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Cicarelli - o mar quando quebra na praia é bonito...

Cicarelli, orgasmos e hipocrisias





Será que cada um sabe mesmo de si? Parece que não. Procuram saber mais a respeito dos outros. Quantos estão realmente preocupados em ter prazer, ser feliz, gozar a partir da própria vida? O que é agressivo? Fazer amor no mar? Ser assaltado por um arrastão? Se banaliza a violência para se cultuar escondido o amor? Não entendo!

Lendo os comentários, das inúmeras matérias sobre o vídeo do casal na praia espanhola, vejo que sempre a vida estará dividida em times. O mundo parece feito de torcidas. De rivalidades. Cada torcida, óbvio, defende ardorosamente seu time. Ultrapassando o futebol, passando pelo sexo, dinheiro e poder. Ampliando tabus. Eta vaidadezinha humana! Inveja é uma merda publicam os pára-choques de caminhões.

Puritanos, cínicos, calhordas, beatas, reprimidos – todos com telhados de vidro – levantando bandeirinhas de “bons-costumes”, do “atentado ao pudor”, do “pecado”, da “família cristã”, dos “execráveis pagãos”. Para quê? Racionalidade? Afinal, quem prova que somos assim tão “civilizados”? “Vá cuidar da sua vida/ Diz o dito popular/ Quem cuida da vida alheia/ Da sua não pode cuidar”, canta Itamar Assunçao.

Essa coisa de separar o mundo em bem e mal é uma coisa cansativa. Produzir julgamento parece o passatempo mais praticado dos seres humanos. Enforca? Mata? Esfola? Lincha? Marginaliza? As classes dos que são bons e dos que são maus. As divisões, os separatismos, dos “donos da verdade”. Em tela critérios pessoais somados ao senso comum caminhando pela falta do que fazer ou dizer de produtivo. Mediocridade mesmo! Mesquinharia!

Além de se esgotar na net atrás do vídeo “Cicarelli transa no mar”, alguém tem lido algo produtivo? Misturando tudo, quem sabe tentar entender “Memórias de minhas putas tristes” (Gabriel García Márquez), ou se bastar com o “Veneno do Escorpião” (Bruna Surfistinha), ou o agora recém-lançado “Depois do escorpião” (Samantha Moraes)? Melhor ler “Quem”... Ai , ai, ai...

Bem que a discussão poderia se elevar. Mas não. É preciso dizer se Cicarelli é menina de bons princípios ou vagabunda. É preciso dizer que mulher que goza e tem tesão não é lá essas coisas. É preciso dizer se a celebridade pisa na bola ou se bate um bolão. É preciso olhar para o outro e apontar o dedo, para esconder as próprias mazelas. É preciso se investir diariamente de juiz para rotular, botar no banco informal dos réus, sacanear o outro e elevar a própria e falida moral.

Toscos. É o que somos. Urubus de vilezas. Açougueiros de plantão. Dublês de matadores de aluguel. Piratas da felicidade alheia. As músicas, os livros, os semanários, as novelas, os noticiários, os fotógrafos, os vídeos-amadores estão aí para mostrar quem realmente somos nós.

Afinal, todo mundo quer saber com quem você se deita, nada pode mesmo prosperar. A música de Caetano “Luz de Tieta” é perfeita para o caso Cicarelli. Mas, o povo quer mesmo é ver o naufrágio do Titanic para contabilizar mortos, lamber as carniças e chupar os ossos, acreditando-se deuses, para além do bem e mal, imortais. Eu, particularmente, ainda prefiro um orgasmo com quem se queira nas ondas do mar, para que a vida não fique tão estreita.


mais detalhes no blog http://criandoespacos.blogspot.com
Solange Pereira Pinto
Enviado por Solange Pereira Pinto em 24/09/2006
Código do texto: T248090
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Sobre a autora
Solange Pereira Pinto
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 49 anos
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Solange Pereira Pinto