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O envolvimento de prefeitos municipais na quadrilha dos Sanguessugas.


Em sua edição nº 1966, de 26 de julho deste ano, a revista VEJA publicou extensa, objetiva e clara matéria na qual o chefe da máfia dos sanguessugas (esquema de venda de ambulâncias superfaturadas), o empresário Luiz Antonio Vedoin, um dos sócios da PLANAM, revelou todo o funcionamento da operação ilícita, declinando, inclusive, os nomes dos parlamentares e prefeitos envolvidos. Segundo o depoimento de Vedoin, houve também cumplicidade de representantes do Ministério da Saúde.
Ainda de acordo com a denúncia de VEJA, o trâmite corrupto ocorria assim: Os parlamentares apresentavam emendas ao orçamento da União estipulando recursos específicos para a compra de ambulâncias, após o oferecimento de propina pela Planam, nas pessoas de seus proprietários, o pai, Darci Vedoin e seu filho, Luiz Antonio Vedoin. Aprovada a emenda, os parlamentares mantinham entendimentos com outros larápios, no Ministério da Saúde, visando a rápida liberação dos recursos.
Através de acordos escusos com os prefeitos das cidades beneficiadas, a Planam fraudava as licitações de compra dos veículos. Em muitas ocasiões, o próprio parlamentar contatava os prefeitos para acertar a compra dirigida.
Com o dinheiro recebido pela venda das ambulâncias, a Planam efetuava o pagamento, aos prefeitos e parlamentares, da propina combinada a qual girava em torno de 10% do valor da emenda. Em casos diferenciados, os envolvidos exigiam pagamento antecipado.
Até então, não havia surpresa alguma para mim, acostumado a inteirar-se de inúmeros assuntos relacionados a políticos pífios do Brasil.
Entretanto, ao deparar-se com a listagem contendo os nomes dos sessenta (60) prefeitos participantes desse escandaloso esquema, este colunista, incrédulo e perplexo, leu o nome do ex-prefeito Dr. Fernando Pontes Moreira, do município de Miguel Pereira, como tendo recebido em 24 de abril de 2003, a importância de R$ 7.500,00, correspondente à propina acordada.
Evidentemente que os sentimentos de indignação e repulsa se apoderaram de mim. Por quê?
Ora! Durante todo o mandato do ex-prefeito Fernando Pontes, mesmo procedendo a inúmeras críticas ao seu modo egocêntrico e, por vezes, errôneo de governar o município, consegui manter com ele um relacionamento cordial, embora estritamente profissional, pois imaginava também que o progresso oferecido ao nosso município seria fruto apenas de sua competência e de origem legal, condições que me permitiram, inclusive, dispensá-lo admiração e credibilidade, demonstrados em diversas matérias jornalísticas, nas quais reconheci e elogiei o seu trabalho.
Agora, diante da chocante notícia da VEJA, não tenho outra alternativa senão a de dar as mãos à palmatória e declarar que me enganei quanto ao conceito a ele atribuído. Lamento por isso, mas a vida continua!

Para a minha reflexão e de quem nele acreditou:
Nem sempre o que reluz é ouro. Já dizia minha saudosa mãe.
Demarcy de Freitas Lobato (Em memória)
Enviado por Demarcy de Freitas Lobato (Em memória) em 01/08/2006
Código do texto: T207185
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Sobre o autor
Demarcy de Freitas Lobato (Em memória)
Miguel Pereira - Rio de Janeiro - Brasil, 75 anos
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Demarcy de Freitas Lobato (Em memória)