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Meu Castigo


Meu Castigo

Punição ou castigo? tanto faz, é tudo a mesma coisa, mas, por minha conta eu quero ressaltar uma diferença:
 Punição é a pena imposta por um juiz, muitas vezes por um tipo desses que vendem sentenças a um réu que pode comprar, outras vezes para um acusador que pode pagar. Por isso a punição nem sempre é justa, sem contar que o juiz julga com base em provas testemunhais, (falsas, às vezes) ou fatos que por uma coincidência qualquer faz um inocente parecer culpado ou vice-versa.

Já o castigo é imposto automaticamente ao infrator, pelas leis naturais, infalíveis que nunca foram mudadas nem sofreram quaisquer emendas, iguais para todos, ricos ou pobres, brancos ou pretos, patrões ou operários, autoridades “nobres” ou humilde servidores, todos iguais perante as leis, somente as da natureza. – Os conceitos dados aqui sobre punição e castigo são meus, ninguém precisa concordar, eu apenas estava com vontade de escrever alguma coisa e exerci a minha liberdade de pensar,  não tinha idéias, a imaginação não fluía e eu precisava exercer a função mecânica dos dedos, sua dinâmica, testar sua coordenação motora, sua dinâmica no teclado. Se alguém que por acaso lê não aceitar terá toda a liberdade de descordar e até me chamar de burro. Eu só queria estabelecer uma diferença entre a sentença de um magistrado a um réu da justiça comum e a reação da natureza a um seu infrator, mas não sabia como.
Eu acabei de passar pelo meu castigo, tive culpa, ninguém é castigado injustamente pela natureza, ela editou suas leis e a todos fez conhecê-las. Eu extrapolei os limites do meu micro ecossistema, o poluí, o agredi. Este ano foi a segunda vez que isto me aconteceu. A primeira foi em janeiro. No fim do ano abusei, comi e bebi o que não devia, a reação veio imediata, greve total, todos os órgãos do sistema digestivo pararam, nem mesmo a flora bacteriana cumpriu sua função.  Os agentes patogênicos se instalaram no poder. Diverticulite? Pancreatite? Inflamação dos órgãos digestivos?  Só Deus sabe.

O resultado. Foram10 dias internado em um hospital. Humilhado, furado com agulhas todo dia, depilado, lavagem, os morcegões do InCOR/DF e os do laboratório do Hospital, um dos braços era para aplicar soro e medicamentos, o outro para tirar sangue  quase todos os dias, exames e mais exames, alguns repetidos, sem ar, dois tubinhos, um em cada narina, forneciam o oxigênio indispensável ao organismo. Os quatro primeiros dias foram de cão, sufoco total, só no fim do quarto dia uma luz piscou no fim do túnel e depois de fazer na cama o que normalmente se faz no vaso sanitário e o moral do guerreiro cair a zero é que a luz deixou de piscar e acendeu de modo contínuo.

A segunda vez foi em junho. Uma pneumonia não cuidada a tempo me nocauteou no leito do Hospital de Força Aérea da Brasília  (HFAB) por uma semana. Mas a fase pior foi continuar o tratamento fora do hospital por causa dos efeitos colaterais da medicação. Depois de muitos anos de estrada, a minha já são 79 anos, a cada problema de saúde deixamos para trás alguns pedaços da vida, as lembranças vão se apagando da memória feito fumaça se diluindo no espaço, apagões mentais, a imaginação trava e tem muito mais coisas ainda,  alem dos cabelos descoloridos e rarefeitos na cabeça.
O coração tem resistido com alguns problemas, endocardite, insuficiência aortica, insuficiência mitral dilatação da Aorta Torácica , todas em grau moderado. Mas, sem outra opção, eu vou juntando os cacos dentro dos limites possíveis.

Em tempo: 1) Os profissionais da saúde que acima eu os chamei de morcegões, não são, me desculpem, eles estão com tudo para ser anjos e nada para ser morcegões.
2) E agora! Falei tudo aquilo sobre punição e castigo, e agora estou em dúvida, talvez  não é nada daquilo, a natureza é mãe, não castiga ninguém, é tudo muito natural, conseqüência do tempo de uso, fadiga material.
Para mim foram experiências inéditas, não me lembro que isto tenha me acontecido depois de adulto. Foi uma desventura para custar a esquecer. Apesar de tudo, peço desculpas a Deus pela minha imprudência, e agradeço-O por ter me permitido sobreviver. Senhor, peço-O continuar iluminando meus caminhos aonde eu for. Obrigado.
                                                                                                                Eu,ala



Euala
Enviado por Euala em 15/09/2006
Código do texto: T240785
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Sobre o autor
Euala
Taguatinga - Distrito Federal - Brasil
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