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Os donos da verdade.

“...mas senhor..., a Terra é redonda sim, todo mundo já sabe disso!!”
“...não venha com desculpas rapaz! Tive uma revelação e sei de toda a verdade, a Terra não é redonda e ponto final!!”

Uma das coisas mais desagradáveis que existe, é tentar abrir um dialogo com alguém que julga-se o soberano dono da verdade. E o pior é que em todas as partes da sociedade há esse tipo de gente. Para causar um grande alvoroço, não é preciso muito esforço, basta apenas dizer, ou corrigir algo que não condiz com a linha de raciocínio do soberano senhor da suposta verdade, e pronto, inicia-se assim, um infindável motivo para as trocas de farpas, estremecendo relações e abalando amizades.

Isto acontece por que com o dono da verdade as coisas são diferentes, o buraco é mais embaixo, com o dono da verdade não se brinca, pois, somente ele sabe, somente ele tem e somente ele pode, o resto é a mais absurda invenção da nossa imaginação incrédula e pagã.

Os donos da verdade chegam mesmo a acreditar que possuem alguns privilégios, acreditam piamente que foram escolhidos a dedo pelo criador, com o propósito de espalharem aos quatro cantos suas verdades absolutas, carregadas com a artilharia pesada do idealismo abstrato que lhes foi ensinado, neste caso torna-se mesmo impossível o dialogo.

Cotidianamente vemos políticos que são donos da verdade, mecânicos que são donos da verdade, médicos que são donos da verdade, vemos também professores e administradores que são donos da verdade, lideres de repartição, escritores, profissionais liberais das mais diversas áreas, pessoas comuns que vivem no mais absoluto anonimato e pessoas que exigem a badalação, que exigem a luz artificial dos holofotes e a auto promoção, para poderem sobreviver, também se proclamando donos da verdade.

Mas o que seria a verdade?
Talvez a verdade, não seja nada mais, que o mérito de persuadir as pessoas através de uma boa ideologia, desde que a mesma seja suave. Talvez o verdadeiro dono da verdade seja aquele que sabe ouvir os argumentos alheios, ponderando e sabendo lidar com as criticas, sem conflitos e sem remorsos, estabelecendo o respeito às outras opiniões.

Dias desses, cometi um erro gravíssimo ao apontar um possível equivoco no ponto de vista de uma pessoa. Juro que não imaginava, que ao expor a minha verdade, o desfecho do assunto seria tão dramático para o suposto dono da verdade, mas confesso que esse ato por si só também trouxe suas vantagens, pois descobri, que apesar da decepção, nessas horas reconhecemos e entendemos essas pessoas, os seus medos, os seus conflitos e a total falta de esclarecimento quando o assunto foge de sua alçada. E apesar de meu argumento ser acompanhado por pedido de desculpas por respeitar a ótica alheia e para preservar a boa educação, minha verdade não foi respeitada e sequer levada em consideração.

O dono da verdade é intolerante com a opinião alheia, não aceita as preferências alheias, não aceita o time alheio, não aceita a religião alheia, alias, por falar em religião esse é um ponto forte onde os senhores da verdade se apegam. Alguns “iluminados” donos da verdade, teem a audácia de selecionarem os “sortudos” que entrarão no reino dos céus. Acreditam e fazem acreditar com a mais absoluta veemência que o que realmente salva é a religião e não a sua própria conduta. Até ai tudo bem, cada um acredita no que quiser e no que lhe satisfaz, mas transformar a sua ideologia em verdade soberana, menosprezando, acusando e pré-julgando a verdade dos outros, é a forma mais pífia de venerar a soberba e o orgulho, que é a causa primeira de todos os males. Portanto, na verdade, os donos da verdade ao imporem goela abaixo seus argumentos sem dar ouvidos à explanação alheia, estão apenas mostrando a ponta de um imenso Iceberg chamado orgulho.

Todos nós temos nossas próprias verdades e mentiras. Todos somos um pouco donos da verdade. Pois, não há uma única verdade, como também não há uma única mentira.

Mas o que importa mesmo é o que fazemos ao nosso semelhante, ao nosso irmão, o que importa mesmo são nossas condutas e ações, nossos verdadeiros exemplos e a nossa moral. Do que adiantaria, por exemplo, alguém pregar coisas maravilhosas, escrever coisas fantásticas, bater no peito e se auto intitular de “santo”, mas nunca ter estendido a mão ao seu próximo, nunca ter posto em pratica tudo aquilo o que julga saber.

Não importa qual o caminho que tomaremos após a nossa morte física, o que importa é a nossa herança moral e ética, o que importa são os bons costumes que deixaremos, os laços de amizade e a perpetuação de nossa conduta. E alguns donos da verdade infelizmente ainda não entenderam isso muito bem.

Não há problemas em nos preocuparmos com as nossas verdades, mas o respeito ao semelhante é fundamental e o individuo que se propõe a falar sobre um assunto que não é de seu total conhecimento, deve no mínimo ter o bom senso e a humildade de informar-se sobre o devido assunto, para não cometer equívocos bisonhos ou preconceituosos, não sendo assim rotulado de ignorante letrado.

Vivemos em um planeta maravilho. Somos bilhões de seres humanos. Vivemos nos mais diversos tipos de etnias. Somos de muitas raças, somos brancos, negros ou amarelos, somos de muitas crenças, somos judeus, cristãos ou budistas. Falamos varias línguas, árabe, inglês, italiano. Somos muitos e temos a nossa própria verdade. Apesar dos conceitos e modos de vida completamente diferentes, somos todos filhos do mesmo pai.

Alguns verdadeiros donos da verdade, nunca tiveram a preocupação de impor as suas ideologias e muito menos fizeram a sua própria apologia, nunca precisaram de propaganda, nunca precisaram da auto promoção.  Lembro-lhes de exemplos como madre Teresa, irma Dulce, Gandhi e Chico Xavier, pessoas diferentes, crenças diferentes, mas que fizeram do amor a sua verdadeira verdade.

Amigo leitor, lembre-se que somos donos apenas de meias verdades, pois a outra parte pertence ao nosso irmão.
Pensemos nisso!

Reginaldo Cordoa, futuro Administrador de Empresas e Apaixonado pela Vida.
10/08/2006
Reginaldo Cordoa
Enviado por Reginaldo Cordoa em 14/08/2006
Código do texto: T216093
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Sobre o autor
Reginaldo Cordoa
Matão - São Paulo - Brasil, 46 anos
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Reginaldo Cordoa