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Quem você pensa que é cumpadre?

A real e porca miséria humana reside dentro de cada nobre coberto de seda, seda sobre a lona. A rua varrida de sol pisada pelo buraco, furado, chinelo, borracha, queimando, rangendo, abriga e castiga. A casa quente de luz, fria mentira de gelo castiga, castiga. De fome se morre em dias, a podridão já nasce morta dentro de quem vive morto.
A vida dá o pão a quem tem pão, da a mão a quem tem mão, a vida dá o que já se tem, e cada vez mais tira o que te falta de dentro, sugando, tentando fazer sobrar o lado podre que prevalece quando a mão não alcança o pão em cima da mesa. Alí onde a fome não chegou e que reina o calor do povo.
O povo, ahhh o povo, que reclama da miséria, miséria miséria, miséria... coitados que não sabem o que é isso! Olhe pra dentro meu amigo! Olhe lá dentro!! É que tá a sua resposta, sua não-miséria, tenha pena daqueles lá, que vêm e viram e keep walkin... Você lá sabe o que é isso amigo? Mas e daí? Do samba do pé da cadeira quebrada que comanda o suing, que traz aquele mundo do final de expediente dentro da onda de gargalhadas do almoço em família sem coca-cola. Isso lá é miséria?
Agatha Miranda
Enviado por Agatha Miranda em 31/07/2006
Reeditado em 31/07/2006
Código do texto: T206322
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Sobre a autora
Agatha Miranda
Portugal
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