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Cobra Grande

Não é segredo que algumas pessoas se dão bem praticando o mal. Não sendo punidas dão mau exemplo e ainda intimidam pessoas de bem.

O Poder Judiciário expõe sua ferida. O caso Anaconda trouxe pesadelo ao setor, quando uma juíza quebrou o sigilo dos suspeitos, incluindo juízes envolvidos. Maurício Corrêa, então presidente do STF, defendeu que uma dezena de magistrados é uma minoria insignificante num universo de quinze mil e que a população deveria confiar mais na Justiça.

A Polícia reclama que ela prende e o Judiciário solta. A Justiça alega que nosso código civil está ultrapassado e foi feito para a defesa, não para a condenação. A população vê, impotente, a impunidade prevalecer à sua volta. Não é questão de crédito, é constatação.

A população sente-se presa em suas próprias casas  e insegura na sua liberdade. Quem deveria estar preso não está e sente-se mais seguro com seu poder de intimidação. O povo não concorda, mas teme. A polícia pode, na sua grande maioria, não concordar, mas está de mãos atadas.

O Judiciário faz sua parte, mas as leis são falhas. Portanto, só mudamos o mundo se mudarmos o homem. Os poderes constituídos funcionam mal devido à contradição dos interesses dos que elaboram as leis, muitas de conveniência própria, que se tornam depois, por conseqüência, de domínio público. A Lei Fleury é exemplo disso.

Quando o poder sobe à cabeça, o abuso é inevitável. Delegando poderes a quem tem preço, quem paga a despesa é o povo. Questão de princípios – que a pessoa tem ou não. Quem se vende não vale o preço pago, mas vende-se por qualquer preço.

A juíza mostrou  o caminho das pedras: quebra de sigilo. Para todos, sem exceção. Todos os bens têm origem numa ação. É preciso transparência nessa ação. Todos têm direito ao trabalho e ao enriquecimento como produto de uma ação legal e inteligente. Sabemos, no entanto, de casos isolados que não são assim. Não é segredo que certas pessoas se dão bem praticando o mal. Não sendo punidas são mau exemplo e ainda intimidam pessoas de bem.

Nem todos estão preparados para o papel de mártir e o bom-senso lhes aconselha, então, que em boca fechada não entra mosquito. E assim a coisa evolui... E assim caminha a humanidade...

Vale a pena? Talvez não dê mais para responder essa pergunta... Infelizmente! Pois, embora haja aquele ditado de que “tudo vale a pena, quando a alma não é pequena” – a alma, somente ela, é imortal...
Lourenço Oliveira
Enviado por Lourenço Oliveira em 08/06/2006
Reeditado em 08/06/2006
Código do texto: T171707
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Lourenço Oliveira
Salesópolis - São Paulo - Brasil
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Lourenço Oliveira