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AVENIDA SÃO JOÃO - APOGEU E DECADÊNCIA - CAPÍTULO DE APRESENTAÇÃO

O que é livro-reportagem?

É cada vez maior, no meio acadêmico, a predileção dos estudantes de jornalismo por produção de livros-reportagens como trabalhos de conclusão de curso. Talvez essa tendência seja um mero modismo. Particularmente, prefiro acreditar que se trata de uma nova tônica, resultante da necessidade do comunicador em expressar suas idéias. Afinal, é bastante raro – não impossível – que um jornalista recém-formado se torne, de imediato, colunista de alguma mídia impressa que circula no país, em que a subjetividade não lhe é podada.

Segundo Edvaldo Pereira Lima, jornalista, pesquisador e professor da Escola de Comunicação e Artes da USP – Universidade de São Paulo,  “o livro-reportagem é fruto da inquietude do jornalista, que tem algo a dizer com profundidade, e não encontra espaço para fazê-lo no seu âmbito regular de trabalho, na imprensa cotidiana”.

Definir o termo não é tarefa simples. Há uma grande confusão criada entre a maioria dos estudantes que se interessam por esse tipo de mídia. Primeiramente, é importante salientar que, como o próprio nome indica,  livro-reportagem é uma produção jornalística por excelência e, portanto, não pode se desprender dos padrões e práticas adotadas pelos meios de comunicação como regra fundamental.

“Muitos alunos, ao se lançarem na aventura de escrever um livro-reportagem, esquecem de alguns fundamentos básicos do jornalismo. Eles acreditam piamente que têm total liberdade de criação”, salienta Celso Falaschi, professor de jornalismo literário na PUC – Pontifícia Universidade Católica, de Campinas.
 
Essa é a concepção errônea que tomou parte do meio acadêmico, ou seja, fazer da tese um veículo de exposição de idéias, sem convicções jornalísticas e, o mais grave, sem obedecer aos conceitos adquiridos no decorrer do curso universitário.

Em suma, livro-reportagem pode ser definido como uma produção jornalística, utilizando as regras adotadas como padrão pelos meios de comunicação, e que tem como objetivo primordial entreter e informar os leitores sobre determinado assunto de relevância social.

Por que Avenida São João?

Essa é a pergunta que mais ouvi durante o período em que trabalhei no desenvolvimento deste livro.

Talvez, para quem observa a São João com olhos contemporâneos, seja difícil imaginá-la como tema de um livro-reportagem, principalmente porque sua atual realidade social está muito distante do charme e glamour de outras épocas.

Apogeu

Entretanto, uma história é feita de memórias. E, vasculhando os arquivos, descobre-se que não há outra avenida em São Paulo com uma trajetória tão rica, marcante e envolvente.

No período compreendido entre o final do século 19 e meados do subseqüente, a São João era considerada o principal ponto de encontro da cidade e, pela infinidade de cinemas e teatros, conhecida como Broadway Paulistana. Importantes personagens da nossa música, política e cultura, faziam dos bares –  principalmente o Brahma –   verdadeiros redutos da boemia.
 
As palavras do historiador Apparecido Jannir Salatini refletem com fidelidade o caráter romântico da época: “Foi lá que conheci e pedi minha esposa em casamento. Portanto, há uma ligação profunda entre mim e a São João”.

Assim, graças aos livros e à vívida lembrança de alguns personagens que acompanharam sua trajetória, a avenida pode, novamente, ser enaltecida e ter sua importância histórica resgatada.

Decadência

Por se tratar de um livro-reportagem, Avenida São João: apogeu e decadência aponta também um lado negativo, que não gostaríamos de ver mas que, infelizmente, faz parte da realidade.

Os problemas não podem ficar ocultos. Pelo contrário, devem ser encarados de frente, cabendo aos responsáveis e à própria população a busca de soluções. Imaginem um filho que, por uma série de circunstâncias, envolva-se com drogas, prostituição e outros delitos degenerativos. Nem por isso ele vai deixar de ser um membro da família, e tudo que estiver ao alcance dos pais, com certeza eles o farão para recuperá-lo. Assim é a São João que, como toda a região central, passou por um período de degradação cultural, de perda de identidade, mas que continua sendo a mesma avenida e ocupando o mesmo espaço físico.

Não convém a nós, simples mortais, apontar quaisquer perspectivas para o futuro. Portanto, esse livro não tem como objetivo conscientizar os leitores sobre eventuais problemas sociais, mas resgatar valores históricos e culturais, além de tornar, definitivamente pública, a importância da  avenida para a formação da sociedade paulistana.

“Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João.”

Que esses versos de Caetano Veloso continuem sempre autênticos e perenes, despertando a emoção, não somente dos novos baianos, mas de todos que admiram e circulam por esse pequeno mundo chamado Avenida São João.

OBS: Parte integrante do livro "Avenida São João - Apogeu e Decadência". Se você gostou do primeiro capítulo e quiser conhecer o livro, favor entrar em contato por e-mail.

COPYRIGHT © TODOS OS DIREITOS RESERVADOS
Para a aquisição desse texto para fins de qualquer natureza – inclusive para reprodução, trabalhos profissionais ou acadêmicos –, favor entrar em contato pelo e-mail jdmorbidelli@estadao.com.br.

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JDM
José Donizetti Morbidelli
Enviado por José Donizetti Morbidelli em 14/07/2006
Reeditado em 30/10/2009
Código do texto: T193873
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
José Donizetti Morbidelli
São Paulo - São Paulo - Brasil
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José Donizetti Morbidelli