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CARTA ABERTA

Há pouco tempo, tivemos a grata satisfação de ver reaberto um dos mais tradicionais espaços de diversão e cultura da nossa cidade. Como é conhecimento de todos, o ELITE reabriu com uma proposta nova. Esta proposta incluía não só o resgate do ELITE dos velhos tempos, onde se praticava a mais autêntica dança de salão desta cidade, mas também o objetivo de se tornar mais um espaço cultural, onde se poderia divulgar a boa música, a boa literatura, enfim, o que há de melhor da produção cultural da nossa cidade. O ELITE reabriu, inclusive, com um nome que deixava bem clara a intenção de seus novos proprietários: ELITE BAR ESPAÇO MULTICULTURAL.
   Quem lutou para restaurar este espaço foi um grupo de jovens empresários, que resolveram enfrentar esta nova empreitada mais com a cara e a coragem do que com o precioso capital que abre todas as portas. Com muita luta, os rapazes colocaram nesse empreendimento o que tinham e o que não tinham, esperando contar com o retorno que lhe seria proporcionado por eventos ousados e com o que poderia lhes render um nome e um ponto tão conhecidos que habitam a memória de todos os belorizontinos que freqüentaram, por devoção ou por pura curiosidade, o melhor que havia da noite boêmia de BH.
   Entretanto, por questões legais que não ousamos discutir à luz do direito, o ELITE BAR ESPAÇO MULTICULTURAL foi interditado recentemente pela Prefeitura de Belo Horizonte. Não queremos discutir aqui o mérito da questão: se o ELITE tinha ou não alvará de localização ou se a casa atendia ou não ao exigido pela lei do município para funcionar. Achamos, porém, que, para uma prefeitura que se diz interessada em preservar o passado e a história de nossa cidade, interditar o ELITE foi uma grande contradição. Não esperávamos, por exemplo, que o poder público injetasse recursos para recuperar este patrimônio de Belo Horizonte. Nem tampouco que entidades privadas apoiassem os empresários que resgataram o ELITE. Mas esperávamos que, pelo menos, ninguém agisse no sentido de tornar inviável a reabertura daquela casa. Os jovens empresários, que hoje se encontram numa situação difícil, vendo ser jogada fora qualquer possibilidade de recuperar a casa que remontaram, não merecem estar nessa situação. E Belo Horizonte também não merece perder um espaço cultural deste porte.
   Se o bom senso e o respeito à cultura e ao passado desta cidade prevalecerem, sei que sempre haverá uma saída que não seja a PBH inviabilizar a reabertura do ELITE BAR ESPAÇO MULTICULTURAL. Assim, apelamos para as autoridades e a todos que valorizam a cultura e a preservação do nosso passado, para que busquem uma solução que traga o nosso ELITE de volta.
   Já se disse na Grécia Antiga que “Justiça é tratar como iguais os casos iguais e como desiguais os casos desiguais”. O ELITE não pode receber o mesmo tratamento do botequim copo sujo da esquina do “caixaprego”. Respeito ao nosso passado e à nossa História é tudo que queremos.

Luiz Lyrio (Professor, escritor e boêmio aposentado)
revista@yahoo.com.br
Luiz Lyrio
Enviado por Luiz Lyrio em 18/05/2005
Código do texto: T17658
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Sobre o autor
Luiz Lyrio
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 67 anos
17 textos (1899 leituras)
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