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Brasil: Um País de Tolos?

Rotineiramente temos acompanhado através dos jornais, noticiários, rádios e internet, todo tipo de falcatruas, regalias, bizarrices e falta de escrúpulo no âmbito político nacional. Na grande maioria dos casos, deputados e senadores são acusados (sempre injustamente - segundo eles e seus advogados) de corrupção e irregularidades diversas.
    Paralelamente também vemos violência sem limites, assaltos, seqüestros, assassinatos, estupidez de toda e qualquer natureza. A violência e a corrupção formaram uma parceria e tanto, recheando a pauta dos jornais, e enchendo o peito do cidadão de revolta e insegurança. Até quando? Até quando o Brasil vai ser um picadeiro de circo, onde os cidadãos são os palhaços? Quando seremos capazes de tirar o nariz vermelho que colocaram em nosso nariz, limpar a maquiagem em nosso rosto e sair às ruas para pedir - ou implorar (veja só que absurdo) o que é direito de todos nós, cidadãos: respeito e segurança. Até quando ficaremos sentados no sofá, assistindo ao show do cambalacho, a CPIzzas que não surtem o mínimo efeito esperado. Ou todo o dinheiro desviado durante todos esses anos foram devidamente reembolsado aos cofres públicos?
    Chega de ficarmos sentados, em rodinhas no banco da praça, no papo furado da hora do almoço, simplesmente reclamando da vida, afirmando que 'a coisa tá feia'. Sim, a vida não está mesmo fácil. E quem deveria fazer  algo pra melhorar - e tem o poder pra isso, não dá a mínima. É claro que não se pode generalizar, por incrível que pareca ainda existem bons políticos. Mas, meu amigo, é preciso peneirar muito, separar grão por grão, revirar o palheiro pra encontrar uma agulha que preste. Não sinto satisfação nenhuma em dizer isso. Muito pelo contrário: sinto tristeza, vergonha. Num passado não muito distante foi veiculada na grande mídia pela ABA - Associação Brasileira de Anunciantes, a campanha 'O melhor do Brasil é o Brasileiro'. A iniciativa, plausível, teve como meta aumentar a auto-estima da população brasileira. Vários exemplos foram citados e mais uma vez pudemos conferir como nossa gente é batalhadora, incansável, confiante, e que por mais obstáculos que possam encontrar pelo caminho, sempre conseguem dar um jeitinho e continuar seguindo em frente. Porém, acredito que de nada adianta aumentar o auto-estima do povo, se o próprio governo não apresenta motivações para que isso aconteça. Como um pai de família, que trabalhou a vida inteira duramente, com o suor estampado na testa, e as marcas do cabo da enxada na palma da mão, da vida sofrida, quando finalmente consegue se aposentar, é obrigado a continuar fazendo 'bicos', pequenos serviços aqui e ali, para completar o orçamento familiar e dar uma vida um pouco digna a seus filhos, pode sentir-se orgulhoso de seu país, com auto-estima elevada e confiante no governo? No mundo em que vivemos atualmente, tornou-se humanamente impossível sobreviver com um salário-mínimo. E põe mínimo nisso! E, como se não bastasse, o pobre coitado, já idoso e sem a mesma disposição de antes, ainda é obrigado a passar horas, dias, semanas e quem sabe meses, na fila do INSS, esperando por um atendimento digno. E a esperança vai morrendo junto com sua saúde. E enquanto isso, um tal garotinho faz greve de fome, ao invés de se explicar ao povo. E o pior: ainda é paparicado por muitos.
    Realmente, o melhor do Brasil é o brasileiro. Por isso, quando deparo-me com esses crápulas vestidos em nobres ternos elegantes, estampados nas páginas dos jornais ou na telinha da TV, sendo investigados, recuso-me a aceitar que são filhos deste solo, como nós. Outro dia um amigo qualificou um desses vigaristas de 'animal', enqüanto falávamos sobre o assunto. Respondi que se já não bastasse todo o mal que a humanidade faz a natureza, ainda por cima iríamos comparar esses vermes com os bichos da fauna? Seria muita malvadeza com a Mãe Natureza, não? O fato é que chegamos a um ponto de total decepção. Nossa gente está desiludida. Muitos se recusam a falar de política, e qüando falam, referem-se aos governantes com total desprezo e indignação. Isso não é certo. Não pode ser assim. O eleitor elege um representante na esperança de dias melhores. Na esperança até de talvez ter em quem se apoiar, se espelhar. Não podemos mais continuar com os braços cruzados, vendo nosso país ser tomado por uma corja de imbecis e cafajestes sem escrúpulos. E o presidente, homem maior da república, nunca sabe de nada, coitado.
    Devemos reagir. Mas não com violência. Não vamos usar o 'exemplo' dos malfeitores, e dos barracos em pleno plenário. Muito menos agir como palhaços, a exemplo de uma certa senhora deputada, que protagonizou uma das cenas mais deprimentes e idiotas que já vi na vida, comemorando o fato de um político investigado por participação no esquema do mensalão não ter seu mandato cassado, esquecendo o decoro, deixando de lado a ética, o bom senso, a educação e o respeito para com seus eleitores e com o povo brasileiro num todo. Devemos reagir nas urnas. Votar nulo? Esqueça essa idéia. E esqueça também aquele e-mail que com certeza milhares de pessoas incluindo a mim também, já recebeu dezenas de vezes, principalmente em época de eleição, informando [sic] que "se uma eleição tiver mais da metade dos votos nulos, será anulada e ocorrerá outra, com canditatos diferentes, e blá, blá, blá...".     As pessoas que redigem este tipo de comentário deviam usar melhor seu tempo, pesquisando e quem sabe lendo o que diz a Legislação Eleitoral - se não for muito trabalho, claro. Uma eleição só é cancelada mediante comprovação de algum tipo de fraude eleitoral. Votos brancos e nulos não são computados com os votos válidos. Portanto, não jogue seu direito de cidadão no lixo. Não sejamos mais tolos submissos deste espetáculo horrível. Chega dessa palhaçada! Um país que têm como 'slogan' a frase "Um País de Todos" não pode continuar aturando estes acontecimentos.
    Também sou eleitor, também sou 'povão'. E também estou, como grande parte dos eleitores, desiludido com as eleições, com os políticos enfim. Porém precisamos fazer valer nosso direito de ir às urnas e ao menos tentar ajudar nosso país a ser mais justo e honesto. Caso contrário, vamos continuar de mal a pior. E não basta apenas escolher seu candidato indo a comícios pré-eleição, olhando o 'santinho', lendo os panfletos que emporcalham toda a cidade, ouvindo algumas palavras, assistindo às propagandas no horário destinado a tal fim, em época de eleição. É preciso garimpar informações, conhecer o candidato, saber do seu passado, do que já fez, do que faz e do que pretende fazer. Analisar bem o candidato, seu partido, sua postura e sua história antes de ir às urnas, digitar o número de algum candidato e pressionar a tecla verde para confirmar o voto. E principalmente: não troque seu voto, seu direito de cidadão, por uma ou duas caixas de cerveja, um churrasco bem feito ou uma promessa de emprego. Nos comícios e propagandas eleitorais, anote as promessas dos candidatos, e posteriormente, caso o sujeito for eleito, cobre a promessa. Faça valer seu voto. E não falo tudo isso somente em âmbito nacional, mas também me refiro ao contexto local, onde infelizmente, como acompanhamos recentemente através da imprensa, ou 'ao vivo e a cores', no caso dos presentes, verdadeiras cenas deprimentes na Câmara Municipal. Vamos responder com nível. Vamos lutar. Somos nós quem os colocamos nas cadeiras do poder. Temos o direito de tirá-los, caso necessário. Basta apenas querer de verdade. Agir, ao invés de reclamar somente. Só assim teremos a chance de mudar a triste história de nosso cenário político. Eu também sou brasileiro. E está cada vez mais difícil não desistir.
 
F. Pinéccio
Publicado Originalmente no jornal 'Tribuna de Itapira'.
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Enviado por Pinnas em 01/05/2006
Reeditado em 17/05/2007
Código do texto: T148357

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Sobre o autor
Pinnas
São Paulo - São Paulo - Brasil, 34 anos
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