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A Escola como Ambiente de Aprendizagem e Interação

A ESCOLA COMO AMBIENTE DE APRENDIZAGEM E INTERAÇÃO

Numa primeira análise deste título, poder-se-ia dizer que se trata de uma redundância, pois a escola foi inventada para ser um ambiente de aprendizagem e, ao longo da história da humanidade, sempre foi entendida como tal.
Acontece que lamentavelmente, no decorrer dos anos, diante das grandes transformações ocorridas no seio da sociedade e em decorrência de fatores internos e externos, a escola tem deixado de cumprir o seu papel fundamental: funcionar como um ambiente de aprendizagem.
E é diante dessa realidade, que o pensamento pedagógico chega a apelar para uma chamada desse tipo: propor a transformação de cada escola, independentemente da sua infraestrutura e dos recursos disponíveis, em um ambiente de aprendizagem. Tal ação, por si só, já seria de bom tamanho para garantir um salto de qualidade de proporções imensuráveis na educação de um povo.
Naturalmente, a escola tipificada como um ambiente de aprendizagem não consegue conviver pacificamente, inerte, sem qualquer reação, com índices de reprovação e evasão alarmantes, e muito menos com uma triste realidade em que muitas crianças passam pelas primeiras séries do ensino fundamental sem o domínio pleno da leitura e da escrita, habilidades básicas que já não merecem ser alvo de qualquer menção meritória, em pleno século XXI.
Alguns de nós ainda tentamos, não raras vezes, sem sucesso, justificar uma realidade para a qual não cabe justificativa.
Ao realizar a matrícula daqueles que ingressam na escola, no início do ano letivo, talvez, por curiosidade, devêssemos fazer a cada um deles a seguinte pergunta: qual o seu objetivo ao matricular-se na escola?
Será que ouviríamos respostas do tipo: a) pretendo evadir dentro em breve; b) estou me matriculando para ser reprovado no final do ano; ou c) pretendo apenas frequentar, mas não estou a fim de aprender grande coisa, será? Certamente não ouviríamos, porque ninguém se matricula na escola pensando em sair antes da conclusão do ano letivo; ninguém entra na escola para ser reprovado e tampouco ninguém procura uma escola, na condição de estudante, com o intuito de não ser um aprendiz.
Logicamente todas as pessoas que procuram a escola, na condição de estudantes, querem aprender, querem ir para frente, querem crescer. A questão crucial é se a escola reúne os elementos essenciais, se está se atualizando permanentemente para atender as expectativas e as exigências apresentadas por aqueles que nela se matriculam, ou seja, se a escola está apta a ser intitulada como um ambiente de aprendizagem.
A escola que se pretende intitular um ambiente de aprendizagem não trabalha apenas com professores, mas com educadores. Professores são profissionais da educação formados e habilitados para dar aulas, constituem uma parcela ativa e imprescindível do mercado de trabalho; educadores não são tão somente profissionais, trata-se de pessoas que fizeram da arte de educar uma opção de vida, podem ser religiosos, camponeses, artistas, mães de família, professores, enfim, são pessoas que vislumbram na educação um caminho para se chegar a uma sociedade melhor. Um educador não dorme em paz se os seus educandos não estão progredindo, um educador não se sente realizado se os seus educandos abandonam a escola ou não passam de ano, um educador se preocupa com a qualidade do ensino e não somente com o cumprimento do ano letivo. A escola que se pretende intitular um ambiente de aprendizagem não possui alunos problemas, mas alunos clientes; alunos problemas são sempre fonte de preocupação do gestor escolar, dos professores e dos demais funcionários, alunos clientes são a vida da escola. Assim como uma empresa não sobrevive sem os seus clientes, e por isso os quer cada vez mais satisfeitos, a escola ambiente de aprendizagem não sobrevive sem os seus alunos, e por isso os quer sempre cada vez mais satisfeitos. Imaginemos, pois, a satisfação de um aluno reprovado; imaginemos, pois, a satisfação de um aluno que se evadiu da escola; imaginemos, pois, a satisfação de um aluno que não aprendeu aquilo que deveria aprender na escola. Por fim, a escola que se pretende intitular um ambiente de aprendizagem não transfere responsabilidades (para a comunidade, para os alunos, para outras instâncias), mas assume a sua responsabilidade essencial: ensinar e contribuir para uma sociedade melhor e, nessa perspectiva, transforma as suas responsabilidades em metas e atua todos os dias, com o foco nos resultados.
A nossa maior responsabilidade é, portanto, resgatar a essência da escola e fazer dela um ambiente de aprendizagem, qualidade inerente à idéia de escola e que não deveria mais estar sendo ponto de pauta para discussão nos dias atuais.
Aqueles que, atuando no ramo da educação, não estejam dispostos a refletir sobre a realidade posta, para que se possa construir na escola um verdadeiro ambiente de aprendizagem, não restam dúvidas, encontram-se no lugar errado, e por isso talvez não estejam dando a contribuição que poderiam dar para a construção de uma sociedade melhor, a partir da sua atuação na escola, esse sistema inventado para ser uma ambiente de aprendizagem e de transformação das pessoas de maneira que elas pudessem ter um relacionamento mais produtivo em sociedade.
Afinal, quem não está disposto a refletir sobre a sua prática enquanto educador, sobre a prática desenvolvida na instituição em que atua, inclusive para reformula-la, se for o caso, é porque não é verdadeiramente um educador. É como disse o mestre Paulo Freire: “Ninguém nasce educador. A gente se faz educador, a gente se forma como educador, permanentemente, na prática e da reflexão sobre a prática”.

Manoel Messias Pereira
Secretário Municipal de Educação
Abaré -BA
Mano Messias
Enviado por Mano Messias em 01/03/2010
Código do texto: T2114392

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Sobre o autor
Mano Messias
Abaré - Bahia - Brasil, 51 anos
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