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MORMONISMO, MAÇONARIA – TEMPLOS, DIFERENÇAS E SEMELHANÇAS

Cesóstre Guimarães de Oliveira
cesostre@hotmail.com
Loja Maçônica Humanidade e Concórdia, nº 2851
GOB no Maranhão



“Pretendemos o privilégio de adorar a Deus Todo-Poderoso de acordo com os ditames de nossa própria consciência; e concedemos a todos os homens o mesmo privilégio, deixando-os adorar como, onde ou o que desejarem.”
(Joseph Smith - 11º Regra de Fé)


Ao iniciar esta resenha, faço, lembrando a meu leitor que sou um Mórmon Maçom, por isso, em alguns momentos você deverá notar que falo tanto como se pertencesse a uma organização, quanto a outra, todavia, a essência da escrita em nada será prejudicada já que meu interesse é tão somente desmistificar o profano e exaltar o sagrado, trazendo luz e verdade a um tema tão discutido e temido por leigos e eruditos. A você que resolveu se aventurar em minha escrita, meu conselho é... “Leia, e só então tire suas conclusões.”
É quase inevitável, ao pesquisar sobre a relação Mórmons Maçons não nos questionarmos sobre a possibilidade de haver alguma relação entre os rituais praticados nos templos dos maçons e as cerimônias realizadas nos templos dos mórmons. Algumas vezes tenho me deparado com escritos daqueles que discordam dos pensamentos e doutrina Mórmon, pessoas que levianamente acusam o Profeta Joseph Smith de haver “tomado emprestado” elementos da Maçonaria para desenvolver as cerimônias do templo. Mas, qualquer um que resolva pesquisar, mesmo que seja de forma superficial, concluirá que o “Endowment”, estar mais relacionado com as escrituras, (especialmente os livros de Abraão e de Moisés), e tradições “coptas” do que com os rituais da Maçonaria. Nós Santos dos Últimos Dias acreditamos ser verdade, e é, que as cerimônias do templo na forma em que as temos hoje, nada mais são do que a consolidação de antigas praticas religiosas dos predecessores e precursores do cristianismo. “Sua possível semelhança com rituais maçônicos deve-se a um ocasional encontro na história da humanidade, a Maçonaria um dia bebeu na mesma fonte doutrinária de onde jorrou o cristianismo.” Qualquer um que esteja despido de preconceito, sentimento este tão pernicioso a inteligência e ao bom senso, resolva pesquisar este tema, facilmente notará que os dois tomaram rumos diferentes na história da humanidade. Enquanto a Maçonaria parece estar preocupada em preparar o homem para se tornar melhor neste plano de existência, as doutrinas de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias enfatiza a necessidade de uma mudança de vida no agora, para que se obtenha uma vida melhor no vindouro, um não ameaça o outro, na verdade ambos conciliam objetivos e metas, por isto não considero apropriado desencorajar aqueles que desejam se aprofundar em conhecimento na busca das origens das duas instituições.
Ao investigar as cerimônias realizadas nos templos mórmons, em combinação aos rituais maçônicos, o pesquisador que previamente tenha desenvolvido antipatia a um dos dois, ou a ambos, analisa tudo com desmedida desconfiança, age como que se as diversas formas de cerimônias consideradas sagradas não tenham surgido com o primeiro homem. Aos evolucionistas lembro Waldomiro O. Piazza quando diz: “Outro indicio da religiosidade do homem do paleolítico é a sua manifestação artística, evidenciadas pelas pinturas encontradas em cavernas.” As cerimônias que antes eram puras e sagradas, com o passar das eras sofreram influencias do meio e foram modificadas paulatinamente, mesmo assim conservaram sua essência sobrevivendo até nossos dias.
Esses rituais de alguma forma chegaram aos egípcios, e embora desvirtuados (conforme concepção moderna), eram por eles praticados. Ao chegar no país de Amon-Rá, Jacó e sua tribo se deparou com estes rituais. A história registra que além dos judeus e egípcios, também os cristãos coptas, e maçons medievais inseriram estes rituais em seus contextos. E, agindo como que estivesse a copiar um modelo inefável, procederam da mesma forma os elaboradores da liturgia católica e mais tarde da liturgia protestante. Reclamo como prova de minhas afirmações, algumas características comuns as religiões pré-cristãs com presença tão marcante em nossos dias, dentre estas, chamo a atenção para:

a) O uso de vestuário especial;

b) Uma forma ritualística de se proferir discursos;

c) A dramatização de um acontecimento na intenção de sintetizar a doutrina;

d) Instruções doutrinárias;

e) Uso de gestos simbólicos, (onde destaco este último como padrão comum a todos).

Em meio a tanta simbologia, como que servindo de modelo a todos, encontramos no “Livro Egípcio dos Mortos”, textos contendo orações, registros de uma viajem pós-morte, instruções com a concessão de expressões e sinais peculiares na preparação do homem carnal para a morte física, já que quando ela (a morte) chegar, o falecido terá que passar com êxito pelas sentinelas dos deuses que guardam a entrada da morada eterna. Embora em alguns momentos estas cerimônias contenham diferenças significantes, os paralelos são gritantes e nos conduzem a uma reflexão que aponta para a possibilidade de uma mesma fonte inspiradora comum a todos.
O Livro dos Mortos aborda de forma lúcida seis temas principais:

a) Ênfase na preservação de parte essencial de um rito;

b) Purificação do iniciado (completada com uma unção, lavagem dos pés, e vestes específicas);

c) A Criação, onde se faz um relato minucioso da origem da vida, (inclusive detalhando a esperança de ressurreição);

d) A existência de um jardim (tendo ao centro uma árvore sagrada que de alguma forma, através de seus frutos, após uma refeição ritualística, se obterá redenção;

e) Várias viagens ritualísticas;

f) Redenção final, (após ser interrogado pelo deus Hórus (ou Heru-sa-Aset) o falecido terá permissão de entrar no céu e estará na presença dos deuses).

Espero que meus irmãos de fé (mórmons) não me compreendam mal quando afirmo que essas antigas cerimônias contidas nos pergaminhos egípcios têm paralelos em nossos templos. Os rituais do Templo apresentam semelhanças inquestionáveis quando os comparamos aos rituais egípcios, isto também não quer dizer que o Profeta Joseph Smith tenha copiado os rituais dos antigos construtores e os tenha transformado nos Endowments Sagrados ritualisticamente praticados em nossos Templos.
Nesta minha fala estou a sugerir que tanto os ritos maçônicos quanto os praticados nos Templos Mórmons são herdeiros de uma verdade outrora perdida, e posteriormente resgatada em sua forma pura e perfeita pelo Profeta de Deus. Entendo que ao se transferirem para o país dos faraós os judeus não levaram apenas suas cabras, tendas, e jóias. Levaram também suas crenças e tradições. Não houve cópia de um ritual nem por parte dos egípcios, e nem por parte dos descendentes de Jacó, acredito na desvirtuação de uma verdade outrora comum a todos. Aos que alegam que muitos destes rituais já existiam antes mesmo da chegada de José ao Egito, faço saber a todos; nós membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias cremos literalmente ser a espécie humana de descendência adâmica, partindo desta premissa, cremos que um dia todos fomos instruídos na mesma verdade que outrora se perdeu.
A utilização de alegorias para se explicar uma idéia é farta nos textos sagrados dos diversos seguimentos religiosos, inclusive cristianismo. Embora não se possa, se quer pensar em enquadrar a Maçonaria no contexto religioso, posso dizer que as cerimônias realizadas em nossos templos (Maçom) também são alegóricas, são alusivas aos estágios da vida do homem.
Ao falar de Maçonaria é primordial a qualquer escritor tentar localizar seu momento natalício. Nesta busca por uma verdade que considero perdida, muito já foi escrito, muitas especulações já foram feitas, mas não existe nenhum consenso quanto a isso. Alguns historiadores aceitam como local de nosso “nascimento” o Templo de Salomão, outros apontam para Enoque e sua cidade retirada da terra, outros mais afoitos tentam localizar em Adão o mentalizador da fraternidade, e ainda existem aqueles com idéias mais inovadoras que defendem a ferro e fogo que a Maçonaria nasceu na Idade Média, nos canteiros de construção das antigas catedrais, a partir das necessidades dos pedreiros preservarem suas técnicas de construção. Fiz este aparte sobre a origem da Maçonaria para que meu leitor melhor assimilasse minha próxima fala.
Embora nesta nova dispensação a restauração das ordenanças sagradas se reporte a Kirtland e Nauvoo, nós Santos dos Últimos Dias cremos que as ordenança do Templo são tão antigas quanto o próprio homem, e que a essência do evangelho de Jesus Cristo foi primeiramente revelado a Adão. Posteriormente estas verdades foram reveladas a Sete; Noé; Melquisedeque; Abraão, e a cada um dos profetas conforme a dispensação. Nós, Santos dos Últimos Dias, cremos que as ordenanças realizadas hoje em nossos templos são réplicas fidedignas destes rituais.
Não copiamos a Maçonaria, não copiamos os rituais egípcios, não tomamos parte no movimento de reforma protestante, as ordenanças realizadas em nossos templos são de propriedade exclusiva do Senhor Jesus Cristo e Ele as restaurou através de seu Profeta Joseph Smith.
Todos, principalmente os Santos dos Últimos Dias, devem entender que a filosofia e os grandes princípios da Maçonaria não são incompatíveis com a teologia e a doutrina Mórmon. Tanto a Maçonaria quanto A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias enfatizam a moralidade, o sacrifício, a consagração, e o serviço. Ambas condenam o egoísmo e a cobiça. Além disso, o objetivo do Ritual Maçônico é tornar a verdade tão disponível ao homem quanto ele possa suportar adquirir.
Aqueles que discordam da fé Mórmon tentam a qualquer custo provar a existência de possíveis semelhanças entre os dois rituais, como que se suas próprias vidas dependessem disto, é claro que a intenção final é tão somente desacreditar o Profeta Joseph Smith como restaurador de antigas e perdidas doutrinas cristãs, e assim destruir aquilo que alguns pejorativamente chamam de “seita mórmon”.
Para atender suas necessidades, os inimigos do Evangelho Restaurado, agindo como insaciáveis hienas famintas não notam que as semelhanças existentes entre os dois rituais estão limitadas a uma pequena percentagem de ações e palavras, na verdade, se estes pesquisadores fossem mais atentos teriam notado que o Endowment tem mais semelhanças com os textos coptas que com a Maçonaria. Mesmo quando comparamos os dois rituais, levando em conta o simbolismo, notamos que os significados são diferentes. Talvez a mais forte semelhança entre ambos esteja limitada a explicação da criação e da vida, da obrigação existente dos participantes fazerem convênios, ou juramentos. No entanto, destaco que as Investiduras, ou Endowments, feitos pelos mórmons são convênios realizados reclamando-se a devida autoridade do Sacerdócio, que se honrados estes convênios, conduzirão o fiel a bênçãos eternas provenientes do Senhor Jesus Cristo. Enquanto que na cerimônia maçônica não se reclama autoridade do sacerdócio para realizá-la, nem tampouco, ninguém reclama para si o direito de representante de Jesus Cristo, ou qualquer outra divindade, para agir. A participação ativa de Deus no mundo e na vida dos homens é uma característica do templo mórmon que não encontra paralelos na Maçonaria. Outra diferença que posso destacar aqui, é que a Maçonaria crê em um Deus indefinido, impessoal, a quem universaliza chamando-o de “Grande Arquiteto do Universo”, contrário aos ensinamentos dos Santos dos Últimos Dias que atribui os rituais de Endowments a Deus, que é um personagem real e físico, é o Pai eterno. No mormonismo todos necessitamos aprender que os Endowments direcionam nossos olhares para a eternidade, e seu objetivo é nos preparar para viver eternamente com Deus e desfrutar da vida eterna.
A Maçonaria é uma sociedade fraterna, nada, além disto. Não pode nem deve ser comparada a uma religião. Em seu ritual todas as promessas, juramentos e convênios são feitos entre os membros da fraternidade. Nos templos (Mórmon) todos os convênios são feitos entre os indivíduos e Deus. Na maçonaria, todas as penalidades ou condenações acontecem em consonância com as regras da Fraternidade ou voto dos filiados. No Endowment, só Deus é o juiz, e tudo acontece conforme seus desígnios. Na Maçonaria, os graus atingidos são de grande importância, enquanto que no templo mórmon não existem distinções, todos os participantes são colocados em pé de igualdade perante Deus. Outra diferença que caracteriza a ambas as organizações é o confronto entre o bem e o mal, incluindo o papel do demônio que é bem definido e claramente retratado quando do recebimento dos Endowments, mas, em contra partida, tudo isto é completamente inexistente nos ritos maçônicos.
As cerimônias do Templo enfatizam a salvação para os mortos através dos trabalhos vicários, enquanto que nada no Ritual Maçônico permite ou sequer sugere a necessidade de se agir em nome dos mortos. Nos rituais do Templo Santos dos Últimos Dias as mulheres participam sob todos os aspectos, de todas as ordenanças. Na Maçonaria, embora existam organizações femininas auxiliares, o ritual maçônico as exclui das praticas ritualísticas.
Considero um grande diferencial entre as duas organizações a inclusão das mulheres nas práticas rituais do Templo (Mórmon). O ritual Mórmon tem seu ápice na união eterna do marido a sua esposa e filhos, formando assim uma longa corrente de famílias eternas. Na Maçonaria não existe nenhum paralelo, nada que possa ser comparado a este ensinamento Mórmon.
Eu, quando um Mórmon, vejo os templos maçons fundamentalmente diferentes da forma como são os templos Mórmons.
Eu, quando um Maçom ao me deparar com as semelhanças existentes entre os rituais do templo e os rituais maçônicos, compreendo serem apenas resíduos de uma antiga origem em comum.


APENDICE


ENDOWMENT – Ordenança especial (ou um rito sagrado) realizado nos Templos de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
Quando do recebimento dos Endowments, a pessoa é ensinada sobre algumas doutrinas sagradas, podendo então participar dos ritos, e fazer convênios, ou promessas, com o Senhor. Só participam de sessões de Endowments membros adultos da Igreja, considerados dignos e conscientes de seus compromissos.

COPTA – Cristãos que por volta do Século II viviam no Egito, e adotavam o *monofisismo como regra de fé, e foram condenados pelo Concílio de Calcedônia realizado em 451 d.C.
*Aceita Jesus Cristo como completamente divino, sem heranças humanas.

RITO/RITUAL – Conjunto de regras e cerimônias de caráter sacro ou simbólico que segue preceitos estabelecidos.

KIRTLAND/ NAUVOO – Respectivamente as duas cidade americanas onde foram construídos os dois primeiros Templos, com o objetivo de conceder Endowment.

BIBLIOGRAFIA


Bíblia, Almeida Corrigida e Revisada – Genesis 46:5;8;26
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Madsen, Truman G., ed. O Templo na Antigüidade. Provo, Utah, 1984.
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Oliveira, Cesóstre G. Os Construtores de Templos – Os Mórmons e a Maçonaria, http://www.4shared.com/get/65140167/328d8922/Os_Construtores_de_Templos_-_Os_Mormons_e_a_Maonaria.html - em 04/05/2009
Packer, Boyd K. O Templo Sagrado. Salt Lake City, 1980.
Piazza, Waldomiro O. Religiões da humanidade, pág. 12, Editora Loyola, 1977.
Cesóstre Guimarães de Oliveira
Enviado por Cesóstre Guimarães de Oliveira em 09/07/2009
Código do texto: T1689819

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Sobre o autor
Cesóstre Guimarães de Oliveira
São Luís - Maranhão - Brasil, 51 anos
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