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Márcia X - Desenhando Terços: uma atitude política gera atitudes políticas




Vivemos num país de conceitos dúbios. Enquanto todos os cidadãos são iguais perante a lei temos estatutos particularizados para beneficiarem adolescentes e idosos; leis de amparo às gestantes e deficientes físicos; ou seja, reconhecemos que para adquirir a igualdade necessária é preciso gerar leis paralelas que subtraia as diferenças. Hoje, de acordo com a constituição, como bem frisou o Ministro da Justiça Gilberto Gil "é "livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença", ao mesmo tempo em que também é proibida qualquer prática de discriminação religiosa ou sexual. Então, que postura tomar quando a comunidade afetada, neste caso, religiosos do Opus Christi reclamam seus direitos também legais? Até onde vai a crítica artística e onde começa o preconceito, ou a incitação deste preconceito? Creio que este "julgamento" não pode ser tomado a reboque da bandeira contra a censura e a favor da liberdade. Liberdade para quem mesmo? Censura do que mesmo? Quando se estabelece um conflito de valores a liberdade é sempre parcial, assim como a censura. Sou artista e quero poder me expressar livremente na minha arte, mas esta liberdade carrega consigo o peso de uma posição política, de uma posição social, seja ela qual for. Não sejamos reducionistas! O que está em questão aqui não me parece ser a exibição ou não de uma obra de arte (este é apenas o ponto mais claro da questão), mas a discussão mesma que a obra de Marcia X propõe no espaço. Feliz artista que tem uma obra rechaçada pelo que há de mais violento nela, pelo que há de mais transgressor. É nesse momento, em que a arte mexe nas estruturas formais do dito "Estado" e a sociedade é chamada a discutir sobre sua visão de mundo que podemos reconhecer a profundidade de uma obra artística, capaz de perfurar as camadas superficiais da estética e atingir princípios éticos e morais. E por isso mesmo, reconhecido o poder de Desenhando Terços, no seu papel político e transformador, que venho por meio deste manifesto de idéias requerer seu espaço público. O mundo de hoje não pode mais ser considerado uma estrutura imóvel, nem a religião nem a sexualidade nem a própria legislação da arte como um conjunto de conceitos intocáveis.
Vládia Queiroz
Enviado por Vládia Queiroz em 03/05/2006
Código do texto: T149512
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Sobre a autora
Vládia Queiroz
Salvador - Bahia - Brasil, 41 anos
5 textos (217 leituras)
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Vládia Queiroz