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Ainda há o que fazer contra o abuso?

Se você pensa que situações de abuso de poder de policiais, sejam eles civis ou militares, só acontecem nos grandes centros, enganou-se. A violência “camuflada”, que sai em viaturas na calada da noite, prende inocentes e mata está em todos os lugares. Do Oiapoque ao Chuí e em todos os cantos do país, não há uma escolha quanto a raça, cor, credo ou estado financeiro. Eles fazem de seu trabalho um trabalho sujo. Ao invés de cuidar e zelar pela população, colocam mais medo infringindo diversas regras que como autoridades deveriam respeitar.
Quem nunca ouviu falar na reviravolta que o repórter Caco Barcellos gerou na polícia quando lançou o livro Rota 66, que desmascarava policiais do Grupo de Resposta Tática (GRT) de São Paulo e que mataram, em sua maioria, pessoas inocentes? E as inúmeras situações que vemos na televisão ou ouvimos na rádio? Sempre achamos que isso nunca acontecerá perto de nós e que ocorre somente nos grandes centros. Só pode ser um sonho! Estamos enganados. Não nos damos conta que na nossa cidade, sem querer generalizar, também existem pessoas capazes de tal atrocidade. Só vamos realmente perceber essa realidade quando acontecer alguma coisa com alguém da nossa família ou algum conhecido.
É uma vergonha! Não para nós. Para eles. A população se sente desprotegida, ainda mais quando é diretamente ameaçada por uma minoria que abusa do poder para mostrar trabalho, extorquir dinheiro ou, ainda, mostrar autoridade. Não há sociedade que possa ficar de pé quando é acuada por autoridades que são remuneradas para dar-lhe proteção e tranqüilidade e, algumas, fazem o inverso.
João (nome fictício) é só mais um homem que sofreu e pode sofrer ainda mais na mão de policiais sem nada dever. Ele foi agredido e encaminhado para a prisão sob alegação de que haveria um mandato de prisão em seu nome. Mentira, pois no dia seguinte foi descoberto que o envolvido não devia nada a ninguém, mas foi preso e agredido indevidamente por “policiais especializados”. Ameaçado de morte por eles, agora vive como vítima na insegurança de ser novamente maltratado.
Além de espancar, humilhar e prender existem policiais que têm a coragem de buscar provas para incriminar suspeitos autores de crimes, cometendo eles também irregularidades, sem o amparo da lei. Esse tipo de situação de abuso deve ser denunciado, mas de que adianta denunciar um caso assim se poucos são os punidos?
Como alguém poderá desmascarar, por mais que seja uma minoria, esses policiais inescrupulosos, se o poder da voz pública está do lado deles? Para começarmos a mudar isso precisamos de conscientização, não somente a minha e a sua, mas de toda a sociedade. Que todos, conseqüentemente, busquem o mesmo ideal.
Infelizmente, as chefias de polícia nem sempre conseguem identificar esses policiais que utilizam de sua autoridade, para poder tirá-los de um quadro de militares que deve prezar pela segurança de toda a população. Muitos policiais, quando põem a farda, se julgam melhores do que as demais pessoas e acabam abusando, com dificuldades para lidar com a autoridade e o poder que possuem. Assim, como diz a música da banda De menos crime, por trás de um nome se escondem os piores marginais e, o pior, até dizem proteger a lei e honrar a Pátria.
Está cada dia mais comum e mais freqüente o abuso de poder por parte dessa minoria de policiais. Não é somente o abuso de poder, em si, mas a agressão física, moral e psicológica, a extorção, a acusação ou prisão indevida, a invasão de domicílio, o assédio sexual, a discriminação e o preconceito, em atividades que ignoram as queixas dos envolvidos quando mais se precisa do auxílio da autoridade policial.
Pode ou não parecer engraçado, mas os cidadãos que sempre sofrem essas formas de abuso são pobres e sem grandes conhecimentos sobre como proceder para que essa situação não seja sempre assim. Quantos e quantos casos não estamos habituados a ver com essas pessoas humildes. São presos ilegalmente, sem ter cometido crime algum, são revistados sem motivo e com violência, seus barracos são invadidos por policiais na busca de marginais que nem conhecem, confissões são exigidas a força ou são obrigados a testemunhar aquilo que nem viram ou ouviram. É preciso reagir, fazer o povo ter vez e voz, exigir que os direitos de todos sejam respeitados da mesma forma como a lei tem que ser respeitada.
Sempre que os direitos de qualquer um de nós for desrespeitado, por violência ou abuso de autoridade policial, devemos denunciar o crime praticado contra nós. Normalmente haverá uma autoridade maior do que a que praticou o abuso para ajudar contra a violência e em prol da justiça e da verdade.
Cami
Enviado por Cami em 28/04/2006
Código do texto: T147043
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Sobre a autora
Cami
Chapecó - Santa Catarina - Brasil, 30 anos
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