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Não dá pra esquecer


Domingo passado, dia de eleição, já de noite, depois de muito relutar, por um acidente de percurso, parei defronte a televisão. Posso explicar? Estava muito cansado, até mesmo para continuar minha leitura, interrompida por estas idas e vindas do final de semana em que Laurinha vai se chegando a todo o momento e perguntando com aquela expressão angelical: “o que o pai vai fazer agora?” Isso me desmonta; quero fazer tudo o que ela quiser; só que isso tira o meu tempo para leitura e até mesmo de pensar nas coisas que costumo pensar.

Mas, voltando a minha ida à tv (ao aparelho, claro), era domingo, depois das 20 horas, lá deitei o meu corpo cansado, exatamente como a maioria das pessoas que esperam a segunda-feira fazem: resignados em frente à tv, vendo o egocentrismo de uma potencia empresarial com o “pequeno” poder de entrar na casa de todas as pessoas. Ali desfilam as notícias, os gols, as novelas que são comuns a todas redes. Todavia a rede tem um poder a mais: fazer política eleitoreira; isso ninguém pode negar, foi de uma parcialidade fenomenal, daquelas de tvs  oficiais de regimes ditatoriais que dizem aquilo que ao governo interessa. No caso brasileiro foi até engraçado, na verdade não estavam defendendo  um governo, estavam defendendo abertamente uma candidatura, que infelizmente para eles não foi a vencedora. Coitados, queriam mais liberdade de expressão. Será? Acho que  pela liberdade para vulgarização do sexo e outros temas em horários que crianças e famílias inteiras estão diante da tv, sem entenderem nada, cuspindo na cara de todos cenas em que o palco principal é a cama e o corpo de homens e mulheres em animadas orgias, o problema não é liberdade de expressão. É política mesmo. Espera-se que seja interesse próprio e não partidário, porque senão, não poderemos esperar mais nada desse país. Dos males o menor, porque poder ela tem.

Como se não bastasse a forçada de barra no culto aos atores e apresentadores de programas, onde pessoas comuns, artistas surgidos do nada, alçados de repente como estrelas cadentes, tamanho o rabo luminoso com que são promovidos a heróis nacionais, as pessoas são forçadas a ouvir verdadeiros conselhos sobre em quem não devem votar quando, pasmem, os candidatos são apenas dois. Isso não é absurdo? Os telejornais e programas de entrevistas, com comentários de repórteres considerados fenomenais, simplesmente glorificavam um candidato e, ao mesmo tempo, tratavam de destruir o outro. Pergunto: que serviço é esse? Que Democracia é essa? Porquê não fazer um trabalho de informação imparcial e isento de interesses empresariais? Como estes profissionais que são tão glorificados se prestam para tais coisas? Pelo salário? Tudo bem, mas não digam que não foi assim que ocorreu, porque se quiserem assim se justificar estarão taxando de idiotas quem os premia com audiências avantajadas no futebol e nas novelas: o povo.

Digo isso não porquê seja defensor de algum partido ou simpatizante de determinado candidato, mas porque ninguém, nem a mais poderosa tem o direito de subjugar a inteligência das pessoas. Pode até interferir na cabeça das que vivem nos grandes centros urbanos que  escolhem candidatos à presidência da república como escolhem o ator ou a atriz mais bonito, mais sexy, de determinada novela; mas não podem entrar na cabeça das pessoas bem informadas, inteligentes, mas de amargas lembranças de passadas décadas. Não convencem (como não convenceram), também, famílias inteiras em que gerações anteriores e as atuais viveram e vivem em miséria absoluta, a margem de qualquer desenvolvimento sócio-econômico. No entanto tivemos Sodoma por aqui também. Enquanto o país sofria de pobreza estrutural, Brasília, Bancos, grandes empresários industriais, comerciais, agrícolas se refestelavam aqui e em qualquer parte do mundo, desde a descoberta, à quinhentos anos. Acho até que o Brasil não escolheu o melhor Presidente, mesmo porque não tinha escolha, simplesmente disse basta a mentira de décadas e décadas, séculos e séculos. É bem provável que a explicação disso seja: das mentiras a menor, de apenas quatro anos.

Portanto, uma coisa é certa, com o atual governo, por mais incompetente que tenha sido, por mais corrupção que tenha patrocinado, com ele não deixamos de ser um país de primeiro mundo. Antes do atual governo não gozávamos de um nível de vida digno em que todos tinham acesso à educação, saúde, serviços urbanos de qualidade, oferecidos gratuitamente em retorno aos pesados impostos cobrados de todos. Pelo contrário, se houve festa na História do Brasil, foram de muito poucos. Bolsa Família, Carnaval e Frevo não passam de pão e circo. Não sejam hipócritas, ó sumidades tupiniquins das telas, ninguém vai nos fazer esquecer de décadas e décadas perdidas. Se vocês querem fazer disso aqui uma novela, com casas e apartamentos fabulosos, pessoas bonitas, abram os olhos e vejam que há pessoas que querem simplesmente um país que nunca tiveram, pricipalmente porque muitos dos que desfilaram na política nacional ou que de alguma forma poderiam influenciar positivamente, como é caso das tvs, não fizeram.A única coisa que lhes interessava era ser amiguinho do Rei e fazer de conta que olhavam a peble. Querem o quê? Nos convencer a esquecer o passado e começar tudo de novo? FELIZMENTE NÃO ACREDITAMOS MAIS. QUEREMOS SER UM POVO FELIZ EM TODOS OS ASPECTOS.


Djalma João da Silva
Enviado por Djalma João da Silva em 02/11/2006
Código do texto: T280427
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Sobre o autor
Djalma João da Silva
Florianópolis - Santa Catarina - Brasil
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Djalma João da Silva