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Abandono escolar-reflexão conjunta.

Como agente de ensino integrada na direcção de uma Escola Agrupada estive presente numa acção de formação e informação sobre o abandono escolar, facto que tem vindo a aumentar de forma significativa na região de Braga e Barcelos.Ora o ensino em Portugal é obrigatório até ao nono ano, mas os alunos que perfaçam 15 anos até quinze de Setembro são considerados fora da escolaridade obrigatória.Para além do índice elevado de retenções,apesar dos projectos curriculares de turma,os alunos abandonam a escola porque nela não vêem qualquer motivo.A questão basilar assenta contundentemente na falta de motivação face à realidade que a escola oferece.Ora esta falta de motivação conduz inevitavelmente ao insucesso.Ponto assente e diagnóstico inequívoco de grande parte da classe docente.Porém, o prelector, Dr Rocha da Dren(direcção regional de educação do Norte)acrescentou um facto que pulupa nas mentes dos professores, o qual não se atrevem a divulgar, pois implicaria ter que dar a cara e confessar"mea culpa".Refiro-me de forma evidente à realidade dos docentes que quotidianamente privam com estes alunos.Não se trata de fazer doer, magoar até, trata-se de abordar a questão de cima para baixo de modo a encontrar soluções e terapias credíveis, porque as há,apesar da morosidade da sua implementação.A mentalidade tem de mudar, pois o tempo do "magister dixit" já lá vai.Trata-se de trabalhar competências e não conteúdos.Mas para tornar alguém competente, temos de o ser e demonstrá-lo com altruísmo, perseverança, equilíbrio, autodomínio.Para isso a escola pode contar com parcerias que contribuirão indubitavelmente para a realização total dos indivíduos que formamos.Sem perversidade, sem nos determos em questiúnculas supérfluas e nefastas ao engrandecimento dos futuros adultos.Temos de ser profissionais.Temos de verificar as diferenças e trabalhá-las.Fazer em suma unidade na diversidade.
Se me perguntarem se eu gosto de batatas à espanhola, eu direi que nem por isso, mas se for uma esparguete à Bolonhesa, aí já adiro.Ora tal se passa com os alunos que temos, só que eles são sempre os últimos a sugerir, a opinar, a querer, daí que frustração em cima de frustração, virem as costas à escola.Motivo?Não aprendia, é hiperactivo, tem dificuldades básicas, é irrequieto, tem os pais que discutem muito e está desmotivado e um sem número de razões que diariamente apontamos.Eles são sempre os culpados e os pais deles.Enfim...não se trata de criminosos, trata-se de crianças adolescentes que bebem na nossa fonte e mediante o tipo de atitude e comportamento que tenhamos, reagem.Se for um professor desmotivado, o aluno também se sentirá desmotivado, se for um professor optimista o aluno também será optimista, porque nós somos os seus modelos e sabemos mais do que eles e até do que os pais: somos profissionais competentes!Podemos encaminhá-los, verificar as suas dificuldades e contigências, encorajá-los, amá-los,encaminhá-los e nutri-los.
Somos cúmplices deste abandono.Neste caso refiro-me a alunos à piori normais, pois se não o forem há as parcerias que a escola tem e às quais podemos recorrer: Psicólogo, Segurança Social, instituições profissionais...É só querer!Ter brio profissional, apesar das reivindicações(pessoais, que nada têm a ver com eles) que façamos.
Ser professor é vocação.
A maior felicidade é encontrarmos os nossos alunos pela vida fora e eles serem adultos responsáveis e encaminhados.Que satisfação!
Senti que o prelector falava a minha linguagem e fiquei feliz, apesar dos gráficos que nos apresentou.Estamos sempre em tempo de mudar e melhorar o nosso desempenho para formar alunos de modo a que sejam sucedidos(sem perversidade!),pois no sucesso deles vemos o nosso.
Harmoniae
Enviado por Harmoniae em 14/05/2005
Código do texto: T16961
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Sobre a autora
Harmoniae
Portugal, 50 anos
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Harmoniae