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TALIBANIZAÇÃO EVANGÉLICA NO BRASIL

TALIBANIZAÇÃO EVANGÉLICA NO BRASIL
Por Chico Lobo

Antigamente havia o monopólio de poder do Vaticano, que coroava monarcas, promoviam guerras e levavam, á fogueira da inquisição os "infieis" e opositores de seus conceitos dogmáticos. Hoje esse monopólio está se consolidando nas mãos dos empresários neo-liberais da fé. Com isto, estamos caminhando para uma "talibanização" religiosa no Brasil com conseqüências drásticas em todos os setores sociais e que agem tal qual os moldes disfarçados de uma ditadura militar.

O processo de talibanização evangélica no Brasil está se dando através do fundamentalismo neo-pentencostal evangélico que estão nas mãos dos empresários da religião.

O que está acontecendo de fato é o uso abusivo das prerrogativas das prátricas religiosas, que a lei escrita pela bancada religiosa fez aprovar.

Não somos contra nenhuma corrente regiliosa, temos nossa religião e a praticamos na intimidade de nosso lar, mas quando abusos e mau uso da religiosidade começam a atingir a seriedade e a lisura, ao mesmo tempo que coloca em risco a própria democracia e o bom senso nas relações humanas, ficamos muito preocupados.

A começar da escrita de nossa constituição: fomos obrigados em 1988, por força da bancada religiosa, a engolir a frase; "...sobre a proteção de Deus..." como se em toda a população brasileira não houvessem pessoas de outras convicções de conciência. - Só isto já se traduz em uniformização ideológica que burla o princípio da pluralidade de conciência.

No Afeganistão aconteceu a mesma coisa: Tudo como reza o Alcorão. No início os talibans eram apenas estudantes do fundamentalismo islâmico, mas depois amordaçou o povo com o alcorão constitucional.

Falando das questões políticas e legislativas, no Brasil o lobye formado pelos empresários da religião (pastores evangélicos) no congresso está se consolidando além da proporcionalidade de nosso povo. Lembrando que, em nome de "Deus", os pastores se usam do conclomerado de seus fieis para criar seus currais eleitorais em suas "igrejas". Hoje, já há 16% a mais de políticos evangélicos além da proporção populacional dessa corrente "religiosa". Dentro de pouco tempo serão a esmagadora maioria em detrimento a outra parte da população não evangélica.

Traduzindo:

A população evangélica hoje no Brasil é de 29 %, (segundo censo do IBGE) e a bancada evangélica no congresso já é de 35% e tende a crescer nas próximas eleições. O próprio Presidente Lula, ganhou a eleição coligado ao PL (partido que congregava os políticos pastores da Igreja Universal).

E seus líderes, como agem ?

No começo se fazem de vítimas, no futuro esmagarão quem não compactue com suas convicções religiosas.

Os fundamentalistas evangélicos, representam hoje um retrocesso no desenvolvimento da literatura, artes, ciências, filosofia, humanismo e organização social. Influem diretamente nas decisões legais, da aplicação e pesquisas da ciência, da legislação dos costumes, na vida econômica, nos espetáculos de teatro e cinema, enfim tornam "pecaminoso" tudo quanto não condiz com seus princípios dogmáticos.

Além disso, discriminam fartamente as demais culturas e segmentos religiosos, PRINCIPALMENTE OS DE AFRO-DESCENDÊNCIA E INDÍGENAS.

Como é sua prática de arrebanhamento ?

Com o uso da grande mídia que eles monopolizaram na última década, aglutinam pessoas carentes, e isso é o que não falta nesse Brasil, gente com problemas psiquiátricos, carências afetivas, distúrbios psicológicos, doentes sem recursos, pessoas sem noção de cidadania e ás custas dessa gente formam um exercito de voluntários gratuitos a serviço dos interesses políticos, econômicos, ideológicos dessa classe de empresários.

O poderio econômico dessas organizações ditas "religiosas" (muitas financiadas por "projetos" de interesse dos EUA) crescem sobremaneira, também ás custas de falcatruas e isenções fiscais, explorações, crimes de curandeirismos, até estelionato como se viu em matérias na imprensa como as que envolveram a IGREJA RENASCER e a IGREJA UNIVERSAL.

Por outro lado, esses empresários da religião, propagam insistentemente em seus meios de comunicação que são vítimas de perseguição, justificando-se "serem filhos de Deus" e como tal são alvos de todo tipo de discriminação em nome de “deus”. A população brasileira por sua vez tem tradição religiosa e de respeito a esse assunto, e como tal acreditam nesse discurso e acabam descartando as investigações necessárias sobre as práticas irregulares dessa categoria empresarial.

Até agora, falamos de grandes empresas da religião, mas este fenômeno também acontece nas micro empresas da religião, aquelas igrejas de "placa de garagem", reproduzem em pequena escala os “ensinamentos” e práticas dos grandes empresários da fé.

Da comunicação social:

Trabalho a 21 anos com radiodifusão e nunca vi na minha vida tanto abuso dos meios de comunicação em prol de uma única corrente ideológica, e pior: para uso político e econômico de seus líderes. O dial radiofônico e os canais de televisão estão lotados e até congestionados de pregações de dízimos e ofertas da fé. Enquanto isso, faltam canais de uso comunitário e educativo para a população comum.

A ampla maioria dos canais de TVs abertas (também TVs por assinatura) e emissoras de rádio (tanto oficiais como piratas) propalam o mesmo discurso incansavelmente. São centenas, senão milhares de programas de rádio e TV por todo o Brasil fazendo a mesma “lavagem celebral” na cabeça do povo, principalmete nos mais desprovidos de informação... de dia, de noite e de madrugada.

Na somatória de todos os meios eletrônicos de comunicação radio-televisiva, (rádios comerciais AM e FM, Emissoras de TV, Produtoras de Vídeo, rádios Livres, Rádios Comunitárias, Rádios Piratas e clandestinas, ) mais de 60 % delas (a ampla maioria) já estão diretamente nas mãos dos empresários da religião. Esse é um fenômeno que já pode ser notado por quem tem curiosidade sobre o dial radiofônico.

Grandes redes de Televisão estão montadas (RECORD, GOSPEL, entre outras menores...) com o dinheiro da contribuição (NÃO TRIBUTÁVEL) á igrejas por populações carentes que caem no conto desses empresários da Fé. Tudo sem nenhum onus fiscal.

Da Receita orçamentária do dízimo e outros produtos:

A grande falha do Estado é deixar de tributar a atividade religiosa. Com isto, as empresas da religião não precisam declarar o que recebem e onde gastam a ninguém: nem ao Estado, nem á sociedade, nem á comunidade que a mantém. - O dinheiro dos dízimos e outras práticas do comércio da religião é um dinheiro que entra fácil e não tem nenhum controle. Sabendo-se desse fato, os empresários da fé trazem para dentro de seus shoppings-Templos toda ordem de atividade lucrativa, comercial e mercadológica, pois fica isento de declarações ao fisco e consequente de tributação. Isto evidencia um grande e injusto diferencial com os demais setores produtivos da sociedade que arca com pesados impostos e taxas.

Além dessa benece, os empresários da fé super faturam com sobre-preços de seus produtos em seus shoppings-templos com argumentos de "contribuição" á sua "obra". Uma verdadeira cornucópia, uma bola de neve de dinheiro não declarável e intributável que serve a todos os intuitos escusos.

A receita arrecadada nessas empresas da religião aqui no Brasil já é maior que o orçamento municipal das cidades de Porto Alegre e Belo Horizonte juntas. É dinheiro de uma população carente e iludida. Dinheiro que vai para lavagem no uso particular desses empresários da fé, nas campanhas políticas de seus candidatos, na aquisição de outras empresas, ou até mesmo remetido para paraisos fiscais. Sabe-se atraves da imprensa que há dinheiro provindo de igrejas que são aplicados na aquisição de redes de comunicação e até disperdiçados em prostituição e drogas.

A carência que vive nosso povo alavanca essa prática. As pessoas necessitadas se apegam a qualquer tábua de salvação, material ou pseudo-espiritual.

Tem empresas da fé (caso evidente da igreja Renascer) que oferece até CARTÃO DE CRÉDITO DE AFINIDADE, que garante descontos percentuais na compra ou pagamento de produtos e serviços dos seus respectivos shoppings-templos dessa "igreja" (carnets Gideão, pagamento de "promessas", camisetas uniformizadas para as passeatas e festas que promovem, CDs e DVDs de seu cast artístico, despesas feitas na praça de alimentação que existe dentro dos "Shoppings-Templos", enfim...). Claro que o dízimo já vem descontado automaticamente de sua conta. Isto sem falar das dezenas de produtos que são fabricados e vendidos DENTRO DAS IGREJAS e que da mesma forma não são tributados por conta de se "caracterizar" atividade "religiosa" ou "benemérita". São grifes de roupas, refrigerantes, CDs, DVDs, livros, revistas, material gráfico, hotelaria, agência de viagem, parque de diversão, camping, e pasme... até danceteria. É fácil conferir o que estou falando frequentando suas sedes.

O mesmo se dá com o pseudo jornalismo que a intitulada “Igreja” Universal do Reino de Deus aplica na publicação semanal de um "jornal", mantido com anúncios publicitários.

O empresário e o povo brasileiro vive dificuldades econômicas por conta inclusive do alto índice de tributação para as atividades produtivas, em compensação temos a isenção deslavada para os empresários da fé, ainda com garantias da própria lei.

A “igreja” Universal, tem um "projeto" que visa a "consultoria" de pequenas empresas de seus frequentadores. Vide seus programas na REDE RECORD. Esse serviço é pago, e muito bem pago. Mas se mesmo assim a empresa do fiel não cresce, a culpa é sempre jogada na "falta de fé” do frequentador. Enfim, os pastores sempre lavam as mãos e ficam com os lucros intributáveis (da consultoria e da receita das empresas dos fieis).

O abuso já é tanto que tem parlamentar evangélico do Rio de Janeiro que apresentou Projeto de Lei que exime de impostos e taxas os carros comprados por igrejas e seus líderes.

A constituição garante a liberdade de religião, mas não coibe os abusos e distorções. Alias, nossa constituição foi escrita também por uma forte bancada "religiosa" que deixou a porta dos fundos aberta para mais beneces a essa prática.

Os empresários da religião ganham poder nos currais eleitorais de suas respectivas igrejas, elegem-se e quando estão no poder escrevem mais leis que garantem ainda mais seus privilégios. É uma bola de neve.

Qualquer tipo de preconceito é abominável. Não falo aqui dos praticantes dessa ou daquela corrente religiosa, afinal temos tradição de cultura religiosa no Brasil, preocupo-me apenas com o atual panorama, não pelo crescimento dessa conciência, mas pelo tipo de uso e destino que está se dando á religiosidade de nosso povo e as conseqüências culturais, sociais, políticas e até econômicas que estão ocorrendo.

Segundo se sabe, os empresários da Fé garantem que a partir de 2010, terão condições de eleger um Presidente da República em um único turno. Daí para um golpe teocrático, com apoio popular que eles já tem, é só um pequeno passo.

As conseqüências dessa talibanização evangélica no Brasil são danosas para todos os setores da sociedade. Vão desde o impedimento legal para certas pesquisas científicas (genoma, sangue...) , a produção cultural de espetáculos de teatro e cinema que contrariem seus dógmas, a legislação sobre costumes, o vilipêndio ás tradições culturais afro-descendentes e indígenas até as questões econômicas.

Que haja seriedade naquilo que é sério e sagrado.

Chico Lobo
Chico Lobo
Enviado por Chico Lobo em 05/05/2006
Reeditado em 05/05/2006
Código do texto: T150787
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Sobre o autor
Chico Lobo
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