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Deus e a Liberdade


Se o homem é a medida de todas as coisas, ele não deve curvar-se diante de qualquer poder por trazer dentro de si a liberdade como algo a ser conquistado e realizado. A liberdade deve estar incluída em todo projeto humano. É muito difícil dissociar-se a idéia de liberdade do conceito que se tenha sobre Deus; e este conceito deve evoluir no decorrer do tempo.
 
Quando Nietzche afirmou que Deus estava morto, significaria essa morte que Deus não existe? Seria essa morte uma salvação para o homem?

O Deus criado pelo homem criou o homem e expulsou-o do paraíso. Seria esse o Deus morto? O segredo desse Deus e dos tiranos não seria o fato de saber que os homens podem ser livres e não o sabem?

Dizer que Deus é imenso é pouco. Negá-Lo seria negar a existência do próprio ser humano e cerrar as portas da mundividência que o espírito humano traz consigo. Por outro lado, aceitar versões de deuses criados pela imaginação hipertrofiada, tiranos vingativos que não querem súditos que pensem por própria conta, com liberdade, é a negação absoluta de Sua existência e da capacidade do ser humano de evoluir que é o objetivo central para o qual tudo foi criado, inclusive o homem.

É possível que na nova era que se inicia, uma síntese contemporânea da cosmovisão do Ocidente e do Oriente venha substituir as gastas fórmulas aplicadas até aqui na busca e na compreensão de Deus e da Liberdade.

Pretender ressuscitar velhas e gastas fórmulas, tal como o modernismo sem conseqüência tem pretendido, é um retrocesso inadmissível para o homem de hoje que busca mudanças e a liberdade em todos os seus fundamentos.

A liberdade de pensar é a mais sagrada e fundamental de todas as liberdades; pensar, para o espírito humano, é tão importante quanto respirar para o organismo físico. E pensar é, antes de tudo, criar com liberdade o que possa ser útil para o próprio ser pensante e para os semelhantes. A inteligência obstruída pela carga de preconceitos seculares vê-se impossibilitada de movimentar-se neste criativo exercício mental que é pensar, como o corpo físico endurecido e despreparado para maiores esforços e movimentos por causa da inércia e do sedentarismo. E estes conceitos mumificados que se transformaram em preconceitos constituem o pesado lastro, a gordura mental que impede que a inteligência se movimente. E essa liberdade sagrada não está regida por nenhum código ou lei humana, nenhuma escritura, por ser regida por leis superiores e universais e estar aberta a qualquer criatura, a qualquer ser humano que anele firmemente liberar-se dos barrotes da ignorância.

Deus quer que o ser humano use a sua inteligência e seu coração para aproximar-se da Grande Verdade que se confunde com o seu aperfeiçoamento pessoal e o de toda a espécie humana. Deus não é o pai vingativo que atemoriza os seus filhos e se regozija com as guerras fratricidas que os insensatos dizem fazer em Seu nome. Lutar pela liberdade própria e humana procurando respirar as Verdades imanentes da Natureza e as que brotam da própria inteligência e do próprio coração é a sensata e eloqüente postura do aprendiz que, apesar de reconhecer suas limitações, não se conforma com a imobilidade e a submissão.


Nagib Anderáos Neto
www.nagibanderaos.com.br


Nagib Anderáos Neto
Enviado por Nagib Anderáos Neto em 18/05/2006
Código do texto: T158356
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Sobre o autor
Nagib Anderáos Neto
São Paulo - São Paulo - Brasil
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