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A República de Platão e a cotação do dossiê do PSDB

Atento ao termo “CULTURA”  deparo-me inúmeras vezes com o insipiente termo “anti-cultura” o qual ecoa com sentido equivocado. Segundo brilhante definição de ‘CULTURA”, citada no livro “Antropo e psique“  entende-se por cultura : “Na ânsia de suprir, equacionar, satisfazer suas necessidades múltiplas, muitas delas caracterizando-se como  função vital,  uma civilização cristaliza o que se define funcionalmente como cultura”
         
Concluo : No melhor dos sentidos não existe “anticultura”, existem culturas negativas e culturas positivas. Assim como também não acredito na existência simples do BEM e do MAL, da mesma forma existem sim potencialidades, forças, recursos que são induzidos tanto para práticas construtivas quanto para destrutivas.
           
Vale a pena provocar uma discussão com base num texto do citado livro “Antropo e Psique”, o qual  reproduzo  mais adiante. Refiro-me a algumas facetas específicas que nossa atual cultura popular vem repercutindo com significativa força. Uma dessas significativas facetas pode ser observada nas músicas executadas nas “baladas” que atraem verdadeiras multidões.
             
A música sempre foi e será um canal de expressão cultural através do qual extratos da sociedade se mostram. Considero que seria produtivo nesse momento em que novos paradigmas surgem a cada instante, fazer uma análise crítica de nossa arte contemporânea, analisando, por exemplo as letras das músicas, suas nuances melódicas e captar quais são os contentamentos e os desencantos nelas impressos.
             
Voltando ao ponto onde comentava a fatídica pesquisa efetivada pelo IBOPE, insisto: Não dá mais, precisamos fazer alguma coisa enquanto ainda é possível. Na ânsia em se conceber alguma proposta, ainda que inusitada, vem-me  à  mente Platão e seu estado de descontentamento, há 400 AC, quando da irreparável e deplorável atitude por parte da então classe política que, insensatamente impôs ao Mestre Sócrates duas alternativas: voltar atrás com suas críticas ao sistema ou sair definitivamente de cena ingerindo a mortífera cicuta.
               
Platão motivado pelo inconformismo e sofrimento extremo de ter perdido o seu grande mestre, seu grande amigo, escreve um tratado que mais tarde seria reconhecido como sua obra principal = "REPÚBLICA"
               
Numa síntese resumida, de “República” Platão propõe educar toda uma sociedade, desde tenra idade visando principalmente preparar futuros políticos. Teria como pilares duas artes: a música (englobando a poesia) e a ginástica. Na medida que esses alunos crescem dentro daquele regime educacional no qual a disciplina e a retidão de caráter são primordiais, vão sendo submetidos a constantes e evolutivas avaliações. Aos que não comprovarem aptidão e vocação para avançarem nos ensinamento mais apurados serão oportunizados a exercerem as diversas profissões na área de comércio e de manufaturados. Dos futuros políticos (governantes) exigir-se-á ainda mais esforços para os estudos com ênfase na matemática e dialética, visando atingirem o que Platão define como verdadeiro espírito filosófico, ou seja, aquele que não tem como ideal de felicidade chegar ao poder para ser honrado por sua sabedoria ou para adquirir prestígio e riqueza. Ele não deve cultivar qualquer tipo de orgulho e é feliz por ser o educador maior de todos, aquele que governa para fazer de seus concidadãos homens e mulheres melhores.
           
Pois bem, numa democracia é o povo que delega seus poderes aos governantes. Somos nós que, através do voto vamos ter, além da oportunidade de escolher, a responsabilidade em transferir nossa cota de poder para alguém que passa a nos representar. Esse nosso representante necessariamente tem que ser melhor do que nós em todos os sentidos, pois suas decisões vão incidir sobre nós,sobre nossos vizinhos e nossas futuras gerações.
           
È aterrorizante o diagnóstico do exame radiográfico  imposto à classe política do nosso País. Mais do que nunca faz-se necessário dar início a uma monumental tarefa visando corrigir equivocados comportamentos. De início, exigir de nós mesmos “elevados“ critérios na escolha dos nossos futuros representantes.
             
Aliás, antes de pensar em escolher, e até para que tenhamos chances no escolher, necessário se faz que os presidentes de todos os partidos eliminem dos seus quadros aqueles candidatos nitidamente desqualificados. Fica explícito  que o presidente do partido deve submeter-se ao crivo.
               
Subseqüentemente espera-se que o TRE, visando propiciar mais de que subsidio ao eleitor, no uso de suas prerrogativas e no sentido de imbuir decência aos cargos políticos pleiteados e respeito ao ato cívico ao qual  nos submetemos a cumprir, tome as medidas necessárias.
               
Seria plausível que no âmbito dessas medidas, sejam contemplados  critérios sérios no que diz respeito ao uso do horário político gratuito nos veículos de comunicação bem como qualquer  outro meio de propaganda.

Não podemos tolerar essa forma bizarra, para não adjetivar como “pobre”, feia, ignorante, mentirosa,covarde, desonesta, tendenciosa, medíocre, etc. a que esses candidatos fazem uso. Medidas e propostas devem ser analisadas, como por exemplo a possibilidade de ao invés do partido repetir chamadas vagas diversas vezes ao dia, por que não acumular esse tempo numa fração maior de tal maneira que fosse viável a apresentação de idéias, planos e propostas concisas?
                 
Nessa apresentação necessariamente estaria contemplado o currículo do candidato no qual se buscaria respaldo para suas propostas.
                 
Mas,impressionante, para  não dizer inacreditável.
                 
Decorridos apenas alguns dias para encerrar este manifesto e deparamo-nos com fatos novos.
                 
E diga-se de passagem, que infelizmente as nuances que compõem mais essa mazela a qualificam numa escala de considerável gravidade. Não só pelo montante, R$ 1.700.000,00 (hum milhão e setecentos mil reais) quanto pelo desqualificado “maquiavelismo” X personagens envolvidas nessa complexa, ardilosa e descabida negociação decorrente de estratégias deploráveis com supostos fins eleitorais.
                 
Deixo claro que não tenho ligação político-partidária com quem quer que seja, mesmo porque ainda não decidi meu voto para as eleições majoritárias.
                 
Observo ainda, que até o momento, nenhum dos candidatos com chances reais de vitória contemplaram em seus projetos de governo de forma contundente ou prioritária o item que se apresenta como o principal pilar da reconstrução moral do nosso país que é a Educação.
                 
Necessariamente, essa nova educação deveria ser pensada com profundidade suficiente para que ainda que lentamente, pudesse resgatar os atributos necessários para a qualificação do povo, inclusive a essência para a formação da família, atualmente tão desprestigiada.
                 
Ainda com relação àquele fato da negociação, torna-se mais grave quando visto sob a ótica da máxima que diz: “Não existe corrupto sem que haja o corruptor”.
                 
Estava em curso uma negociação entre partes com interesses afins.
                 
Lembremo-nos que essas partes representam aquelas que “são” e as que pretendem “ser” autoridades máximas do nosso pobre país.
                 
De um lado concebeu-se um produto, um “dossiê” tão comprometedor ao ponto de, atingido o interesse ou a necessidade da outra parte, findou alcançando tamanha cotação.    
José Oliveira
Enviado por José Oliveira em 20/10/2006
Reeditado em 20/10/2006
Código do texto: T269399
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Sobre o autor
José Oliveira
São Paulo - São Paulo - Brasil, 61 anos
5 textos (229 leituras)
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José Oliveira