneira eufórica e ditatorial como as coisas se encaminham.

        Quem participa da mesma procissão sabe que é preciso cuidado com o andor, porque o santo é de barro e, se houver bajuladores de plantão, dispostos a minar as bases na própria trincheira, provavelmente já começam a ganhar espaço e fazer tráfico de influência.

Os vereadores foram eleitos por apenas 1/3 dos eleitores mas representam, também, toda a comunidade. Pode haver minoria insatisfeita, mas não existe minoria insignificante.

        E quem é eleito para ser prefeito de toda a população não deveria fazer um discurso e praticar o contrário, contradizendo-se no próprio parágrafo. O bambu curva-se ao sabor da ventania, seja esta forte ou fraca, porque a natureza é sábia...

Ninguém é perfeito e nem todos são bem intencionados, mas todos, a princípio, são inocentes... até prova contrária! Quem procura, acha; por que, então, procurar chifre na cabeça de cavalo?

        É preciso entender, de uma vez por todas, o verdadeiro espírito da coisa... Mais importante que realizar um sonho pessoal é dar sentido duradouro ao que ele representa.

O Poder é temporal e o dinheiro a traça consome. “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo.” É uma máxima que, se praticada, dispensa cuidados. O resto é invenção do homem para atenuar ou agravar o processo de stress e desequilíbrio da mente humana, porque “a sabedoria do homem é loucura diante de Deus”.

De resto, se os Estados Unidos soltassem uma bomba no povo afegão poderia talvez, depois, enviar um ofício às autoridades “renovando os protestos da mais alta estima e consideração.”

        Não estaria na hora de atualizar padrões convencionais de comunicação de forma menos hipócrita e friamente padronizada, repetitiva e vazia de fundamento? Pequenas mudanças, básicas e estruturais, podem renovar a cultura de um povo e compatibilizar com a realidade contemporânea.

Cultura inútil e hipocrisia enche a paciência da gente, mas não barriga vazia...

Ideal é ser prático, objetivo e transparente, para o “povo feliz” dormir contente.

Com rima ou sem ela, mas com força literal de expressão!
Lourenço Oliveira
Enviado por Lourenço Oliveira em 04/04/2006
Código do texto: T133390
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Sobre o autor
Lourenço Oliveira
Salesópolis - São Paulo - Brasil
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Lourenço Oliveira