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Ciclo do eucalipto

     A cultura de um povo é a cultura que o mantém vivo.

  Há mais ou menos cinqüenta anos iniciava-se em Salesópolis o ciclo do eucalipto. Introduzia-se, a partir de então, em nossa região, a monocultura – com as conseqüências todas que amargamos hoje.
Fala-se muito, nos dias atuais, da proteção aos mananciais. Reclama-se muito, também, do desemprego. No tempo da agricultura diversificada, a rotatividade das plantações era menor e várias famílias se mantinham no mesmo sítio onde hoje apenas uma sobrevive. O proprietário das terras faz hoje a sua plantação e ela fica parada por seis anos ou mais esperando a planta crescer e engrossar. Nesse período quantas plantações de batatinha, café, cebola, feijão, milho, cana de açúcar e outro cultivo qualquer não sairia? E quanta mão de obra permanente e constante isso garantiria? Não haveria ociosidade, preguiça, pingaiada... Não daria tempo para isso. Hoje dá! Infelizmente isso é o que presenciamos com freqüência maior do que gostaríamos. Centenas de alqueires tomados pelas árvores australianas. Dezenas de proprietários olhando para o tempo esperando a hora do corte. Centenas de potenciais empregados, na verdade desempregados.
As famílias crescem e os filhos vão para a rua, porque não tem graça nenhuma ficar no mato esperando, anos a fio, a árvore crescer.
A Cia Suzano tem, portanto, uma dívida social muito grande com o nosso município. Neste meio século de convivência pacífica, seu potencial econômico cresceu e a visão do gráfico do seu faturamento deve alegrar seus acionistas e investidores. Mas como o salesopolense fica nessa história?
Já está na hora da empresa retornar parte do seu imenso lucro, investindo na recuperação de tudo que o município perdeu em benefício dela.
É chegado o momento da empresa tomar uma postura de parceria com a comunidade, auxiliando na remoção das raízes e na recuperação do solo - através da utilização de insumos e minerais apropriados a cada tipo de plantação, reimplantando a pluricultura no município, já que a Suzano parece não precisar mais dos sítios particulares, haja vista os preços atuais na compra do eucalipto e da posse de sua própria fazenda com centenas de alqueires no município de Paraibuna.
Nossos mananciais estão secando, nossos jovens perambulam pelas ruas sem um leque opcional de trabalho e expostos a tudo que a ociosidade e bolsos vazios proporcionam.
Alguns sitiantes já levam vida sedentária e escovam dentes com pinga por escassez dágua e de coisas melhores para se fazer... Claro que há em tudo isso uma dose de exagero e uma pitadinha de ironia, mas o assunto é sério e precisa ser realmente discutido.
Uma empresa do porte da Cia Suzano precisa investir no social, não para fazer filantropia, apenas, mas sim, para ganhar pontuação no órgão governamental que fiscaliza seus investimentos para sinalizar liberação de empréstimos dos grandes Bancos investidores. Não é, portanto, nenhum favor; é questão de bom-senso por parte da empresa e de visão administrativa do governo municipal com atitudes políticas adequadas para direcionar melhor a postura da própria empresa.
É, literalmente, a lei da compensação. Já levou sua parte, é hora, então, de devolver a nossa. Afinal, essa é uma via de duas mãos... Ou não?
Lourenço Oliveira
Enviado por Lourenço Oliveira em 25/08/2006
Reeditado em 25/08/2006
Código do texto: T224810
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Lourenço Oliveira
Salesópolis - São Paulo - Brasil
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