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A revolta das prateleiras




O título expressa a realidade das pequenas lojas comerciais, as lojas dos bairros, que sofrem pressão mortal dos grandes grupos que com o poder econômico tentam abocanhar a totalidade do mercado.

E o que estes pequenos estabelecimentos comerciais podem fazer com relação ao poder dos grandes grupos? Como combater a variedade de produtos, ao estacionamento coberto e seguro, ao ar-condicionado, a segurança aparente?

Dias atrás assisti na TV fechada um programa sobre lojas de ferragens nos EUA, onde é possível encontrar do menor parafuso, até tratores para cortar grama. Um verdadeiro shopping à espera dos milhões de consumidores, já que lá, a mão de obra é muito cara e a maioria das pessoasfaz seus consertos domésticos.

Nesta reportagem também foram mostradas às ferragens dos bairros, aquelas que são atendidas pelos proprietários, que funcionam nos finais de semana e que mesmo sem ter grande variedade, atraem um público cativo, principalmente por estarem ao lado das áreas residenciais. Percorrer 10 ou 20 km para comprar um tubo de cola, um prego é custo elevado e isto dá a sobrevida a estes estabelecimentos.

Aqui – parcialmente – o mesmo acontece, apesar de que a nossa mão de obra é infinitamente mais barata do que a dos americanos do norte, mas como combater estes grupos?

Posso falar de várias cidades, mas como resido em São Leopoldo, comento que determinadas redes aqui estabelecidas, adotam a política esmagadora de preços baixos – de alguns produtos – com maciça propaganda que atordoa nossos olhos; com esta estratégia, adquirimos outros produtos e com preço muito elevado, o qual é fator do lucro deste grupo. Primeiro a isca, depois a rede.

Deixando de lado os produtos em ofertas, os quais não são colocados todos os dias à vitrine, estes grupos não tem o atendimento necessário que nos convença a comprar. Podemos entrar e percorrer todos os corredores e andares de determinada loja sem sermos importunados; mesmo que alguém interfira, basta dizermos que estamos somente olhando algo, que somos deixados de lado e, se estamos em uma loja é porque precisamos comprar. Somente eles não percebem.

E como os pequenos podem melhorar seu faturamento e abocanhar uma maior fatia deste rico mercado capilé?

Existem várias ações, começando pela pesquisa de mercado, descobrindo o que realmente falta nos bairros em que atuam; procurar saber como as pessoas agem para comprar, o que compram e quando compram e ai fazer suas ações de mídia. Ter sempre o básico e uma opção rápida de entrega daquilo que normalmente não vendem. Melhorar a disposição de suas lojas, iluminando-as, chamando a atenção com pinturas esplendidas, fazendo promoção ou degustações em frente às lojas como os grandes fazem internamente.

Sim, o que custa na véspera do dia dos pais, colocarem uma banca que ofereça gratuitamente pipoca ou um quitute ao público? E por que insistem em lojas apertadas, quando uma readequação das prateleiras mudaria o ambiente, tornando-o mais amplo, acolhedor em ambiente iluminado?

E o que o título tem com relação ao assunto?

Fácil! Se não tiver o básico nas prateleiras, elas se revoltam; na hora que seu cliente precisar de algo, elas não poderão lhe ajudar. Ara que isto não aconteça você deve procurar rever sua forma de comprar e vender; nos bairros se vende a granel e muitas vezes não se consegue comprar assim. Já em compras, já pensou em trocar de fornecedor?

Mas o diferencial está no atendimento, na entrega rápida, na promoção que você comerciante dará ao seu cliente. Se o seu fornecedor não está correspondendo às necessidades dos seus clientes, troque. Antes pesquise quem fornece às grandes redes e com certeza poderá comprar destes, porque mesmo em menor quantidade, você poderá ter o mesmo preço – mesmo com menor prazo de pagamento – já que não exige o que as grandes lojas e redes exigem destes (e como exigem!).

Pensem a respeito e quem sabe teremos lojas de bairro mais fortes, mais dinâmicas e que possam bater de frente a estes grupos que de atendimento nada oferecem. Criem seu diferencial e verão que a sobrevida existe. Basta vocês pesquisarem e mudarão o rumo das suas prateleiras. No bairro tem espaço livre, sem cobrança de estacionamento, sem trânsito pesado e flanelinhas.

Para vender mais saiba o que o seu cliente quer; depois descubra o seu desejo e conquistará novos mercados. Continue sempre inovando porque não existe cliente fiel a uma marca, produto ou loja; existe sim cliente fiel ao dinheiro e a satisfação dele. Ele é quem decide o que comprar; você o ajuda.

Oscar Schild, vendedor, gerente de vendas e escritor.
http://www.grandesvendedores.com.br

Oscar Schild
Enviado por Oscar Schild em 27/09/2006
Código do texto: T250552

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Sobre o autor
Oscar Schild
São Leopoldo - Rio Grande do Sul - Brasil, 60 anos
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Oscar Schild