O DEUS DOS JUDEUS É UMA FRAUDE

No hebraico antigo, a linguagem escrita não utilizava vogais, apenas consoantes. Por considerar sagrado o nome divino, era proibido mencioná-lo e os hebreus substituíram por “Adonai”, traduzido como “Senhor”. Por conta desses dois fatores a pronúncia do verdadeiro nome de Deus se perdeu. O nome de Deus era representado no conjunto cabalístico de quatro letras conhecido como tetragrama ou tratragramaton “YHWH”, também podendo aparecer nas formas equivalentes “YHVH” ou “IHVH”. A junção das consoantes do tetragrama com as vogais do nome “Adonai” (a-o-ai) formou o nome IAHOVAIH, donde surgiu Jeová e, contraindo mais um pouco, Javé. Mas este não era o nome da divindade dos hebreus antigos, é apenas um jogo de letras, um neologismo criado pela junção de duas palavras.

Curiosamente, outro nome com que os hebreus se referiam a Deus e que está gravado nas versões mais antigas da Bíblia é “ELOHIM”, plural de “ELOHI”, que significa “deuses”. Assim, o primeiro capítulo do Gênese em hebraico diz que “No princípio criaram os deuses (ELOHIM) o céu e a terra”. A palavra “Deus” em hebraico (ELOHI ou ELOAH) provém do nome de um deus cananeu, EL. O nome da nação dos hebreus, Israel, é a fusão do nome de três deuses estrangeiros: Ísis, dos egípcios; Rá, também dos egípcios e El, dos cananeus. No entanto o nome original foi adulterado e substituído pelo substantivo próprio “Deus”. Desta forma, as 2.500 vezes em que aparecia a palavra “ELOHIM” no texto original, foram substituídas pela palavra “Eloah”, ou seja, “Deus”, que só aparecia 2 vezes. Isso foi feito intencionalmente para mascarar uma verdade que os arqueólogos e estudiosos já sabem há muito tempo: os antigos hebreus não acreditavam em um único deus! Eles acreditavam que os deuses estrangeiros eram reais, só que os hebreus não podiam prestar-lhes cultos porque eles ajudavam os inimigos a derrotar o povo judeu. Tanto que o segundo mandamento diz para não ter outros deuses, mas não diz que eles não existem. Também no livro de Gênese Deus fala de si constantemente no plural, como quando diz que “o homem se tornou igual a nós, conhecedor do bem e do mal”. Os primeiros cristãos viram nisso uma prova da Trindade no Antigo Testamento, mas os hebreus não acreditavam em um Deus trino e nenhuma outra parte do Antigo Testamento reforça a idéia de uma Trindade.

Outros nomes com que o Deus dos antigos hebreus se apresentava eram “El Shaddai”, o “todos poderoso”; ou “El Sabbaot”, o “deus dos exércitos” de Isaías. No entanto, algumas análises nos fazem crer que não se tratava de um mesmo deus, mas de deuses diferentes. O nome “El Shaddai” significa mais precisamente “deus das montanhas” * (embora seja comumente traduzido como “Deus todo-poderoso”). Eis como Voltaire fala a esse respeito:

“Está dito no primeiro capítulo de Juízes: ‘Esteve o Senhor como Judá, e este despovoou as montanhas; porém não expulsou os moradores do vale, porquanto tinham carros de ferro [Juízes, XI, 24]. ’ Não queremos examinar se os habitantes dessas plagas eriçadas de montanhas podiam ter carros de guerra, eles que nunca tiveram asnos. Basta observar que o deus dos judeus era, então, apenas um deus local, que tinha crédito nas montanhas, mas não nos vales, como todos os outros pequenos deuses do lugar, que possuíam, cada um, um distrito de algumas milhas, como Camos, Moloque, Renfã, Belfegor, Astarote, Baal-Berite, Baal-Zebude e outros pequenos deuses.” (Voltaire, em “Deus e os Homens”, Martins Fontes)

Já o “El Sabbaot”, nome com que era invocado Deus durante a batalha, provavelmente não era o mesmo Deus que é dito no Gênese. Este era, provavelmente o Baal dos fenícios, deus do trovão e um deus violento e agressivo. Há mais semelhanças entre o Javé dos hebreus e o Baal dos fenícios, assim como com o Marduk dos babilônios. Baal enfrentou e derrotou em combate o mostro marinho Yamm. Marduk destrui o dragão Tiamat antes de criar o mundo. Na mitologia hebraica existe o Leviatã, um híbrido do mostro marinho Yamm com o dragão Tiamat dos babilônios, que segundo o livro de Jó, foi derrotado por Deus, provavelmente antes deste ter criado o mundo, assim como o mito de Marduk. O Baal dos cananeus e fenícios, dizem algumas fontes, era também um deus da agricultura, assim como El, identificado com Saturno dos romanos – que não era deus do tempo, equivalente ao Chronos dos gregos como muitos pensam, já que Saturno é anterior à influência grega em Roma. Eu sempre estranhei o fato de o Gênese dizer que Deus descansou no sétimo dia da criação, sendo ele um deus todo-poderoso, não precisaria descansar. Isso ocorre no relato porque o Deus a que ele se refere é um deus agrícola e o significado do seu descanso no “sabbath” é que a agricultura deve parar nesse dia. Ainda hoje a palavra “sábado” tem uma referência a outro antigo deus da agricultura homônimo do romano, mas nórdico nos países de cultura anglo-saxônica, Saturno. Em ingês, sábado diz-se “Saturday” ou seja, “dia de Saturno”. O sábado é, portanto, o dia do deus da agricultura, o El que fala no Gênese. Muitos já devem ter notado as intempéries da personalidade do deus judeu, mas isso ocorre porque eram vários deuses diferentes, como se fossem um só.

O nome com que os hebreus se referiam ao seu deus, “Adonai”, também era o nome usado pelos fenícios para se referirem ao deus Tamuz, outro deus agrícola, que foi ligeiramente transfigurado no mítico Adônis dos gregos. Tudo leva a crer que o “Adonai” que falavam os hebreus era o mesmo Adonai ou Tamuz dos fenícios. Como já foi dito antes, os hebreus acreditavam na existência dos deuses estrangeiros, só que eram proibidos de adorá-los. Eis o porquê de tantos casos em que os hebreus adoravam deuses de outros povos, como Dagon, Moloch, Astarote, etc. Se eles não acreditassem que esses deuses eram reais, não haveria tanta idolatria. O deus El era representando como um touro, por conta disso eram feitas estátuas de cordeiros para representar o deus judeu, numa forma de diferenciá-lo da sua fonte. Em Josué: 24, 14 – 16, o substituto de Moisés fala sobre o culto a deuses estrangeiros dos seus antepassados, dizendo que a população poderia escolher entre cultuar os deuses egípcios e dos amorreus, o deus que os tirou da servidão, o Senhor, Adonai (provavelmente o mesmo dos fenícios).

Mesmo não existindo vogais no nome original do deus dos judeus, estudiosos acreditam ter encontrado o nome sagrado. Através da análise de nomes próprios, donde muitos tinham o nome do deus judeu, foi possível chegar à raiz do nome de Deus. Exemplos de nomes que contém o nome de Deus são “Yehokhakin” (Joaquim)e “Yehoshuah” (Josué ou Jesus), donde se pode notar a presença do radical “Yaho”**, que seria o nome divino proibido de ser pronunciado. A contração de “Yaho” é “Yah”, donde surge a palavra “Hallelu-yah”, ou seja, “Deus seja louvado”. Isso não só revela o nome do Deus de Israel, mas também sua origem. Ao que tudo indica, o nome de Deus, Yaho, foi tirado do nome de uma montanha. Inscrições na sala hipostila do templo erguido por Amenhotep III foram encontradas em escavações arqueológicas em Soleb, na margem esquerda do Nilo onde há uma referência a Yaho, onde fica claro se tratar de uma montanha ao leste do Egito e ao sul da Palestina. Fala sobre o “país dos beduínos de Iahuo”, onde o nome “Iahuo” está precedido do termo “to” que indica lugar. Ou seja, Iahuo não é um deus, mas um lugar. Os madianitas cultuavam nessa montanha o deus dos relâmpagos Iahu, e bem mais tarde os israelitas encontrariam um lugar parecido para abrigar o seu deus, o monte Sinai.

Por que tanta confusão então? Por que os israelitas adoravam vários deuses como se fosse um só? Isso ocorre porque, antes que Israel se unificasse em um reinado forte o povo adotava deuses de outras culturas, mas com a reforma religiosa feita por Josias no século VII a. C. foi declarado que somente um deus existia, então os deuses adotados pelas diversas tribos foram compilados em um só, ignorando suas diferenças e particularidades com fim de unir a população em torno de um deus único. Segundo o arqueólogo Israel Finkelstein, a Bíblia nasceu no século VII a. C. durante o reinado deste monarca. Antes o que havia era uma tradição oral que foi reunida sob a forma do livro hoje mais famoso do mundo. Com efeito, os deuses adorados pelas tribos de Israel foram reunidos sob o nome daquele que era mais conhecido, Yaho, quanto aos outros deuses que foram adorados pelos hebreus foram suprimidos e omitidos na história do povo judeu para ocultar o fato de que o deus Yaho era tão real quanto aqueles outros deuses que foram usados para formá-lo.

* Outra fonte diz que a tradução de El Shaddai é “deus das campinas”.

** Em hebraico se escreve “Yaohw”, nas pronuncia-se “iáorruh”. Notem que há na escrita três letras do tetragrama, “Y”, “H” e “W”. O “W” em hebraico pode ter som, tanto de “V” quanto de “U” ou “O”, nesse caso sendo “U”. A quarta letra, que é a repetição do “H”, desaparece na nossa escrita porque na escrita hebraica, quando o “H” aparece no fim de uma palavra quer dizer que o “H” do meio tem som de “RR”, ficando mais literalmente “YaoHWH” (com todas as letras do tetragrama), na nossa escrita “YAHO” ou “YAHU”.

Sites consultados:

http://str.com.br/Scientia/origem.htm

http://str.com.br/Atheos/qual.htm

http://g1.globo.com/Noticias/0,,MUL652419-9982,00-DEUS+BIBLICO+PODE+SER+FUSAO+DE+VARIOS+DEUSES+PAGAOS+DIZEM+ESPECIALISTAS.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Nomes_de_Deus_no_Juda%C3%ADsmo

http://elderspov.tripod.com/doutrina_nome_Deus_02.htm

http://www.geocities.com/athens/acropolis/2601/eloim.htm

http://www.airtonjo.com/resenhas05.htm

Igor Roosevelt
Enviado por Igor Roosevelt em 06/02/2009
Reeditado em 12/09/2009
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