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Contradições de uma religião

Ontem participei de um curso de batizado; nada demais, prática comum na igreja católica, onde padrinhos e pais são convidados ou melhor convocados para participar de um curso, é assim que eles chamam, um curso de batizado.
Se faço um curso de batizado, o mínimo que eu espero é aprender a fazer um batizado, mas isso não acontece, o que acontece é uma tentativa da igreja católica em dar ao seu sacramento uma aura de seriedade e compromisso, mas o que se vê é um amontoado de informações passadas da maneira errada e de forma estranha.
O curso que participei foi numa das comunidades mais pobres de Goiânia, o Jardim Curitiba, nessa comunidade, carente de praticamente tudo, vi um dos exemplos de fé e perseverança mais significativos que já presenciei.
Ali sentado numa igreja pobre, mas limpa e bem cuidada, não pude deixar de me lembrar dos cardeais em suas vestes púrpuras, e todo o luxo que se vê no vaticano.
A associação foi imediata, naquele momento, aquelas pessoas de muita simplicidade e muito amor me remeteram ao vaticano e toda sua ostentação, e pensei em como essa igreja precisa mudar.
Lá pelo meio do curso uma das bravas dirigentes fez uma observação que me chamou a atenção, ela disse que os católicos são muito “relaxados”, quando católicos, mal freqüentam a igreja aos domingos, e se, se transformam em evangélicos, passam a freqüentar a igreja diariamente, em seguida ela passa a relatar que naquela comunidade não havia padre, pois não existem padres em número suficiente na cidade, então, havia um único padre que atendia cinco comunidades, por conta disso ele nem vinha todos os domingos, pois é  muito ocupado.
Não quero nem de longe criticar o modelo organizacional da igreja católica, nem mesmo cobrar nenhum tipo de explicação, mas apenas alertar para um fato que me parece extremamente claro, a igreja católica com suas tradições, seus cardeais de vestes púrpuras e todo o seu aparato, vêm perdendo espaço para as igrejas evangélicas,  por um motivo extremamente simples, e para entendê-lo vou dar dois exemplos:
1. Chegue numa igreja católica qualquer dia da semana, a qualquer hora e tente falar com o padre, se der a sorte de acha-lo, com certeza irá ouvir uma secretária repetir a frase “tem de marcar hora”. Num momento de angústia, tente encontrar um padre para conversar, tente procurar uma igreja católica aberta para rezar, garanto que terá dificuldades; mas chegue numa igreja evangélica, achará as portas escancaradas, e pastores de plantão que vão ouvi-lo, alguns destes pastores nada farão além de jogar a culpa em algum “espírito do mal”  e orar com você, mas ele vai estar lá e vai conversar com você, naquele momento isso vale muito.
2. Quando precisar de um padre, seja para um casamento, ou funeral de um ente querido, tente achar um; procure nas igrejas e tente encontrar um, só um, padre disposto a te acompanhar na casa daquela pessoa doente que chora copiosamente, ou mesmo para ir ao cemitério dar uma última benção, garanto que não será fácil; nossos sacerdotes estarão ocupados e “sem marcar hora” é quase impossível encontrar um padre, e mesmo com “hora marcada” não será tão fácil assim, uma vez tentei em 6 (seis) igrejas arrumar um padre para celebrar uma missa de formatura, tentei arrumar com três meses de antecedência, e tive que percorrer seis igrejas até encontrar um padre que poderia me atender daí a três meses., quando fui arrumar o pastor para a mesma formatura, me custou um único telefonema, e o pastor, que me atendeu pessoalmente, ainda me perguntou se poderia levar parte do coral da igreja, pois aí ficaria um culto bonito e solene como a ocasião exigia.
Ora, não é difícil entender porque as igrejas evangélicas crescem tanto, elas simplesmente estão lá, estão abertas e os pastores estão sempre dispostos a ouvir, é só isso; em que pese o fato de que um padre demora sei lá quantos anos para ser formado e os pastores quase sempre possuem cursos rápidos, mas eles sabem ouvir, talvez até não tenham a formação filosófica  e teológica de um padre, mas em compensação também não possuem e empáfia e distância que costumam caracterizar um sacerdote católico.
E o que acho mais grave, ande pelas igrejas católicas de bairros nobres da capital e perguntem se eles têm um padre, a maioria tem uma equipe de padres, já na periferia o padre aparece de vez em quando, quando vai, porque será?
Sou católico e se faço essas críticas é só por conta disso, por não concordar com essas coisas, vi neste curso de batizado uma coisa que ainda não vi em nenhum padre, uma enorme fé e disposição para ajudar, aquelas pessoas me deram uma lição, me ensinaram que a fé é muito maior que a igreja e suas contradições, mas também percebi uma enorme carência, a carência de um padre, alguém que possa orientar e possa ditar as normas, a carência que se vê em um filho sem pai, abandonado à própria sorte.
Ainda que sem nenhum método e mesmo com pouco conteúdo, esse foi o melhor curso que participei numa igreja, aprendi o que é fé, o que é amor a Deus e aprendi sobretudo que mesmo maltratados e abandonados os verdadeiros cristãos resistem e evangelizam, enquanto os cardeais se reúnem na capela sistina, de valor incalculável, e posam para fotos em suas vistosas vestes púrpuras.
Cristiano Leão
Enviado por Cristiano Leão em 29/04/2005
Código do texto: T13766
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Sobre o autor
Cristiano Leão
Goiânia - Goiás - Brasil, 45 anos
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