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A ESCOLA DA VIDA

  Há uma comparação, precisa por sinal de que a vida é  como uma escola. O cantor e compositor mineiro Zé Geraldo diz  numa de suas canções que “a Vida é uma escola onde o viver é o Livro e o tempo o professor; onde muitos são sábios, mas até hoje ninguém se formou” . A poetiza Cora Coralina disse que “estamos todos matriculados na Escola da Vida onde o tempo é o professor”.
                   Cada situação, cada obstáculo, cada experiência que vivenciamos constitui-se numa lição a ser aprendida. E como em qualquer outra escola, quando não se aprende uma lição, ela se repete, quantas vezes forem necessárias, e somente se passa à seguinte quando aquela foi completamente assimilada.  Uma lição não aprendida pode ser reapresentada sob várias formas diferentes, mas no fundo é a mesma coisa. É apenas uma variação didática usada pela Vida a fim de tocar mais forte o aluno repetente.
               Há alunos que permanecem uma existência estacionados na mesma lição. Passam pelas mesmas experiências e cometem os mesmos erros várias vezes. Tropeçam sempre na mesma pedra. “É a repetição perante a criação, é a monotonia monocromática perante a multiplicidade das cores, é a estagnação da vida...” (Içami Tiba). Estes desperdiçam um tempo precioso porque são, relapsos, desprovidos de força de vontade e disciplina. Ignoram que o tempo, o professor, ou se preferirem o disciplinador, é implacável com os maus alunos,  seus métodos são rigorosos. Ignoram que cada instante vivido não retrocede, a vida se esvai, escorre entre seus dedos como areia, o mundo caminha e eles, negligentes vão ficando para trás.
           Há porém, os alunos aplicados, que fazem a lição de casa, que são disciplinados, e que quando erram, usam o erro de forma construtiva encarando-os como um processo do aprendizado que apontam o caminho correto a seguir. São esses que fazem a diferença e engrandecem o mundo. Com eles o tempo é generoso, pois sabem lhe dar o devido valor.
              Na escola da vida, os bons alunos alcançam sucesso, reconhecimento, sabedoria. Mas por mais que saibam, por mais que obtenham sucesso, nunca estão preparados para receber o diploma, pois não há limites para o saber, para o progresso. A perfeição é perseguida, mas não alcançada. A frase de pára-choque “Formado na Universidade da Vida” é um logro, pois nesta faculdade ninguém se forma. O mais correto seria: “Cursando a Universidade da Vida.”
            Os bons alunos fazem a boa escola e vice-versa. Nas boas universidades, os bons alunos são desejados, há um programa, uma estratégia para atrai-los. A diretoria da escola sabe que eles elevam o nome da instituição. Por outro lado o bom nome da escola servirá no futuro como fator favorável para o ingresso do aluno no mercado de trabalho. É uma via de mão dupla, uma reciprocidade: o bom aluno faz o bom nome da escola, e o bom nome da escola é fator decisivo na carreira do jovem.
                    Harvard, Oxford, FGV, USP, Unicamp, etc. O que nos vem à mente ao lermos estes nomes? Prestígio, sucesso, futuro promissor. São escolas de primeira linha. Seus diplomas são passaporte certo para o sucesso profissional. Contudo, só ingressam nelas os bons de fato, os “feras”.
                   Comparemos agora uma nação, um país com uma escola. Podemos afirmar sem hesitar que os EUA, ou Japão, por exemplo, são excelentes escolas. Porque?  Porque tem bons alunos. Não somente porque contam com boa estrutura educacional, bons estudantes no ensino básico, médio e superior, e já tenham há muitos anos resolvido seus problemas de analfabetismo, mas principalmente porque tem bons alunos na Escola da Vida. Pessoas que sabem o que querem, que não perdem tempo com coisa improdutivas e fazem a coisa certa. Um país de sucesso é constituído por pessoas que também alcançaram o sucesso no plano individual. Todo grande êxito é o somatório de pequenos êxitos.
                   Neste contexto infelizmente o Brasil não vai muito bem. Para que nosso país tivesse melhor projeção precisaríamos ter um maior número de alunos obtendo boas performances  na Escola da Vida. Um bom aluno na Escola da Vida é aquele que assume a responsabilidade pela própria existência  e não fica esperando ajuda de mãos beijadas. É aquele que sabe o que quer, e que conseguí-lo depende unicamente de si mesmo. Ele não transfere a ninguém o poder de decidir sua vida. Tem fé, força de vontade, planejamento e disciplina, enfim, faz parte da solução e não do problema.

A bem da verdade, a direção da “Escola Brasil” não tem sido das melhores, mas este fato não serve como desculpas. Não podemos ficar estacionados, comprometendo nosso progresso e nossa felicidade, culpando por isso o governo, a economia e o que quer que seja.
                  Se de fato quisermos, podemos realmente melhorar a posição do Brasil, apenas melhorando a nós mesmos. Devemos aproveitar as lições que a Vida nos oferece, aprender com os próprios erros e com os erros dos outros. Saber aproveitar a experiência alheia, através da pesquisa, observação e estudos. Planejar a nossa vida, traçar metas construtivas e objetivas e nos mantermos fieis a elas.
                 E agir. A ação é essencial, pois sem ela todo o restante é inútil, é perda de tempo, pois como disse Einstein, “toda realização é 10% inspiração e 90% transpiração”. Buscando sempre uma melhor posição  na Escola da Vida  estaremos dando uma contribuição valiosa para nós mesmos, para nosso ambiente e para o mundo em que vivemos.
                   Que tal começarmos já?
Joćo Eduardo
Enviado por Joćo Eduardo em 20/09/2006
Código do texto: T244962

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Sobre o autor
Joćo Eduardo
Muriaé - Minas Gerais - Brasil, 49 anos
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