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Tenha um bom sonho


Realizar um sonho não é para qualquer um.  Acredito que se nós não podemos e não temos condições de realizar um sonho, não deveríamos sequer sonhar! Quando um sonho qualquer já está efetivado em nossa mente sã, ou seja, quando ele demonstra possibilidades de se realizar, tudo parece já ter ocorrido em nossa razão mais pura dos fatos perfeitos ainda não transcorridos.  Que maldade sonhar e não poder tornar este sonho real. Oh pobre sonhadores!!

Dois motivos podemos relacionar para que não se cumpra de forma concreta um sonho metafísico: ou ele é por demais fora da realidade, ou alguém freia a sua realização e não há como burlar isso. A “irrealidade” do sonho é um motivo justo para não ficarmos massacrando o nosso cérebro e coração com a pergunta “e se!?”. Não adianta acreditar em torná-lo concreto, pois é impossível, irreal, utópico... Entretanto, enquanto a certos sonhos assim, é bom que se tenha projetado um dia esta fantasia, para desopilar um pouco a razão diante de tudo que há e existe de mais presente em nossas vidas.

Supondo que iremos nos conformar com a não consumação da fantasia antes pensada com muita beleza, tudo já parece resolvido; não dá para fazer e pronto! E quando alguém barra - por ser esta pessoa também, por algum motivo, participante imprescindível do sonho - esta vontade inenarrável de vivenciar uma experiência ainda puramente mental?Não existe outra alternativa, não tem como ser diferente; precisamos desta pessoa para concretizá-lo, para que o “asas-da-imaginação” se torne o “pé-no-chão-da-realidade”. Tudo não acontecerá por um simples motivo, também, de idéia.  Uma idéia vinda de um sonho é contraposta por uma idéia pré-fabricada da realidade presente.

A mente fica atônita, o mundo cai diante dos seus próprios olhos, propostas paliativas, um meio-termo de alternativa podem até parecer uma segunda e boa saída, todavia era este o sonho, era isto que estava implantado na razão como o ideal a se tornar realidade e que era possível ser efetivado. Para o outro que estava ausente no sonho e só viu uma realidade nua e crua, sem perceber que ela era volátil e passível de ser modificada para melhor, contudo, nada deve acontecer, chegando ao fim o que nem sequer obteve um início. Seria como se um aborto pudesse ser realizado antes da união do espermatozóide com o óvulo.

Tudo parecia um bom sonho e não deixou de sê-lo só porque ele não pôde sair da fértil imaginação de um indivíduo qualquer e sonhador. Seja lá quem ou o que implantou este sonho dentro de nosso inconsciente – pois a grande maioria deles vem de lá – esta “coisa” já fez o seu papel. Diante de tudo composto ou do nada feito, a “aspiração da imaginação” atuou de forma benéfica em nosso sistema motivador, rolamento mestre da criatividade. Se isto não pode ser colocado em prática, pelo fato de fugir de seu alcance, o que devemos fazer!? - Eis uma boa pergunta

Sonhar, já dizia o poeta Mário Gerson: “É você visualizar os horizontes que os outros não visualizam”. Quem sou eu para proporcionar a outra pessoa a “visualização” daquilo que posso chamar de paixão? Uma paixão à primeira vista, ou melhor, a primeira “sonhada”.  Na alegria primordial de conter no coração um pedaço de esperança por aquilo que só nós acreditamos ser capaz se tornar real, que possamos conviver com a sutil dicotomia entre o querer (sonhar) e o fazer (concretizar). Um feliz domingo de Pentecostes!
Hugo Galvão
Enviado por Hugo Galvão em 26/05/2006
Código do texto: T163621
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Sobre o autor
Hugo Galvão
Natal - Rio Grande do Norte - Brasil, 39 anos
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Hugo Galvão