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Um passado sempre presente

        Nos raios astros passados e remotos de um distante longínquo que já se foi, o tempo passatempo remonta as histórias de criança das quais a memória falha, os instantes vividos se encalham no espaço e tudo se espalha nos encalços dos passos outrora dados e sequer imaginados um dia. Perdidos no tempo, pequenos fatos, artefatos da história pessoal e posta à vista apenas para si, são constantemente retomados e moldados para a realidade presente sem ao menos ser convidado. O que era, não já passou? Por que então voltar, soltar as rédeas agora da imaginação, pois antes, sem uma gota de previsão – ao menos de uma curta visão até onde pudesse alcançar com um pouco de exatidão, até onde tudo poderia dar –, nada fora planejado?
Apenas é isso, indícios de um passado, reativa a memória presente e não se ausenta mesmo quando estamos dispostos a esquecer. Aquece o que antes estava se apagando, dando lugar a novas experiências, que por excelência ocupam seus espaços com antecedência na ciência dos fatos anteriormente sabida pelo instinto contido no mais simples dos animais, sejam racionais ou não. E é a racionalidade que nos fornece a liberdade de escolher ir e vir das ações físicas ou metafísicas, do ser que pensa e pensante arrasta consigo uma carga carregada de pensamentos, lembranças, memórias, sabedorias cientificas e de vida, que cria e recria os espaços outrora passados, os outros que ainda serão sentidos, os ditos tidos ainda como obscuros e desconhecidos.
É verdade que não vivemos do passado, mas ele nos molda, malgrado o desejo de fazer um presente diferente que dantes. De outro modo, somos capazes de refazê-lo, mostrando um sentido oposto aos fatos transcorridos e nada agradáveis. Nas linhas tortas e atordoadas pelo tempo, podemos desentortá-las, tornando o passado presente sem manchas, para um futuro melhor em tudo que tornava a vida insegura, na labuta diária do trabalho árduo no qual, dia-a-dia à vista do espectador, tudo vai bem.
Não! Não vivemos do passado, porém, como afirma o Prof. Manfredo Krieck – da UFSC – “o passado vive em nós. A forma mais efetiva de criar memórias do futuro é o desenvolvimento de cenários”, os quais, obviamente, já estão criados na mente que ascende progressivamente na cadeia de mais informações neurais. Progredir nas lembranças do passado é saber que a sabedoria vive do acumulo e não do desuso de tudo que foi sentido por alguns dos nossos órgãos ou membros externos e sensitivos. É assim que se constitui a história, que se constrói a filosofia, que se aprimora a arte e vive o amor; é assim que a vida acontece, na ação que rejuvenesce o coração mais antigo que dentro de um ser possa habitar.
Feliz de quem encontra na literatura e na poesia, na arte de ser feliz, na cultura idealizada e efetivada a cada dia, a aurora mais estonteante que os olhos possam contemplar, numa idade em que a visão não mais tanto importa, todavia é a audição que abre as portas, de todos os corações transbordantes de esperança.
Hugo Galvão
Enviado por Hugo Galvão em 25/07/2006
Código do texto: T201512
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Sobre o autor
Hugo Galvão
Natal - Rio Grande do Norte - Brasil, 37 anos
55 textos (6165 leituras)
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Hugo Galvão



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