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COSTUMES, CULTURA E PATRIOTISMO

Quando da estada em Buenos Aires, por alguns dias, pude observar que a ênfase que os argentinos dão ao futebol estende-se, também, por vários outros setores de seus cotidianos.

A euforia com que se reportam à cultura do tango é algo que consideramos excepcional, haja vista, dentre outras ações, eles possuírem um canal de TV que praticamente por todo o tempo divulga e ensina a maneira de se dançar aquela música tradicional.

Mas, essas atitudes não ficam por ai. Nas ruas, também presenciamos crianças e mesmo adultos executando com seus bandoneons vários tangos de reconhecido sucesso em todo o mundo.

Em diversos shows onde mostram a exuberância desse ritmo, marca registrada dos argentinos, arte e emoção mesclam o amor que nutrem pela terra pátria, e não raro, ao término dos espetáculos, exibem com entusiasmo sua gloriosa bandeira.

Especificamente na casa de shows Carlos Gardel, consta no menu pratos cujos nomes apresentam títulos de tangos consagrados, como sendo uma homenagem sempre presente àquelas peças musicas e seus criadores.

Naquele momento de beleza rara e exaltação à cultura musical da Argentina, reportamo-nos ao Brasil e tristemente sentimos a nossa cruel realidade.

Nossos Hinos estão maculados por um “modernismos irreal e incabível” que deixa de lado seus perfis tradicionais e históricos, embarcando numa “canoa furada” para levar aos mais jovens uma espécie de “apelo patriótico ilusório”, como se essa forma musical esdrúxula pudesse trazer um sentimento pátrio maior para eles.

  Um dos exemplos dessa negatividade acontece na Voz do Brasil, onde o Guarani, de Carlos Gomes é executado de forma desrespeitosa, com uma guitarra estridente que merece nosso repúdio, por fugir totalmente a idéia e características do compositor que o criou.

O que traduzimos de tudo isso, é que eles são verdadeiramente patriotas, não por acaso ou por momentos, imperando lá o verdadeiro civismo, enquanto do lado de cá, prevalece o “cinismo”, aliado a tantas mazelas dentre elas a corrupção, a impunidade e por conseqüência, o caos social em que vivemos.

  Imaginemos se fossemos nos valer do exemplo patriótico dos argentinos e nos cardápios dos nossos restaurantes constasse: “A dança da garrafa”, “Musicas do É o Tchan”, as aberrações “Funks”, entre outras mediocridades que abundam por ai...

Luiz Guimarães Gomes de Sá
Médico e Membro da Academia Pernambucana de Música



LUIZ GUIMARAES
Enviado por LUIZ GUIMARAES em 01/06/2006
Reeditado em 01/06/2006
Código do texto: T167412
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Sobre o autor
LUIZ GUIMARAES
Recife - Pernambuco - Brasil
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