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Impressões: Demais!!

Arte e Literatura

Aqui vão, dentre outras informações, algumas impressões (minhas) ao ver um documentário sobre o Impressionismo, um movimento artístico que mudou a forma de muitos verem o mundo, as artes e as cores.

Sou fã dos impressionistas, sempre fui, e passei muito tempo sem sabê-lo. Um movimento que, indo totalmente contra o pré-estabelecido na época, final do século XIX -- momento em que arte, para muitos, era algo certinho, imitação o mais perfeito possível do mundo real (bom, pelo menos do que muitos viam como real) --, levaria à produção de muitas das obras mais belas da história humana, e revolucionaria o conceito de arte, em geral.

Fato é que os impressionistas, a meu ver, buscaram as formas do feio, talvez por isso tenham sido interpretados como quem tenta tirar um sarro com o real, e sem caricaturá-lo. Por que o corpo da modelo nua não podia ser de tons pastéis? E por que não lilás, como as veias circundando os seios desnudos de algumas das moças de Renoir? Cézanne, Monet, Manet, outros mais. Amei a pintura de Monet desde que topei com ela, no primeiro instante, amor à primeira vista. Nem sabia o que era Impressionismo, só sei que me senti capturada por aquela forma de ver o mundo, as águas, a luz e as cores.

Como disse mais ou menos Monet, o “inventor” das primeiras técnicas que viriam a ser chamadas de impressionistas: um pintor vê, antes de formas, apenas cores, e são essas cores, esses pigmentos, o que deve registrar.

Os membros desse movimento sofreram um desprezo muito grande por parte da sociedade e das academias de arte da época, um boicote enorme (quase massacre) às exposições e ao trabalho desses artistas. E isto eu desconhecia. Tanto que alguns, como Renoir, sucumbiram à pressão e voltaram ao convencional; afinal, artistas precisam comer. Já outros, mesmo sem chegarem a ter glória em vida, seguiram seus ideais. O regente do coral feminino do qual participo sempre diz que o gosto popular não pode servir de critério para um artista.

Phillipe Petit, artista e equilibrista francês, recebeu um Oscar por um documentário. Na feira literária de Mantova (Itália, 2010), ao ser perguntado sobre os impactos deste prêmio em sua vida, disse uma coisa que vale a pena guardar, que foi mais o menos assim: "Prêmios não devem interferir na vida e obra de um artista. Significam reconhecimento, nada mais. Minha vida não mudou por causa deste Oscar."

Não resisto a especular sobre o que estaria pensando Vargas Llosa agora que acabou de receber o Nobel de Literatura, principalmente sobre a enxurrada de artigos sendo publicados, falando bem ou mal da qualidade literária e ideológica de seus escritos. Se eu tivesse ganho 1 milhão de EUROS por certo estaria muito feliz, independente de quaisquer opiniões. Imagine só quanta gente eu poderia ajudar! Bom, voltando à realidade: alegro-me muito mais pelas coisas interessantes que aprendo a cada dia, sobre arte, cores e impressionistas, artistas que marcaram para sempre minhas formas de enxergar. Como César Manrique, penso que ser artista significa, em boa parte, aprender e ensinar a ver.

Ah, novidade legal (pelo menos para mim!): O Brasil será o convidado de honra da Feira do Livro de Frankfurt em 2013. Este ano, 2010, está sendo o ano da Argentina. É o mercado editorial mundial voltando-se para a América Latina, oportunidades para os estão preparados ou se preparando para agarrá-las, não? Se isto é sorte, sorte aí Brasil!

Um abraço fraterno.

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Helena Frenzel
Enviado por Helena Frenzel em 09/10/2010
Reeditado em 09/10/2010
Código do texto: T2546315
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Helena Frenzel
Alemanha
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