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Valorização Profissional e Auto Motivação

O círculo virtuoso da Valorização Profissional e da Auto Motivação é algo que não pode ser ignorado. Na busca incessante por profissionais que satisfaçam a empresa em suas necessidades, muitas companhias se esquecem de fazer a sua parte. Muito das vezes também os funcionários esperam receber seu bocado e deixam a responsabilidade da motivação para a empresa.

Em uma bicicleta, o ato de manter a velocidade depende de que os pés, alternadamente, pressionem os pedais. Assim também é a carreira do profissional na empresa. Alternadamente as forças devem ser aplicadas para que a empresa continue com o bom profissional e o profissional continue em uma boa empresa.

Quando uma das forças deixa de pressionar o seu pedal é sinal que algo há de errado.

Mas quem é o bom profissional? E quem é a boa empresa? E como manter essas duas forças atuantes, de forma positiva, sem deixar a bicicleta perder velocidade?

Tento responder a essas perguntas, através da minha visão e experiência, neste artigo dividido em duas partes. A primeira parte trata do profissional, de como ele se encaixa na empresa e como se auto motiva (ou não). É chamada Auto Motivação. A segunda parte trata da visão da empresa, de como ela encara o profissional que tem e como o valoriza (ou não). É chamada Valorização Profissional.

Como sempre, estou ciente de que o assunto não se esgota aqui e, mais ainda, que minha opinião pode não ser a sua. Porém, como seres inteligentes que somos, aprendemos com todas as opiniões, principalmente com as que da nossa divergem.

Auto Motivação

Seja lá quais forem as desculpas, seja como for que a empresa encare o profissional, independente da reciprocidade de ações, nada deve impedir que o profissional se auto motive. Ao contrário, as dificuldades devem ser usadas como impulso para a melhora interior e exterior do profissional.

E é parte da função de qualquer um se auto motivar. É o acordar para trabalhar contente e satisfeito, aguardando com ansiedade o desafio que lhe será apresentado. Para isso não basta esperar que a empresa dê o primeiro empurrão, é necessário ter força de vontade, fé em si mesmo e consciência de que, na vida, cada instante é uma vitória, cada respiração um grande esforço e cada gota de suor um grande troféu.

A motivação vem de dentro, vem da certeza de que é necessário levantar e ir à luta, vem dos familiares, vem dos objetivos que de vida, vem da batalha inócua contra os seus próprios medos e demônios. Alguns chamariam a esse “empurrão” para a auto motivação de fé, outros de força de vontade, alguns ainda de necessidade financeira e, tristemente, outros a chamariam de sobrevivência. Mas a única diferença entre uma origem ou outra é a resultante: alegria ou apatia?

Não consigo enxergar de outra forma: a alegria é a melhor opção, pois é ela que permitirá que o ambiente de trabalho seja saudável, que o grupo em que nos inserimos se uma mais ainda e que conseguiremos ultrapassar barreiras e dificuldades com o mínimo de escoriações.

De nada vale a apatia, pois ela contamina o ambiente de trabalho e resulta na interrupção do fluxo produtivo. Além do mais, se alguém puder escolher entre disseminar a alegria, o bom humor e a vontade em um grupo ou, ao contrário, a apatia, o mau humor e o desânimo, qual será a escolha mais sensata?

Não é possível negar que as atribulações do dia-a-dia fora da empresa ou até mesmo as ocorrências desagradáveis que podem ocorrer dentro dela desmotivam, desanimam, mas há uma escolha pessoal na forma de encarar e, principalmente, reagir sobre tais acontecimentos. Quem se desmotiva facilmente é porque precisa estar constantemente sendo “inflado”, “empurrado”. Se o caminhar pessoal e profissional dependerem de outrem, então está formada a confusão, pois cada um nos empurra para onde deseja, para onde, via de regra, é mais interessante para ele mesmo do que para nós.

É, portanto, imprescindível que tenhamos metas e objetivos bem traçados. Saber onde queremos chegar é o ponto fundamental para a auto motivação, porque esse conhecimento nos dá a capacidade de traçar o caminho que devemos seguir para atingir nossos objetivos. Assim não ficamos reféns do esforço alheio, mas, ao contrário, tomamos conta de nosso próprio caminho.

Por esse motivo é que afirmo que nós temos como escolher nossas reações. Mais simples do que parece, basta que ao sermos confrontados ou afrontados com algum acontecimento nos recolhamos dentro de nós mesmos e verifiquemos qual a contribuição possível a partir do momento vivido para o atingimento de nossos objetivos.

Se assim é, então todos os dias e todos os momentos fazem parte de nossa caminhada em busca do sucesso que nós mesmos estabelecemos para nossas vidas, portanto não há como se desmotivar. Desmotivado é quem perdeu os objetivos, quem se perdeu no caminho e não enxerga mais aonde deseja chegar.

Claro que há a necessidade de um trabalho interno brutal em torno da auto disciplina e do auto controle, mas o resultado desse trabalho é totalmente revertido para quem o completa com sucesso.

Além do mais, se você se encontra desmotivado porque alguém fez algo que o desagradou, ou então porque a empresa em que trabalha não o satisfaz, lembre-se de que você é sempre o dono da situação, ou seja, cabe a você tomar uma atitude. Não espere piedade ou dó, trabalhe. Afaste-se de quem lhe desagrada, troque de empresa, mas não pare, não desista, pois essa desistência reflete-se em você mesmo.

 

Valorização Profissional

A Valorização Profissional é a motivação da empresa para o profissional.

Todo profissional busca, se são e dotado de todas as suas faculdades básicas, a Valorização Profissional, ou, como dito antes, a motivação do lado da empresa. Acredita o profissional que isso só é conseguido em boas empresas, e a boa empresa é aquela que permite que o profissional utilize suas habilidades da melhor forma possível afim de que cresça profissional e pessoalmente, que o respeite em suas necessidades e saiba valorizar seu trabalho e conhecimento.

Mas o profissional precisa ser bom, e quem é o bom profissional? O bom profissional, não nos enganemos, é aquele que atende às necessidades da empresa. Não há muito mais a comentar sobre o assunto se entendermos que a empresa também tem limitações.

Vamos entender isso.

Algumas vezes um processo seletivo tem como exigência, por exemplo, a fluência no idioma inglês. Muitas vezes, após a contratação, percebe-se que o inglês não é utilizado de forma alguma. Outro exemplo é um pré-requisito de conhecimento de Custo ABC, por exemplo, e depois que contrata o funcionário a empresa não usa, não tem previsão de usar e às vezes nem sabe efetivamente do que se trata. Mas então por que requisitaram? Só porque está na descrição de cargos feita por alguém no passado? Essa não é uma situação nova, ao contrário, é clássica: a empresa, na busca pelo melhor profissional, acaba pagando mais para obter algo de que ela não precisa.

Podemos entender essa ação como uma forma de buscar pessoas que “vão além”, pessoas que poderão, no futuro, trazer mais benefícios para a empresa. Quero crer, entretanto, que a empresa esteja então nesse rumo, que queira ir além, que esteja preparada de todas as formas para tal porque, caso contrário, irá apenas contratar mais um funcionário, pagando mais do que vale a cadeira, que em breve se tornará um ser insatisfeito ou acomodado. Nenhuma das duas situações é saudável.

Pode lhe parecer que estou descrevendo a teoria do simplista, e outra abordagem diria que, se tivermos apenas funcionários capazes de fazer o que é necessário (e nada mais), então estaremos estagnados. Concordo com essa abordagem também, porém ainda questiono o quanto a empresa está preparada para o funcionário.

Acaba que tudo funciona como num jogo de encaixar as peças: uma peça maior pode ser espremida para caber em um buraco menor, porém em algum momento irá “saltar” para fora do jogo. Isso não acontecerá se você tiver planos de aumentar o buraco, mas não é disso que estamos tratando, pois muitas das empresas possuem um jogo de encaixar e não sabem ou não querem investir para “aumentar os buracos”.

Além disso, há cadeiras que não precisam efetivamente de algo a mais. Sem preconceitos e sem menosprezar nenhuma atividade, para que, efetivamente, alguém que fará a limpeza precisa ter carteira de motorista? Salvo casos específicos (leia-se MUITO específicos), devemos nos manter no padrão aceitável de cada profissional para cada cadeira. Dessa forma o “jogo de encaixar” será perfeito. As peças entrarão justas e poderemos, então, obter o melhor resultado de cada profissional, sem sobras ou faltas, apenas o necessário.

Nada contra quem tem algo a mais do que seu cargo ou função precisa, pois o crescimento individual é importantíssimo, mas nada de exigir algo que é desnecessário ou supérfluo no médio prazo.

Tudo isso para dizer que, quando o profissional se encaixa perfeitamente na empresa, ele (tanto quanto a empresa) é mais feliz. Felicidade e satisfação são elementos imprescindíveis na Valorização Profissional.

Tal valorização começa no cuidado da definição do cargo, e é claro que existir a definição do cargo é fator motivante.

Segue-se, naturalmente, o tão falado Plano de Carreira. Mais do que um plano para o próprio profissional, é um plano para a empresa, pois o crescimento, a evolução do profissional se refletirá no crescimento e na evolução da empresa. Mais do que refletir, porém, deve ser o alicerce e o condutor para esse crescimento.

Empresas que se enchem de pessoas que não crescem ou que não estão interessadas em melhorar, são pífios exemplos de empreendimento. Ao contrário, empresas que sabem onde e como um funcionário entra, onde ele está a cada momento e onde deve chegar no futuro para que os objetivos da empresa sejam atingidos, são empreendedoras.

Se a empresa não define para onde devem crescer, os profissionais que nela atuam crescem na orientação que mais lhe aprouver. Vemos exemplos aos montes de vendedores cursando faculdade de arquitetura, de analistas de sistemas formando-se advogados, de profissionais da área financeira fazendo cursos de web designer. Sim, são livres, mas viram eles alguma oportunidade na carreira que estão trilhando? A empresa lhes orientou, lhes sugeriu um caminho?

Longe de passar a responsabilidade total para a empresa quanto ao caminho que a pessoa física deve seguir, é responsabilidade da empresa para com ela mesma demonstrar de forma clara e objetiva o caminho que deseja que seu funcionário siga. Novamente, isso deve ser feito do ponto de vista da empresa, demonstrando ao funcionário quais serão as responsabilidades e os benefícios de seu crescimento na linha sugerida, e mais, deixando claro quais são os pontos que o farão crescer na organização.

Da mesma forma que disse anteriormente que para se auto motivar o profissional precisa de metas e objetivos, digo que a empresa precisa demonstrar quais as metas e objetivos dela, quais as necessidades dela, e adequar os benefícios do atingimento dessas metas e objetivos de forma a revertê-los também aos funcionários que a auxiliam a atingi-los.

E com isso abrimos outro ponto, pois os funcionários também desejam fazer parte desse crescimento, também querem os louros pela colaboração e atingimento das metas. Temos então que a divisão de lucros, as premiações e, principalmente, a remuneração variável por atingimento de metas é algo que não deve mais ser ignorado por qualquer empresa.

Ao empresário, entender que a participação nos lucros não é perda, mas sim investimento, remunerando o esforço extra de quem impeliu seu negócio para cima, é muito importante. Não deve haver sensação de perda, mas sim de investimento pois, quem recebe hoje vai querer receber mais amanhã, e para isso terá que se esforçar e trabalhar ainda mais.

O investimento no ser humano possui retorno garantido, desde que a regra seja clara e amplamente divulgada, e que você saiba exatamente onde investir. Diferente, porém, de outros investimentos, o ser humano sente e reage com emoção as ações tomadas e, dessa forma, deve ser levado em conta o mesmo como um todo, e não somente aspectos particulares ou minúcias.

Poderia talvez continuar falando do assunto indefinidamente, sem porém chegar a um fim. Entendo que os pontos colocados são suficientes para um primeiro balizamento e que qualquer empresa que partir com o devido interesse no caminho da Valorização Profissional irá, certamente, encontrar junto aos profissionais de Recursos Humanos o caminho mais adequado à cada caso.

Há porém um ponto restante, o qual eu preciso tocar antes de encerrar este assunto: o respeito.

Não há política de Recursos Humanos, não há Plano de Cargos e Salários ou Carreira, não há Premiação, não há Remuneração, não há nada que substitua o respeito.

Respeito da empresa por si própria, que resultará em respeito aos seus compromissos para com seus funcionários.

O tratamento adequado, respeitoso, gera um clima agradável e automaticamente motivante que trará tanto ou mais benefícios que tudo que já expus.

O respeito a palavra dada, as políticas adotadas, as regras estabelecidas trará a certeza sob os pés dos funcionários, e lhes permitirá pisar mais firme no caminho estabelecido pela empresa.

Se não o convenço pela afirmação, neguemos então.

O que sente alguém que faz parte de um grupo que o desrespeita, onde o clima é desagradável, onde as políticas são alteradas a todo o momento, onde as regras são mudadas no meio do caminho? A insegurança levará o profissional diretamente para a desmotivação e, se for realmente um bom profissional, a dizer adeus à empresa assim que for possível. E sempre é, pode ter certeza.

Para a Valorização Profissional basta que a empresa perceba que atrás de seus produtos, atrás de seus serviços, atrás de seu trabalho bem feito há um ser humano que precisa sim do reconhecimento, da certeza do caminho que segue para poder confiar e responder de acordo com o desejado.
Alexandre Aschenbach
Enviado por Alexandre Aschenbach em 08/03/2010
Código do texto: T2126142
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Sobre o autor
Alexandre Aschenbach
São Paulo - São Paulo - Brasil, 41 anos
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