MOMENTO DE DECIDIR

MOMENTO DE DECIDIR

Há momentos que são inadiáveis em nossa vida, decisões que apenas uma pessoa pode tomar sem a interferência de ninguém. Começo a minha reflexão com o poema “José” de Carlos Drumond Andrade:

E agora, José?

A festa acabou,

a luz apagou,

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, José?

e agora, Você?

Você que é sem nome,

que zomba dos outros,

Você que faz versos,

que ama, proptesta?

e agora, José?

Está sem mulher,

está sem discurso,

está sem carinho,

já não pode beber,

já não pode fumar,

cuspir já não pode,

a noite esfriou,

o dia não veio,

o bonde não veio,

o riso não veio,

não veio a utopia

e tudo acabou

e tudo fugiu

e tudo mofou,

e agora, José?

E agora, José?

sua doce palavra,

seu instante de febre,

sua gula e jejum,

sua biblioteca,

sua lavra de ouro,

seu terno de vidro,

sua incoerência,

seu ódio, - e agora?

Com a chave na mão

quer abrir a porta,

não existe porta;

quer morrer no mar,

mas o mar secou;

quer ir para Minas,

Minas não há mais.

José, e agora?

Se você gritasse,

se você gemesse,

se você tocasse,

a valsa vienense,

se você dormisse,

se você cansasse,

se você morresse....

Mas você não morre,

você é duro, José!

Sozinho no escuro

qual bicho-do-mato,

sem teogonia,

sem parede nua

para se encostar,

sem cavalo preto

que fuja do galope,

você marcha, José!

José, para onde?

Durante o curso de nossa vida caminhamos por longas jornadas que parecem não ter fim. Mas não devemos nos esmorecer nem desanimar, pois a maior lição e exemplo de superação, veio dos nossos antepassados. O homem pré-histórico levou milhões de anos para atravessar o Estreito de Bering chegando à América e ao Brasil. Eles enfrentaram vários obstáculos, percorreram longas distâncias e nunca desanimaram. Prova disso somos nós.

Os nossos antepassados teriam saído da África e migrado para outras regiões do planeta. Somos todos de uma mesma origem, viemos todos de um único lugar: a África! As pistas mais antigas de ocupação humana nas Américas, datadas de 12.000 anos, e só tinham sido encontradas em sítios arqueológicos no estado do Novo México, nos Estados Unidos.

Batizados de "tradição Clóvis" (nome da cidade próxima a região onde os fósseis foram encontrados), os achados norte-americanos foram por muito tempo as únicas provas que levavam a uma explicação de como o homem pré-histórico saiu da África, caminhou até o estreito de Bering durante o período das glaciações e chegou a América.

Descobertas posteriores nos sítios de Monte Verde, no Chile; Lagoa Santa, em Minas Gerais, e os achados da Dr. Niède, no Piauí, contribuíram, e continuam contribuindo, para reescrever as teorias da ocupação das Américas. Hoje é tido como certo o homem pré-histórico ter feito migrações anteriores há 12.000 anos pelo estreito de Bering (Pré-Clóvis) e se fala na possibilidade dessas populações terem escolhido também outras rotas para atingir o continente americano, como por exemplo, pelo mar.

Imagine quantas dificuldades os nossos ancestrais tiveram que enfrentar. Eles não se desanimaram! Somos mais que vitoriosos, os nossos ancestrais já provaram isso e a nossa concepção também. Numa relação amorosa cheia de emoções fomos gerados. Concorremos com 499 milhões de espermatozóides para que pudéssemos estar aqui agora. Estávamos entre os 500 mil, correndo atrás de um único objetivo: atingir o alvo e passar por uma pequena brecha para adentrarmos ao útero de nossa mãe e fecundar o óvulo que daria origem a esse ser que somos nós. Imagino que não foi fácil concorrer com 499 milhões. Quem conseguiu chegar primeiro? Você. Vê porque não se pode desanimar? Somos mais que vencedores. Não deixe ninguém dizer o contrário! Fomos obrigados a passar por muitas encruzilhadas, e numa hora qualquer, todos nós nos encontramos sozinhos, num beco sem saída. Então perguntamos:

- E agora?

Como diz Carlos Drumond Andrade no poema “José”: a “festa acabou”, “a luz apagou”, “o povo sumiu” e “a noite esfriou”. É na solidão da vida e nos momentos como esses é que temos que tomar uma atitude, uma decisão, e esta, pode ser a nossa única chance. Nesse instante não há “José”, não há ninguém que responda as nossas perguntas. Ai é a hora de nos lembrarmos da “festa”.

A “FESTA” são aqueles momentos maravilhosos que poderíamos ter vivido intensamente, desfrutado o ápice das mais tenras emoções, mas não soubemos aproveitar. Então dizemos: “a festa acabou”. Outras “festas” irão surgir à nossa frente, aí temos uma nova chance de tomar a decisão de participar ou não da “festa”. Não participar da “festa” significa deixar passar batido aquele momento, significa perder o bonde da história e se arrepender mais tarde. Decisões são sempre difíceis, e num momento de surpresas desagradáveis, parece que alguém malvado foi até o interruptor e propositalmente interrompeu a energia que nos iluminava, é quando dizemos: “a luz apagou”. Ficamos na escuridão total! Nada funciona nessa hora. Parece que não há saída nem solução para o nosso problema. O nível de dificuldade é maior, desafio é tão grande e o problema que enfrentamos parece agigantar-se. A parede parece ser intransponível. É nessa hora é que dizemos: “o povo sumiu”. Nesse instante, não existem parentes ou amigos, capazes de nos socorrer, tem-se o sentimento é de estar só no meio da multidão, de ser um solitário a andar por entre as gentes, sem amigos, sem ninguém, nos sentimos como um órfão entre os irmãos. E se o pai e a mãe estão longe, a situação fica bem pior. Recai sobre a pessoa um sentimento de abandono total. Mas logo o dia termina, e ai o sentimento de solidão transforma-se numa grande nevasca e a noite se torna fria e gélida, é quando dizemos: “a noite esfriou”. O cobertor fica curto, o corpo gela e a insônia se torna um pesadelo. A noite não passa logo, todos dormem e a pessoa fica sonhando em se livrar daquele tormento enquanto contempla as estrelas no céu azulado. As estrelas são suas únicas amigas agora. Um desejo enorme de juntar-se a elas parece nos consumir. O inverno da solidão é o pior dos invernos. E agora José? E agora você? Ficamos sem discurso, sem carinho. O dia não vem logo. Quem sabe ao nascer do sol uma novidade surge, um milagre acontece e aquele pesadelo vai embora? É isso que se espera enquanto se conta as estrelas na imensidão do infinito. No outro dia vem a triste constatação: “o bonde não veio”, ficamos só mais uma vez, “o riso não veio” e ficamos tristes mais uma vez. Chega uma hora que nem sonhamos mais porque “a utopia não veio”, então, o que nos resta? Como diz o poeta, “tudo acabou”, “tudo fugiu” e “tudo mofou”. E agora? Sozinho! “Se você gritasse, se você gemesse” quem iria ouvir? Nessa hora saímos para a balada para ver se alivia um pouco a dor da alma, mas na hora da “valsa” não há ninguém para dançar com a gente e a pessoa mais desejada não está ali. Durante a balada, todo mundo balança o esqueleto, mas a pessoa fica ali num canto isolada. Nesse instante uma voz da razão diz: E “se você dormisse”? Mas “o sono não vem”. Ficamos torcemos para que o cansaço chegue logo para que possamos correr para a cama e tentar dormir um pouco. A esperança é de que ao levantar no outro dia as coisas possam ser melhor e assim podemos dizer de boca cheia para qualquer pessoa que passar por nós:

- Bom dia amigo!

Quantas vezes deixamos de dizer essa palavrinha mágica para alguém? Muitas e muitas vezes, agora um desejo ardente de dizer isso nos consome por dentro. Nessa hora, tudo que pensamos é: ter mais uma chance para dizer isso a alguém! É por isso que não podemos mais adiar a decisão de ser feliz, mesmo sabendo que o mundo inteiro é contra nós, o que importa é decidir, mesmo tendo uma barreira a nossa frente. Como diz o poeta, mesmo tendo uma “pedra”.

No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

tinha uma pedra

no meio do caminho tinha uma pedra.

Não se deve ter medo de errar. Não há acerto sem erro e quem tem medo de se arriscar nunca irá ser feliz, mas sim, um eterno derrotado e um depósito de frustrações. Sempre em nosso caminho haverá uma “pedra”, mas muitas vezes perdemos tempo tentando removê-la. Ao invés de olharmos para o futuro ficamos olhando para a pedra. Ela está nos lugares onde menos esperamos e pode estar bem ao lado da gente a vida toda. Pode ser um “amigo”, um parente e pode ser a pessoa mais próxima de nós e por mais que se tente agradar e tocar a pessoa, não tem jeito, pois é uma “pedra”, é o desafio, é o problema, é a dificuldade, enfim, temos que passar por cima da pedra e se quisermos chegar do outro lado temos que passar por ela. A pedra está bem no meio da passagem, mas acima dela há uma fresta de luz, uma brecha do tamanho de uma pessoa adulta, é possível passar por ela, mas temos que escalar a pedra para chegar do outro.

Sair da caverna deve ser o alvo de quem deseja viver intensamente e ser feliz, deve ser o alvo de quem deseja vencer. Lá fora está a realidade e a vida que tanto almejamos. Podemos sentir o orvalho, o perfume das rosas e correr pelos campos. Mas não faremos isso se ficarmos olhando para o tamanho do nosso problema e olhando para a “pedra”. Conta o “Mito da Caverna” que numa caverna havia um grupo de homens. Durante todo tempo os cavernosos vivem de costa para o mundo e de frente para a parede, eles passavam a vida toda contemplando as sombras projetadas ao fundo da caverna. Os acorrentados discutiam entre eles. Diz a história, que um fogo ficava dia e noite aceso na entrada da caverna, e o clarão do fogo fazia com que ao passar um bicho por ali, sua sombra fosse projetada na parede. Sem saber do que se tratava eles começavam a debater, então chegava um líder entre os acorrentados e dizia o que era aquilo que teria sido projetado na parede, mesmo que estivesse errado, os cavernosos se davam por satisfeitos com aquela resposta e assim os dias foram se passando. Algo inesperado aconteceu, um dos cavernosos conseguiu se soltar das correntes e saiu correndo para fora da caverna. Ao sair da caverna, o ex-cavernoso ficou encantado com o que viu lá fora, porém, seus olhos demoravam a se acostumar com a luz do sol. Aos poucos suas pupilas foram delatando até que pode ver a luz. Aquilo foi o máximo para o cavernoso, ele nunca tinha visto uma borboleta a voar, nunca sentira o frescor do orvalho caindo em sua pele, nunca sentiu o cheiro de uma flor e jamais imaginou coisas tão bonitas. Nesse instante o cavernoso percebeu que tinha perdido muito tempo contemplando as sombras sem conhecer a verdadeira realidade e que tudo o que viveu em todos os anos de caverna não passou de uma mentira. O filósofo grego Platão, discípulo de Sócrates escreveu “O Mito da Caverna” em sua obra “A República” há 2500 anos e até hoje a história serve para refletirmos sobre as nossas escolhas. Quantas correntes nos prendem? São correntes ideológicas? São correntes invisíveis. As sombras são apenas uma ilusão, não condizem com a realidade. Para vencer, ser feliz e viver intensamente sem se importar com o que vão pensar os cavernosos que cercam a nossa vida é preciso romper com as correntes e duvidar daquilo que os “lideres dos cavernosos” nos dizem e afirmam ser a “verdade”. É preciso desconfiar até das “boas intenções” dos que querem nos manter prisioneiros, deles, e do sistema.

Nos momentos mais difíceis, muita coisa aprendi. Imagine um cidadão que sai de sua terra natal e vai viver em uma terra distante e desconhecida como São Paulo. Aos 15 anos tinha que conciliar o trabalho e a escola. Sempre com o sonho de vencer, esse cidadão simples viu na escola a brecha que precisava para escalar a “pedra”. Aos 21 anos esse cidadão casa e termina o Ensino Médio agora com o compromisso de manter um lar. O fim do estudo veio bem na crise de Fernando Collor de Melo, era a crise de 1990. Sem saber o que fazer, esse cidadão viu na faculdade, mesmo que paga uma chance de continuar a sonhar com o futuro. Dos 15 aos 21 anos o cidadão sonhou em ser professor de História, e assim, prestou vestibular e lá vai ele tentar escalar mais uma pedra bem gigante. Muitas dificuldades surgiram na década de 90 e depois do confisco da poupança o presidente não pagou o Crédito Educativo, acordo feito com a Caixa onde o estudante de baixa renda começa a pagar o curso após o término da faculdade. Era a minha primeira licenciatura, eu iria sair com o diploma de formação em Estudos Sociais, mas como o governo deu o calote em todo mundo e não pagou o meu crédito eu tive que vender a única coisa que tinha: um terreno. Tive que vendê-lo pra que eu pudesse pegar o meu diploma, e continuar dando aulas de História, Geografia, OSPB e Educação Moral e Cívica naquela época. Inseguro, consegui terminar com muito custo a faculdade e me licenciei na área que tanto sonhei: História!

Já formado, outras dificuldades se seguiam. O governador Mário Covas acabou com a Licenciatura Curta, habilitação que garantia o ensino de 5ª a 8ª série nas áreas citadas acima. O governador também reduziu as aulas de História de 4 para 2, no máximo 3 por classe, 40 mil professores foram pra rua com as mãos abanando, professor não tem Fundo de Garantia, é contratado como ACT (Admissão por Contrato Temporário) e eu me enquadrava nesse grupo, porém, apenas mudei de escola e permaneci muito inseguro no magistério. Agora é tudo ou nada, tenho que prestar o concurso e concorrer com mais de 100 mil professores, feras da USP e de outras faculdades mais renomadas que a que fiz. Eu nunca quis ser o melhor, nunca almejei o topo da lista dos aprovados, mas pensava: Não quero estar entre os piores nem quero ficar no topo entre os melhores, porém, quero estar entre os “bons”. Não posso almejar coisa muito alta porque quero escalar aos poucos nem quero ficar entre os derrotados, prefiro ficar no meio dos que vão vencer. Assim, prestei o primeiro concurso e passem com 61% e as questões da Vunesp eram terríveis, Diretores e pessoas bem “melhores” que eu não conseguiram passar, eu, entretanto passei no meu primeiro concurso e me efetivei como primeiro e único na escola de onde eu tive que mudar com a redução das aulas. Graças a Deus não fui engrossar o grupo dos 40 mil desempregados do magistério, porém estava apreensivo e inseguro. Eu entrava na sala de aula trêmulo sem saber qual seria a próxima cartada dos tucanos (governo do PSBB). Venci mais um desafio!

Em 2000 veio o segundo concurso e eu passei mais uma vez. Efetivo por duas vezes, porém sempre descontente com as novas medidas do governo. Estava em todas as greves e gritando por dignidade do professor. A cada greve, protesto e passeata era uma esperança nutrida. Eu acreditava que ia dar certo e que meus companheiros e eu seriamos mais felizes na profissão de professor. Outros desafios piores viriam. A municipalização do ensino era um ataque a categoria, eu estava bem, mas os ACTs? E os outros colegas? Para mim, ser ético é estar bem e querer ver os outros bem. Não dá para sonhar em ser feliz sozinho porque “sonho que se sonha só é apenas sonho, mas sonho que se sonha juntos é realidade”. Isso é ser ético. Depois de passar num concurso na cidade de Barueri, outro desafio pior: tinha que lidar todos os dias com um diretor-cabo eleitoral do Furlan (atual prefeito de Barueri), um coordenador Caxias com cargo arranjado pelo vereador fulano de tal e um monte de funcionários colocados por algum político da cidade torrando a paciência o tempo todo. Concursado, pensei: Eu fiz concurso para isso? Para ficar submisso a um bando de funcionários com cargos arranjados? Não. Após 6 meses de depressão por conta disso, “chutei o balde”, “virei a mesa” e sai um anos depois. Nunca mais quis saber de escolas municipais. Depois da depressão de 6 meses, me curei fazendo um projeto como coordenador pedagógico chamado “Ação pela paz” onde envolvi todos os professores, alunos, funcionários e diretor. Muitas dinâmicas foram realizadas para unir o grupo, depois foi a vez dos alunos. A repercussão foi acima da média e a escola passou a ter um clima muito agradável, não houve em mais de cinco anos uma cena de violência que fugisse ao nosso controle e tudo era conversado e os acordos eram fechados. Mesmo tendo buscado a cura da depressão em um projeto, o pior desafio estava por vir: o casamento.

Não havia mais como eu me manter casado, aquilo estava me fazendo muito mal e também era uma das origens da minha depressão, então a única solução era sair de casa. Mas e os filhos? Esperei aos trancos e barrancos até que a filha mais jovem chegasse aos 14 anos, então sai. Passei a manter no contato com os filhos por telefone ou marcando encontro nas lanchonetes, no shoping e em outros lugares, fomos ao cinema etc. Coisas que eu nunca tive tempo para fazer passaram a ser feitas, junto com os filhos e também, sozinho. Sair de casa foi uma das minhas últimas decisões... Na época escrevi um poema intitulado “Virando o balde”. Hoje, depois de tudo que passei, de todas as barreiras que enfrentei direi como o poeta:

Nunca me esquecerei desse acontecimento

na vida de minhas retinas tão fatigadas.

Nunca me esquecerei que no meio do caminho

tinha uma pedra. (Carlos Drumond Andrade)

O livro “Tudo Ou Nada” de Shinyasshik foi uma das obras preferidas que li passei a recomendá-la. O autor fala daquilo que eu tive que fazer: tomar decisões. Em “Tudo Ou Nada” o autor fala de situações que só com o diálogo não conseguiríamos resolver, então, é hora de romper com aquilo que nos prende e de cortar os laços com aquilo que não nos deixa crescer e não nos faze bem. Porém, ao tomar uma decisão é preciso estar disposto a enfrentar as conseqüências do tudo ou nada, porque elas virão. Por vezes são decisões rápidas e que precisam ser tomadas. São momentos de rupturas, mas necessários. Nessa hora temos que saber transitar entre o ser flexível e ser frio. A flexibilidade vai até um dado momento em que determinada coisa não esteja nos prejudicando, mas a hora em que a coisa pega, ai temos que ser frio como um advogado frente a uma situação de divórcio ou um médico em caso de doenças graves.

Quando se trata da felicidade pessoal de cada um, então é preciso decidir. Quando se trata de viver um momento lindo, é preciso vivê-lo como nunca. Dançar aquela dança que nunca dançou, arriscar aqueles paços que nunca deu sem se importar com quem está olhando, dar aquele abraço e aquele sorriso que nunca foi dado, fazer aquele passeio, andar livremente pelas calçadas e enxergar a importância dos outros colocando-as acima dos interesses pequenos e mesquinhos são coisas inadiáveis. Não dá para esperar o amanhã para ser feliz, temos que ser feliz hoje, nesse instante e a cada momento. Temos que aprender novos ritmos, experimentar novos sabores e saberes, aprender a gostar e a respeitar o gosto dos outros, sua música e sua cultura, suas danças e suas culinárias, aprender a conviver e a respeitar as diferenças e a conviver com os outros. Cada pessoa é especial do seu jeito e não existe ninguém melhor que outro alguém. Uma pessoa assim é capaz de dormir numa mansão luxuosa e numa tapera velha caindo aos pedaços. Podemos até dizer como Martin Luther King e Barak Obama: I Have drean. O primeiro presidente negro dos Estados Unidos em sua campanha acreditou que podia ser presidente num país cheio de preconceito. Com essas frases ele chegou lá: “Sim, nós podemos”, “Yes We Can”, ele repetiu isso milhões de vezes em público. “Eu tenho um sonho”, dizia ele evocando o “I have drean” de Martin Luther King, maior líder negro dos Estados Unidos. Barak também repetiu trechos do discurso do primeiro metalúrgico e operário eleito como presidente do Brasil Luis Inácio Lula da Silva. Depois de vencer nas urnas mais disputadas do país Lula disse: “A esperança venceu o medo”! E quando ele pegou o diploma presidencial ele chorou e exprimiu aquilo que revela o maior sentimento de um batalhador que venceu: “Esse é o meu primeiro diploma”. Milhões de brasileiros nunca foram a escola, esse era o sentimento que muitos gostariam de expressar, mas o sistema é muito perverso e não dá essa chance a todos.

Como se pode ver não se deve adiar uma decisão. Então diga...

A esperança vencerá o medo!

Sim, nós podemos!

Eu tenho um sonho!