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Dragão Oriental (30/12/2005)

          Quem nunca comprou algo e na etiqueta do produto estava escrito “Made in China”? O dragão chinês acordou e quem pensa que este populoso país oriental, com pouco mais de 1,3 bilhão de pessoas, só produz manufaturas ou produtos pirateados, como tênis e alguns equipamentos eletrônicos, está redondamente enganado.

          Um país comunista, que até a pouco tempo atrás lutava para recuperar Hong Kong do controle inglês, é hoje a maior concorrência em termos econômicos, tecnológicos e militares aos Estados Unidos. Unindo mão-de-obra abundante e barata, negociando matérias-prima a baixo custo, o país consegue manter um crescimento anual na casa dos 10%, isso devido ao “freio” estipulado pelo governo chinês, que não vê com bons olhos um “boom” de crescimento econômico, como o ocorrido às vésperas da quebra da bolsa de Nova Iorque, em 1929. Esse governo, aliás, é o principal responsável pelo atual crescimento, devido ao seu rígido controle. A China, por mais incrível que possa parecer, é um país agrário, pois a maioria da sua população sobrevive da renda gerada pela agricultura, predominantemente as plantações de arroz, e “apenas” 400 milhões de chineses vivem nas cidades. O governo, através de medidas rígidas, impediu a rápida modernização de sua agricultura, barrando a ida de multinacionais do setor agrícola para o país e estancando o possível desenvolvimento do setor, evitando que muitos trabalhadores perdessem  seus empregos, afinal a agricultura é o setor que mais emprega no país.

          Controlado o setor agrícola, empenhou-se em desenvolver as “parcerias público-privado”, quando o governo chinês controla 50% das ações da empresa e, mais do que isso, direciona investimentos, busca novos nichos de mercado e busca desenvolver o emprego no território. Hoje, já possui capacidade tecnológica de invejar, principalmente ao Brasil, que tempos atrás, encontrava-se mais desenvolvido que a China, e hoje tem que se submeter ao poder econômico amarelo. Além de atuar no setor da pirataria, copiando e distribuindo ao mundo os mais diversos produtos, seu pólo tecnológico atraiu muitos investimentos e certamente, em poucos anos, estará intimidando as gigantes sul-coreanas, como Samsung e LG.

          Outro setor, esse agora que está assustando os americanos, é o automobilístico. Com carros literalmente idênticos aos americanos, fruto da cópia, eles conseguem vender seus modelos por até U$ 5.000, ante os U$ 10.000 ou até U$ 15.000 dos americanos. Recentemente, as indústrias chinesas enfrentaram processos judiciais devido aos nomes de suas marcas, que lembram as dos americanos, quando tentaram introduzir essas marcas nos EUA. Ainda, existem grupos de investimentos americanos dispostos a investir pesado na construção de várias concessionárias para, já no ano de 2006, iniciar a venda desses automóveis chineses na
terra do tio San.

          A pergunta que todos americanos conservadores e egocêntricos devem estar se fazendo é como um país opressor e sem liberdade de expressão, que controla rigidamente até os nascimentos, pode alcançar um desenvolvimento que, certamente, e isso é uma questão de tempo, ultrapassará o “American Way of Life”? A resposta é exatamente essa: é um país que centralizou todas as decisões de investimento, tanto em infra-estrutura, como nos parques industriais, começando pela base, a educação, ampliando a capacidade de formação de técnicos e profissionais. Certamente, a falta de democracia e liberdade de expressão afetam negativamente o país, mas ao mesmo tempo evitam disputas políticas que não geram resultados, se não somente perda de tempo. Tomando as decisões certas, nas horas certas, e, o principal, sem querer prejudicar seu povo, o governo conseguiu elevar o PIB per capita a valores sequer imaginados anos atrás. Nesse caso, a burocracia para se aprovar um novo projeto, votar medidas da constituição ou aprovar o novo orçamento cai a níveis perto do zero, já que tudo está centralizado. Essa centralização seria maléfica se fosse apoiada por nações imperialistas, como antigamente foi a Inglaterra, e hoje são os EUA. Felizmente, o comunismo "sobreviveu" à queda da URSS, já que a China não era muito dependente do comércio que havia dentro desse sistema, e conseguiu se manter e desenvolver sem a ajuda, ou sem a interferência, de outras nações. Por último, este será o país a desbancar os Estados Unidos, que já possui uma dívida interna de U$ 8 bilhões. E não apenas desbancar comercialmente, produtivamente ou economicamente, mas também militarmente, já que, com o dinheiro que a China possui, uma reserva de mais de U$ 600 bilhões, e a maior população do mundo, seu exército certamente será maior e bem mais equipado do que é hoje. Com os conflitos que vemos hoje - religiosos, econômico e energéticos - dentro de décadas, infelizmente penso eu, haverá uma nova guerra para a disputa do controle de emissão de moeda mundial e detenção do maior e melhor poderio militar, isso sem contar o econômico, e a China é a mais provável a vencer. Preparem-se, dentro de tempos poderemos estar convertendo Real em Yuan.
brunão
Enviado por brunão em 21/07/2006
Código do texto: T198472
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Sobre o autor
brunão
Aguaí - São Paulo - Brasil
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