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PARA ROUBAR UM PAR DE TÊNIS

       
     
                                                                                                             

Egoísmo, inveja e injustiça não são coisas novas na história do homem, mas sempre foram combatidas pela sabedoria tradicional inspirada pelos grandes líderes religiosos da humanidade. Ao longo dos últimos seiscentos anos, a chamada modernidade, cujas raízes datam do século XIV, vem-se distanciando, paulatinamente, dos ensinamentos da religião.

  Lord Keynes, o economista mais influente da nossa época, propôs a inversão explícita de valores: “Devemos simular para nós e para todos que o justo é injusto; pois o injusto é útil e o justo não o é”. Segundo ele, o progresso econômico só é alcançável através  do egoísmo e conseqüente injustiça. O resultado é que a economia moderna é impelida por um frenesi de ambição e entrega-se a uma orgia de inveja e isto não são características acidentais, mas as próprias causas de seu sucesso expansionista.

Para Keynes, existem necessidades absolutas e relativas. As primeiras são as limitadas necessidades biofísicas de alimento, abrigo, vestuário, transporte e de serviços elementares que ajudam o indivíduo a se manter como um organismo sadio. As necessidades da segunda classe são aquelas que satisfazem o desejo de superioridade e podem, na realidade, ser insaciáveis.

Em cima desta classe de necessidades é que se constituiu a sociedade de consumo que comporta tantos desperdícios e estragos. Foi nos Estados Unidos, na década de 50, que se estabeleceu a prevalência do consumo sobre a produção. De lá para cá, a mentalidade consumista, criada pela publicidade, se espalhou pelo mundo capitalista, se infiltrou – qual cavalo de Tróia – no mundo socialista e aluiu o Muro de Berlim.

As armas utilizadas pelo consumismo foram a obsolescência planejada e o obsoletismo psicológico. Planejar a obsolescência é encurtar, deliberadamente, a duração de produtos fabricados. Quanto ao obsoletismo psicológico, pode ser bem ilustrado pela seguinte frase: “O que torna grande este país é a criação de insatisfação pelo que é velho e antiquado”.

Estas palavras foram pronunciadas por um diretor de publicidade em 1955, nos Estados Unidos, na mesma época em que os consultores psicológicos concitavam os comerciantes de diversos produtos a se tornarem “mercadores de descontentamento”. Passados 51 anos, reina insatisfação nos quatro cantos do mundo: quem tem pouco, quer ter muito; quem tem muito, quer ter mais.

                                                     Deu nos jornais:
  Pivete de 15 anos mata menina de 16 para roubar um par de tênis.




José Lisboa Mendes Moreira
Enviado por José Lisboa Mendes Moreira em 16/06/2006
Reeditado em 20/07/2006
Código do texto: T176734
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Sobre o autor
José Lisboa Mendes Moreira
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil
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