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No meu caso, eu abortaria!

Imagine, você mulher, casada e com filhos pequenos, que sendo sexualmente violentada descobre que está esperando um filho do estuprador. O que você faria? Daria a luz a essa criança? E se você, homem, fosse casado com uma mulher que foi estuprada e estivesse grávida do violentador, faria com que ela abortasse a criança?

Essas questões são difíceis de ser respondidas. Só quem vive a situação pode imaginar o quanto pode ser doloroso pensar em se livrar de uma vida que não pediu para ser feita. A mulher pode pensar em “tirar” o filho, pois ele não é – ou não era – bem vindo. Poderia pensar também que a criança não tem culpa do que aconteceu e concebê-la “naturalmente”. Aí ficariam estas outras questões: Será que ela agüentaria carregar durante nove meses em seu ventre um “filho indesejado?”. Será que ela trataria a criança com o mesmo amor que trata seus outros filhos? Creio que não. Está certo que a criança se trata também de um filho dela, mas, voltando para a visão masculina, será que o marido conseguiria acompanhar sua esposa durante a gestação sabendo que o filho não era dele? Na visão de alguns homens, o aborto seria o escape mais fácil. Para outros, mais conservadores em questões de tirar a vida de um ser vivente, não deixariam de dar assistência, principalmente psicológica, à mulher. Isso até poderia acontecer. Mas será que realmente acontece? É bem difícil.

No meu caso, sendo ou não casada, eu abortaria. Poderiam até me chamar de radical, ou de sem coração, mas com certeza não trataria da mesma forma com que trataria meus filhos (se eu tivesse), uma criança que foi fruto de uma violência sexual. E você?

No Brasil, a prática do aborto é crime, salvo somente em três casos: quando há risco de morte da gestante; quando a gravidez resulta de violação da liberdade sexual, ou seja, estupro; e quando é provado por três médicos que o embrião ou feto apresentará anomalias físicas ou mentais. Fora isso, toda e qualquer prática de aborto é proibida. Concordo plenamente com as questões da prática do aborto no Brasil, apesar de acreditar que já exista vida em um embrião. Alguns podem até acreditar que a criança só tem vida quando nasce, respeito esta idéia, mas pra mim, quando o coração já começa a bater, ali já existe vida.

Deixo essa reflexão com você. O que você faria se acontecesse com você? Abortaria ou não? Seguiria os ditames clássicos da sociedade em não abortar, pois você não tem direito de tirar a vida de um ser humano? Ou mesmo sendo pressionada para não fazer – se é que nesse caso existisse alguma pressão por parte de alguém – enfrentaria a muitos e tiraria a criança? E você, homem, daria apoio à sua mulher para que ela abortasse? Ou a apoiaria dando suporte psicológico para que tivesse o filho? Dei minha opinião, agora é com você!

Jô Borges
Enviado por Jô Borges em 17/10/2006
Código do texto: T266861
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Sobre a autora
Jô Borges
São Luís - Maranhão - Brasil, 29 anos
14 textos (834 leituras)
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Jô Borges