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Para descansar un rato

“Literatura não se pode ensinar, sim a paixão que se tem por ela. Essa é a desgraça do sistema de ensino atual.” (Palavras de um escritor e professor de literatura espanhola)

Ao me sentir tocada por Soldados de Salamina(1) percebi que há tempos não escrevia nada para publicar aqui. Não por bloqueio, ou porque não quisesse. O tempo sim, esse não quis, nem quer.

Saída de mergulhos em um mar tranqüilo de línguas, aporto aqui, para descansar un ratito espanhol. Embalada pelos sonhos de tantos outros, dos meus também, cochilo e noto: escreve-se o que sai. Mudando-se, muda também o sentido – arrisca-se. Há que se tomar uma decisão. Por nonsense me decidi, como sempre. Ou será que o nonsense se decidiu por mim? Boa pergunta, pensarei a respeito – juro! “Quem jura, mente”, advertia minha mãe. Está bem!, desfaço o juramento.

Coisa boa é, após um período de encantamento, de pote cheio, sair por aí distribuindo, gratuitamente, o que se tem de bom pra dar. Alguma coisa de boa há que se ter, haverás de concordar comigo, mas se discordares... tem problema não! Até mesmo no diabo se pode achar algo positivo. Por exemplo, não dizem que ele é astuto? Astúcia não me parece uma coisa assim tão má. Vejamos o que significa: recorro ao Houaiss... Ah! ao Houaiss... Já disse que este nome me faz sentir... Bem, completa tu. E ele diz: astúcia s.f. 1 esperteza, sagacidade 2 malícia, artimanha – astuciar – v.trans. intr. Definição superficial? Talvez mais negativa que positiva, mas... algo de positivo tinha que ter, né não? – talvez escondido na sagacidade: bingo!

E para ti, o que trago? De novo, descobri (entre livros) que o autor da primeira gramática portuguesa, lá pelos idos de 1536, foi um tal Fernão de Oliveira - parece! Se pensares no ano do descobrimento do Brasil chegarás talvez às terras por onde andei. Pensei em Desmundo (1). Fernão de Oliveira encontrei por acaso. Aliás, quando se busca algo, se enxerga tudo mais claro – incrível! – menos aquilo que se está procurando, e o que se encontra, no entanto, pode ser bem mais interessante... Assim cruzei com o Fernão. Espera, minto: antes foi com o Ángel López García (2), que me levou a Leonor Buescu (2), uma maria, e ela ao dito Fernão da gramática - e à data!

Embora me sinta tentada não me alongo. Quis apenas fazer uma parada, conversar um poquito, dar uma relaxada. Estou agora crítica ao largo com meus abusos lingüísticos – tem nada não: a palavra – minha dona – é surda e complacente. Queres saber mais de outra coisa? Estou contente, contente por saber que neste mundo de idiotices tem gente diferente e boa (de Bem) também – se tem! Nonsense está de saída e eu em sua companhia. Não me desculpo, nem despeço; volto sempre que puder.


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1 - Soldados de Salamina e Desmundo são filmes, um brasileiro e outro espanhol, não necessariamente nesta ordem. Ambos muito bons, aliás.

2 - Ángel López García e Maria Leonor Carvalhão Buescu penso que sejam linguistas. Não conferi suas biografias, por isso não posso afirmar :-)

Usei o "tu" para dialogar com o texto; não foi dirigido a nenhum leitor concreto, em especial.

un rato (em Espanhol) significa "um pouco", "um momento".

Um abraço fraterno!
Helena Frenzel
Enviado por Helena Frenzel em 30/04/2010
Reeditado em 30/04/2010
Código do texto: T2229155
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Helena Frenzel
Alemanha
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