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LUXO E MISÉRIA

                                                             

É de Joãozinho Trinta um comentário bastante divulgado: “ O povo gosta de luxo; intelectual é que gosta de miséria.”

A bem da verdade, não sei de alguém, intelectual ou não, que goste de miséria. Há religiosos que fazem voto de pobreza, mas não há cristão, budista ou muçulmano que faça voto de miséria.A miséria não é uma bem-aventurança.Muito pelo contrário, é um empecilho para a salvação do homem. Segundo Sto. Tomás, a suficiência de bens corpóreos é condição de virtude.

O que alguns intelectuais vêem é que luxo e miséria são duas faces da mesma moeda: é a miséria de muitos que possibilita o luxo de uns poucos.

O professor suíço Jean Ziegler, por exemplo, critica a idéia de Adam Smith de que a riqueza não se adquire de ninguém. Os bilhões de dólares que se acumulam nos bancos suíços, diz ele, não vieram do espaço: vieram do Brasil, do Zaire, das Filipinas e de outros países do Terceiro Mundo. São o sangue e a miséria de povos da África, da Ásia e da América Latina.

Fica claro que desenvolvimento e subdesenvolvimento também são faces da mesma moeda. A primeira conseqüência dessa constatação é tornar patente que o desejo de um país do Terceiro Mundo de passar a fazer parte do Primeiro Mundo não passa de uma veleidade infantil.

O ritmo desenfreado de produção e consumo dos países ricos se processa a expensas dos países pobres e inviabiliza o desenvolvimento destes. O único caminho viável para os países do Terceiro Mundo é a integração regional.Não como resultante do processo de internacionalização do capital, pois este mantém e até reforça a condição de economia dependente e alarga, dentro de cada país, o fosso entre os poucos que possuem muito e os muitos que possuem pouco.

Só a integração de países irmãos, que em condições de igualdade ponham seus recursos em comum, possibilitará um crescimento autônomo com a força necessária para romper a submissão e para viabilizar um novo modelo de alocação desses mesmos recursos, orientado para a satisfação das necessidades básicas de todos e não para o consumo conspícuo de minorias privilegiadas.
José Lisboa Mendes Moreira
Enviado por José Lisboa Mendes Moreira em 12/06/2006
Reeditado em 20/07/2006
Código do texto: T174363
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Sobre o autor
José Lisboa Mendes Moreira
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil
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