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REFORMA ORTOGRÁFICA – DICAS FÁCEIS:

ALFABETO

- Nova regra
O alfabeto é agora formado por 26 letras.

- Como era
O K, o W e o Y não eram consideradas letras do nosso alfabeto.

- Como fica
Essas letras serão usadas em siglas, símbolos, nomes próprios, palavras estrangeiras  e seus derivados: kg, watt, megabyte, taylorista.

TREMA

- Nova Regra
Não existe mais o trema, a não ser em casos de nomes próprios e seus derivados:
Bündchen, Müller, mülleriano.

- Como era
agüentar, argüição, bilíngüe, cinqüenta, conseqüência, delinqüir, eloqüência, freqüência, freqüente, lingüiça , lingüista, pingüim, qüinqüênio, tranqüilo

- Como fica
aguentar, arguição, bilíngue, cinquenta, consequência, delinquir, eloquência, frequência, frequente, linguiça, linguista, pinguim, quinquênio, tranquilo

Obs.:
Como a reforma só modifica a comunicação escrita (e não a falada), cabe a cada um de nós saber quando não pronunciar o “u” (exemplos: foguete, guitarra, queijo) e quando pronunciá-lo (veja exemplos acima), pois não cabe mais o uso do trema para diferenciá-los.

ACENTUAÇÃO

- Nova Regra
Os ditongos abertos “ei” e “oi” não são mais acentuados em palavras paroxítonas (palavras que têm acento tônico na penúltima sílaba).

- Como era
assembléia, bóia, colméia, geléia, idéia, platéia, boléia, panacéia, hebréia, paranóia, jibóia, heróico, paranóico.

- Como fica
assembleia, boia, colmeia, geleia, ideia, plateia, boleia, panaceia, hebreia, paranoia, jiboia, heroico, paranoico.

Obs.:
Nas palavras oxítonas e monossilábicas o acento continua para os ditongos abertos “ei” e “oi”. (assim como “eu”): anéis, papéis, constrói, herói, dói, rói, céu, chapéu.

- Nova Regra
Nas palavras paroxítonas, não se usa mais o acento no “i” e no “u” tônicos quando
vierem depois de um ditongo.
- Como era
baiúca, bocaiúva, cauíla, feiúra.

- Como fica
baiuca, bocaiuva, cauila, feiura.

Obs:
Se a palavra for oxítona e o “i” ou o “u” estiverem em posição final (seguidos ou não de s), o acento permanece: tuiuiú, tuiuiús, Piauí.

- Nova Regra
Não existe mais o acento diferencial em palavras homógrafas (as que possuem a mesma escrita e pronúncia).

- Como era
pára (verbo), péla (substantivo e verbo), pêlo (substantivo), pêra (fruta), pólo (substantivo), côa (verbo coar)

- Como fica
para (verbo), pela (substantivo e verbo), pelo (substantivo), pera (fruta), polo (substantivo), coa (verbo coar).

Obs.1:
O acento diferencial ainda permanece no verbo “pôr” (para diferenciar da preposição “por”) e na forma verbal “pôde” (3ª pessoa do Pretérito Perfeito do Indicativo do verbo poder) para diferenciar de “pode” (Presente do Indicativo do mesmo verbo).

Obs.2:
Permanecem os acentos que diferenciam o singular do plural dos verbos “ter” e “vir”, assim como de seus derivados. ele tem / eles têm; ela vem / elas vêm; você retém / vocês retêm.

Obs.3:
É facultativo o uso do acento circunflexo na forma verbal “dêmos” (presente do subjuntivo) para diferenciar de “demos” (pretérito perfeito do indicativo), assim como é facultativo para diferenciar as palavras forma/fôrma: Em muitos casos convém usar: Qual é a forma da fôrma do bolo?

- Nova Regra
Não se acentua mais a letra “u” nas formas verbais gue, que, gui, qui.

-Como era
argúi, apazigúe, averigúe, enxagúe, obliqúe.

- Como fica
argui, apazigue,averigue, enxague, oblique.

- Nova Regra
Os hiatos “oo” e “ee” não são mais acentuados.

-Como era
abençôo, enjôo, perdôo, vôo, corôo, côo, môo, povôo, lêem, dêem, crêem, vêem, descrêem, relêem, revêem.

- Como fica
abençoo, enjoo, perdoo, voo, coroo, coo, moo, povoo, leem, deem, creem, veem, descreem, releem, reveem.

- Nova Regra
É facultativo assinalar com acento agudo as formas verbais de pretérito perfeito do indicativo, na primeira pessoa do plural (nós), para as distinguir das correspondentes formas do presente do indicativo.

-Como era
Nós amamos, louvamos, falamos, dizemos, guerreamos (pretérito perfeito do indicativo).

- Como fica
Nós amamos/amámos, louvamos/louvámos, falamos/falámos, dizemos/dizémos, guerreamos/guerreámos (pretérito perfeito do indicativo)

Atenção:
Continue não acentuando demos (pretérito perfeito do verbo dar).

- Nova Regra
Levam acento agudo ou circunflexo as palavras proparoxítonas cujas vogais tônicas estão em final de sílaba e são seguidas das consoantes nasais “m” ou “n”.

-Como era
acadêmico, anatômico, cênico, cômodo, econômico, fenômeno, gênero, topônimo, tônico.

- Como fica
académico/acadêmico, anatómico/anatômico, cénico/cênico, cómodo/cômodo, económico/econômico, fenómeno/fenômeno, género/gênero, topónimo/topônimo, tónico/tônico.

- Nova Regra
Da mesma forma, recebem o acento agudo ou circunflexo as palavras paroxítonas terminadas em ditongo quando as vogais tônicas são seguidas das consoantes nasais “m” ou “n”.

-Como era
Amazônia, Antônio, blasfêmia, fêmea, gêmeo, gênio, tênue, patrimônio, matrimônio.

- Como fica
Amazónia/Amazônia, António/Antônio, blasfémia/blasfêmia, fémea/fêmea,gémeo/gêmeo, génio/gênio, ténue/tênue, património/patrimônio, matrimónio/matrimônio.

Obs.:
Para os dois últimos casos, o que ocorrerá, na prática, é o uso do acento circunflexo pelos brasileiros, e do agudo pelos lusitanos, como ocorria antes do Acordo.

HIFENIZAÇÃO

- Nova Regra
HIFEN – RR e SS:
O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixo terminado em vogal + palavra iniciada por “r” ou “s”, sendo que essas letras devem ser dobradas.

- Como era
ante-sala, ante-sacristia, auto-retrato, anti-social, anti-rugas, arqui-romântico, arqui-rivalidae, auto-regulamentação, auto-sugestão, contra-senso, contra-regra, contra-senha, extra-regimento, extra-sístole, extra-seco, infra-som, ultra-sonografia, semi-real, semi-sintético, supra-renal.

- Como fica
antessala, antessacristia, autorretrato, antissocial, antirrugas, arquirromântico, arquirrivalidade, autorregulamentação, contrassenha, extrarregimento, extrassístole, extrasseco, infrassom, inrarrenal, ultrarromântico, ultrassonografia, suprarrenal

Obs:
Nos prefixos sub, hiper, inter e super, permanece o hífen se a palavra seguinte for iniciada por “h” ou “r”: sub-hepático, hiper-realista, hiper-requintado, hiper-requisitado, inter-racial, inter-regional, inter-relação, super-racional, super-realista, hiper-história, super-homem, inter-hospitalar.

- Nova Regra
HIFEN – MESMA VOGAL: Agora se utiliza hífen quando a palavra é formada por um
prefixo terminado em vogal + palavra iniciada pela mesma vogal.

-Como era
microondas, microônibus, antiibérico, antiinflamatório, antiinflacionário, antiimperialista,
arquiinimigo, microorgânico.

- Como fica
micro-ondas, micro-ônibus, anti-ibérico, anti-inflamatório, anti-inflacionário, antiimperialista, arqui-inimigo, microorgânico.

Obs:
A exceção é o prefixo “co”, que permanece sem hífen: cooperação, coobrigar, coordenar.


- Nova Regra
HIFEN – VOGAL DIFERENTE: Não se utiliza mais o hífen em palavras formadas por um prefixo terminado em vogal + palavra iniciada por outra vogal.

- Como era
auto-afirmação, auto-ajuda, autoaprendizagem, auto-escola, autoestrada, auto-instrução, contraexemplo, contra-indicação, contra-ordem, extra-escolar, extra-oficial, infra-estrutura, intraocular, intra-uterino, neoexpressionista, neo-imperialista, semi-aberto, semi-árido, semiautomático, semi-embriagado, semi-obscuridade, supra-ocular,
ultra-elevado.

- Como fica
autoafirmação, autoajuda, autoaprendizabem, autoescola, autoestrada, autoinstrução,
contraexemplo, contraindicação, contraordem, extraescolar, extraoficial, infraestrutura, intraocular, intrauterino, neoexpressionista, neoimperialista, semiaberto, semiautomático, semiárido, semiembriagado, semiobscuridade, supraocular, ultraelevado.

Obs:
Esta regra não se encaixa quando a palavra seguinte iniciar por “h”: anti-herói, anti-higiênico, extrahumano, semi-herbáceo etc.

- Nova Regra
Não se usa mais hífen em compostos que, pelo uso, perdeu-se a noção de composição.

- Como era
manda-chuva, pára-quedas, páraquedista, pára-lama, pára-brisa, pára-choque.

- Como fica
mandachuva, paraquedas, paraquedista, paralama, parabrisa, pára-choque.

Obs:
O uso do hífen permanece em palavras compostas que não contêm elemento de ligação e constituem unidade sintagmática e semântica, bem como naquelas que designam espécies botânicas e zoológicas: beija-flor, couve-flor, erva-doce, ano-luz, azul-escuro, médico-cirurgião, conta-gotas, guarda-chuva, segunda-feira, tenente-coronel, mal-me-quer, bem-te-vi etc.

OBSERVAÇÕE S GERAI S SOBRE O HÍFEN

- O uso do hífen permanece
Em palavras formadas com prefixos “pré”, “pró”, “pós” (quando acentuadas graficamente), “ex” (no sentido de “já foi”), “vice”, “soto”, “sota”, “além”, “aquém”, “recém” e “sem”.

- Exemplos
pré-natal, pró-europeu, pós-graduação, ex-presidente, vice-prefeito, soto-mestre, além-mar, aquém-oceano, recém-nascido, sem-teto.

- O uso do hífen permanece
Em palavras formadas por “circum” e “pan” + palavras iniciadas em VOGAL, H, M ou N.

- Exemplos
pan-americano, circum-navegação, circum-murado, circum-hospitalar.

- O uso do hífen permanece
Com os sufixos de origem tupi-guarani “açu", “guaçu” e “mirim”, que representam formas adjetivas.

- Exemplos
amoré-guaçu, anajá-mirim, capim-açu.

ATENÇÃO: Ainda há casos controversos não citados no Acordo que dependerão de orientação da Academia Brasileira de Letras (ABL): Sub-bibliotecário ou subibliotecário? Coabitar ou co-habitar?...

O QUE REPRE S ENTAM AS MUDANÇAS NA LÍNGUA PORTUGUE SA

1) SIMPLIFICAÇÃO E UNIFICAÇÃO:
As novas regras representam uniformidade de uso na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP): Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Timor Leste (total de oito países).

2) VANTAGEM ECONÔMICA (ou ECONÓMICA):
Um livro escrito em um desses países lusófonos pode ser comercializado em outro sem necessidade de revisão e reimpressão. Também facilita a redação de documentos oficiais entre esses países.

3) VANTAGEM POLÍTICA:
Com a implantação do Acordo, espera-se que a língua portuguesa seja reconhecida pela ONU (Organização das Nações Unidas) como uma língua de padrão internacional, pois entre as línguas mais faladas no mundo, a portuguesa é a única que não é unificada. A Língua Portuguesa é considerada a quinta língua mais utilizada no planeta (240 milhões de pessoas, das quais 190 milhões são brasileiras).

4) LINGUAGEM FALADA x LINGUAGEM ESCRITA:
O Acordo é meramente ortográfico e, portanto, não afeta a língua falada.

5) PALAVRAS ALCANÇADAS PELA REFORMA:
Estima-se que a reforma afete entre 0,5 a 2% das palavras da língua portuguesa. A mudança em Portugal será maior, pois no Brasil as últimas reformas ocorreram em 1943 e 1971, enquanto em Portugal a última aconteceu em 1945 e, com isso, muitas diferenças continuaram.

6) PONTOS CONTROVERTIDOS:
Ainda há alguns pontos controvertidos, principalmente em relação ao emprego do hífen, que o Acordo não esclarece.

7) FASE DE TRANSIÇÃO:
Até dezembro de 2012, os concursos públicos, as provas escolares e vestibulares deverão considerar como corretas as duas formas ortográficas da língua: a antiga e a nova.

8) LIVROS DIDÁTICOS:
O acordo entrou em vigor em janeiro de 2009, mas será introduzido obrigatoriamente nos livros escolares a partir de 2010.

9) DISPOSITIVO LEGAL:
No Brasil, o Acordo foi promulgado pelo Decreto 6583, de 29/09/2008, mas foi inicialmente redigido no ano de 1990, em Lisboa. Somente agora, entretanto, o Acordo é finalmente implementado..

FONTE:
Prof. Nelson Guerra, disponível em www.folhadirigida.com.br.

Dimas Paixão
Enviado por Dimas Paixão em 27/01/2009
Reeditado em 10/02/2009
Código do texto: T1407290

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Sobre o autor
Dimas Paixão
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