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Sua Imagem na Internet

Quanto controle você acha que tem sobre a sua imagem na Web?

Ando meio sem tempo. Meio não, quase completamente sem. No entanto, vale a pena investir alguns minutos escrevendo um texto que considero ser de utilidade pública. Trata-se de uma questão que já há muito tempo tem me feito pensar: a imagem que temos na Internet, ou seja, reputação e graus de exposição virtual. Para mim, tal tema andava meio adormecido, até que no último dia 05 de setembro, topei com uma nota na seção Informática, do site Folha Online. A matéria, assinada por Daniela Arrais, intitula-se: “Projetos mostram como a internet vê você e como o mundo se sente” (3). Dê uma lida quando puder. Vale a pena.

As diferentes formas de como informações podem ser varridas e rearrumadas na Internet podem ser fonte de vários problemas. E neste caso eu falo com conhecimento de causa, pois já andei brincando com algoritmos na área de mineração de dados (data mining). Além de 'boicotes' e 'linxamentos' virtuais (o tal do mobbing), que são campanhas orquestradas na rede para acabar com a imagem de alguém ou de alguma instituição, persistem as velhas tentativas de roubo de informações confidenciais, como números de cartões de crédito, dados bancários etc., bem como outras situações menores, e não por isso livres de perigo.

Você já parou para pensar no que pode acontecer com as fotos que disponibiliza na rede? Uma rede de TV espanhola (Andalucia TV) vem exibindo uma propaganda na qual uma adolescente aparece andando pela rua, e não entende quando 'tantos' homens começam a olhar para ela de forma libidinosa, muitas vezes dizendo coisas do tipo: “Sonhei contigo a noite passada”, “Você é um tetelzinho”, “Gostosa” etc. Ela chega na escola e se desespera ao descobrir uma foto sua, em pose sensual, 'pulando' de um celular a outro dentre seus colegas de classe. Ao final, o slogan da campanha (mais ou menos assim): “Ao disponibilizar sua imagem na Web, ela deixa de ser sua. Cuidado com o que publica!”

Aqui na Alemanha há legislação e um certo controle no que tange ao tratamento de dados confidenciais, informações essas que empresas não devem deixar vazar sob pena de ter que pagar um alto preço –- por exemplo: diagnósticos médicos, dados bancários, etc. No entanto, assustei-me ao consultar um site -- um desses aí que tratam de reunir automaticamente dados sobre pessoas na Web -- e lá encontrar informações ligadas ao meu nome que eu não disponibilizei diretamente, como uma lista de livros (desejados) no site da Amazon, por exemplo. Se a pessoa 'fuçar' um pouquinho mais, descobre facilmente os tipos de livros que já andei comprando e daí pode inferir (este é o termo técnico) várias outras informações sobre mim. Pode?!

Pode! Moral da história: o que uma pessoa não disponibiliza diretamente na Web, pode muito bem ser 'inferido' a partir de seu 'comportamento virtual'. Pelo menos eu fiquei feliz ao notar que o número de fotos relacionadas a mim, no tal site, aparece como zero. Mesmo assim, não estou livre do risco de outra pessoa colocar fotos minhas na rede sem o meu consentimento. Entende mais ou menos o perigo para o qual estou tentando aqui alertar? Pois é...

Pior ainda em se tratando de menores. Não deixe seu filho menor navegar sozinho na Internet e controle o que ele disponibiliza em redes sociais, como o orkut, por exemplo. Quem não lembra mais do que aconteceu com a menina Rachel Maria Lobo Oliveira Genofre, 9 anos, cujo corpo foi encontrado em uma mala, em uma rodoviária de Curitiba (PR), no dia 5 de novembro de 2008? Em matéria (2) publicada na Folha Online , uma das hipóteses é que a menina tenha sido atraída pelo autor do crime por meio da Internet --  Não sei a quantas anda esse caso, se o criminoso foi encontrado ou não, e se a polícia já sabe o que, de fato, aconteceu.

Eu também tenho um perfil no orkut, e me preocupo com o teor das informações que filhos de amigos meus (e os próprios amigos) disponibilizam lá. Parece que essa menina, a Rachel, queria ser escritora... e tinha talento para tal.

Nós, seres humanos, ao que tudo indica, temos uma tendência natural à exibição. Se assim não fosse, como explicar o sucesso estrondoso de programas do tipo reality-shows? Um comportamento "gabola", do tipo ficar se vangloriando da posse ou aquisição de bens materiais e coisas afins pode muito bem despertar o interesse da crescente indústria do seqüestro, não? -- Nesse ponto: ainda bem que eu sou pobre! E de marré, marré, marré! :-)

Tendo essa consciência, sempre que publico um texto, tento avaliar o quanto possa estar revelando sobre mim, ou os outros, e se eu desejo realmente uma tal exposição. No entanto, como descobriu o Pequeno Príncipe de Exupéry, “um dia a gente sempre se distrai...” Imagine uma pessoa que ainda nem sequer tenha consciência dos problemas que uma exposição na rede possa vir a lhe causar?

Já pela terceira vez em menos de 1 ano, encontrei no jornal local dicas do cuidado que se deve ter com o tipo de informações que se publica na rede. Por aqui, na Alemanha, quando alguém se candidata a um emprego, está virando prática comum as empresas 'fuçarem' a vida do candidato(a) na Web. E se o endereço de email para contato for algo do tipo 'honey.bunny77', 'sweet.teddy' ou 'blueeyedboy' aí mesmo é que as chances de ser chamado(a) para uma entrevista certamente diminuem... Ou você acha que uma pessoa 'séria' usaria um email desse tipo?

Estudos realizados por psicólogos da Universidade de Leipzig (1) sugerem que (pelo menos por aqui, na Alemanha) o endereço eletrônico que uma pessoa usa pode levar a boas ou más inferências sobre sua personalidade. Por exemplo: pessoas que utilizam emails com terminação '.de'* tendem a ser vistas como mais responsáveis, comparado a pessoas que utilizem outras terminações, como '.com' ou '.net'. A implicação prática disso é o cuidado que se deve ter no contato online com empresas, principalmente em se tratando de empregadores em potencial. Isso vale também para outros tipos de rastros deixados em blogs e redes sociais, como orkut e Linked.

As formas de espionagem na Internet cada dia que passa ficam mais sofisticadas. Sabia que hackers podem perfeitamente usar a câmera em seu computador para espionar você? Pois é... Como isso pode ser feito exatamente ainda não tratei de descobrir, mas não é tão difícil assim. Uma dica é desligar você mesmo a câmera e evitar delegar essa função ao sistema operacional.

Minha intenção não é assustá-lo, caro leitor, e sim chamar-lhe a atenção para os perigos a que está exposto quando se dispõem a ter uma vida online. Talvez você já soubesse de tudo isso... Não faz mal! De qualquer modo, espero que as informações neste artigo tenham sido úteis. Além do mais, cuidado nunca é demais. Vide que "Seguro morreu de velho!"

Pense a respeito, sim?


Um abraço fraterno.

Referências:
1 – How extraverted is honey.bunny77@hotmail.de? Inferring personality from e-mail addresses - Mitja D. Back et al., Journal of Research in Personality, Volume 42, Issue 4, August 2008, 1116-1122. Link: http://dx.doi.org/10.1016/j.jrp.2008.02.001

2 - www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u464683.shtml

3 - www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u619811.shtml

* Na Alemanha, endereços com terminação '.de' (Deutschland) estão sujeitos a certas regras de publicação na Web que endereços com terminação '.net' ou '.com', por exemplo, não estão. Daí, talvez, a idéia de que transmitem mais confiança.

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Revisado em: 15.09.2010

Helena Frenzel
Enviado por Helena Frenzel em 12/09/2009
Reeditado em 15/09/2010
Código do texto: T1806405
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
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