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LETRAS QUE TRANSFORMAM JOVENS EM CIDADÃOS

Reportagem sobre trabalho voluntário chamado OFICINA DE POESIA, realizada pela repórter Simone Tobias e o repórter fotográfico Edison Baraçal; disponível em www.atribuna.com.br/comunidadeemacao
Aceitamos sugestões, apoio e divulgação deste trabalho.

Ser professor é dividir o conhecimento adquirido após anos dedicados ao estudo, mostrar um caminho para aqueles que buscam alguma resposta, inspirar e formar pessoas para que elas — quem sabe — continuem ou façam o mesmo trabalho, de ensinar. Marcelo Lopes é professor há dez anos. Ele preenche os requisitos acima e quer um pouco mais: fazer da atual geração de estudantes, futuros incentivadores da leitura e escrita.
Para realizar esse sonho ele idealizou, há dez meses, um projeto que visa estimular o hábito da leitura por meio da poesia. A idéia foi batizada com o nome Oficina de Poesia.
‘‘O sonho é trazer o aluno para o meio das letras e das páginas e fazer com que ele se sinta parte da arte literária. Fazê-lo capaz de se expressar verbalmente é fazê-lo mais livre em todos os âmbitos. Será uma pessoa mais crítica e que causará mais interferência em seu favor e de sua comunidade no mundo que o rodeia’’, explica o professor.
A aula é ministrada gratuitamente para os alunos do Ensino Médio que estudam no Colégio Domingos de Moraes, em Vicente de Carvalho, Guarujá. Os encontros são às quintas-feiras, a cada 15 dias, das 15 às 17 horas. Para participar, basta ter interesse pela literatura.
No entanto, quem pensa que o professor tem formação em Letras está enganado. Marcelo dá aulas das disciplinas de Química e Física, mas sempre teve seu interesse ligado à Literatura.
‘‘Escolhi a poesia para a oficina por ser lúdica. A pessoa que a faz não tem medo de brincar com as palavras, nem de se expressar’’, observa o professor.

Sonho

‘‘A Oficina de Poesia é fruto de um sonho e do fato de que não possuímos uma cultura literária que envolva a pessoa de tal forma que ela leia por prazer. Lemos para fazer uma prova, um vestibular ou realizar um concurso, um teste de admissão, porém, esquecemos que ler também é uma forma de lazer, de diversão e que deve ser exercitada como arte por meio da produção literária — nesse caso, a poesia’’.
A idéia da oficina surgiu pelo interesse em que alunos, de uma outra escola que o professor dava aulas (Escola Estadual Marcílio Dias), participassem de um concurso de poesias, o 4º Festival de Poesia, em Santos. ‘‘Vi que meus alunos podiam participar. Fiz oficinas, inscrevi 47 textos e eles ganharam. Esta foi uma grande vitória’’.
Como agora está fora da antiga escola, Marcelo trouxe o projeto para o Colégio Domingos de Moraes e foi aceito não só pela direção, como pelos alunos que resolveram apostar na oficina.
'‘Os jovens são terrenos férteis, eles gostam bastante. Com esta oficina, os alunos adquirem desenvoltura para perceber e interpretar notícias de jornais, o mundo, terem uma resposta e não aceitar os fatos como são’’.
O primeiro passo dado pelos alunos das oficinas é brincar com as palavras e fazer rimas. ‘‘O segundo é começar a ler autores recomendados como Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes e Ferreira Gullar’’ . O último é pegar lápis e papel e fazer poesias.
O professor está gostando tanto do resultado que pretende montar um varal de poesias com pequenos grupos de alunos.
‘‘É muito gratificante ver o retorno — que é o desenvolvimento desses jovens’’, diz com uma satisfação estampada no rosto que comprova a compensação pelo trabalho realizado voluntariamente.
Aos 35 anos, professor tem vasta experiência
Marcelo Lopes é santista, tem 35 anos, já participou de antologias literárias, fruto de muitos concursos realizados no Brasil e no exterior. O professor foi premiado com seus textos na Baixada Santista e também em Niterói, no estado do Rio de Janeiro, Porto Alegre e Canoas, ambas no Rio Grande do Sul e em concursos promovidos por órgãos públicos e privados, sempre ligados à cultura.
Embora seja professor de ciências exatas (Matemática, Física e Química), o professor entende que a leitura e a produção literária são ferramentas com vários usos: quem as tem nas mãos possui capacidade de digerir os mais variados assuntos das múltiplas disciplinas existentes.
‘‘Minha maior referência é a obra de Carlos Drummond de Andrade, com textos que retratam a vida cotidiana de forma simples, porém sofisticada’’, explica Marcelo.
O professor só tem irmãs e todas são professoras. A partir daí começou seu gosto pela leitura. ‘‘Sempre tive muito acesso aos livros. Na adolescência fui preguiçoso, mas tive uma professora que acendeu a vontade de ler aos 17 anos’’. Hoje é ele quem acende a chama e aguça o gosto pela leitura nos alunos.
Mais de 120 jovens já passaram pela oficina
‘‘Ensinar a criança a interpretar a leitura é fazer com que este jovem seja capaz de produzir atitudes, é algo fundamental para o ser humano. Acredito que aprender a ler é a primeira forma de libertação da pessoa, pois é fruto de seus pensamentos: penso, logo existo’’. Esta é a análise do professor Marcelo Lopes, idealizador da Oficina de Poesia, sobre seu papel no projeto.
‘‘O maior pagamento que posso receber por este trabalho que realizo aqui é o interesse desses jovens’’.
Aproximadamente 120 alunos já passaram pela Oficina da Poesia. Atualmente, 16 participam das aulas no Colégio Domingos de Moraes.
Rayssa de Andrade Alves, Talita de Souza Aqueu e Suzane de Oliveira Costa são amigas e tiveram juntas o interesse em participar do projeto do professor Marcelo. ‘‘A gente sempre escreveu, mas uma lia o texto da outra. Quando surgiu a proposta de fazer estes encontros, achamos ótimo porque vamos treinar ainda mais’’, diz Rayssa, de 14 anos.
Talita, também de 14 anos, é apontada pelas amigas como muito emotiva e essa emoção é colocada, agora, por meio de poesias. ‘‘Com as aulas tenho um treino melhor, já que o professor pode nos orientar’’.
Suzane, de 15 anos, aprecia a iniciativa do professor e acha muito importante aprender a expressar sentimentos pelas palavras. ‘‘É um recurso que uso para dizer o que sinto’’.
Já Andressa Almeida de Oliveira, de 16 anos, confessa que não gosta de ler, mas quer se esforçar e tentar melhorar neste aspecto. A oficina será o ponto de partida. ‘‘Quem sabe agora eu consiga dizer, ou melhor escrever o que sinto?’’.

Preguiça

‘‘Gosto de ler, mas tenho preguiça. Agora com as oficinas vou me empenhar mais’’, afirma Ng Men Yen, de 17 anos.
Os meninos também querem aprender a falar mais sobre sentimentos. ‘‘Eu escrevo muito sobre sentimentos, gosto mais de prosa do que de poesia, quero melhorar cada vez mais’’, destaca Rafael Alves dos Santos, de 16 anos.
Hélicon de Oliveira Souza, 14 anos, gosta bastante de ler biografias. ‘‘Eu coloco alguns pensamentos no papel, mas não queria que ninguém lesse. Hoje estou mais seguro e até mostro os textos para meus colegas’’.
‘‘Eu me interesso muito por Literatura, atualmente estou lendo o Código da Vinci. Quem sabe serei um escritor?’’, observa Marcus Vinícius de Souza Cabral, de 16 anos. Só pela intenção dos alunos, o trabalho do professor já está mostrando resultados positivos.

Perfil
Nome: Marcelo Lopes/ Oficina de Poesia
O que faz: Incentiva o hábito da leitura/
poesia entre os alunos do Colégio Domingos de Moraes.
Há quanto tempo: Dez meses.
Endereço: No Colégio Domingos de Moraes que fica na Rua Agenor de Assis, 165, Vicente de Carvalho, Guarujá.
Marcelo Lopes
Enviado por Marcelo Lopes em 15/06/2005
Reeditado em 27/06/2005
Código do texto: T24794
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Marcelo Lopes
Guarujá - São Paulo - Brasil, 47 anos
475 textos (44344 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 06/12/16 16:13)
Marcelo Lopes