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Aprendendo a amar


Naquela casa nunca houve um silêncio tão profundo. Toda aquela família estava reunida na sala, o pai, a mãe e as três filhas. Naquele instante apenas um som se fazia ouvir. As atenções estavam todas voltadas para a filha do meio, menina muito jovem, que ainda não completara a maioridade. As lágrimas em seus olhos suplicavam por compreensão. Sua voz rouca e enfraquecida proferia as explicações que aqueles ouvidos não queriam ouvir.

Desesperado, o pai, não aceitava a idéia de ser avô. A gravidez precoce de sua filha, não estava nos planos. Afinal ela ainda sequer terminara os estudos e o sonho do pai vestia branco, o mesmo branco que ele usava durante as consultas.

O pai, só pensava no que fazer. Sua mente processava informações confusas e distorcidas. Talvez o aborto fosse a solução. Pois, o rapaz não era abastado, nem tampouco de família tradicional, que futuro esperava por sua filha.

Movido pela fúria, sua primeira e única proposta para a solução do indigesto problema, era mesmo o aborto. Aborto esse que ele mesmo provocaria, pois, sua condição de médico ginecologista lhe dava o discernimento necessário para a manipulação de tal ato.

A esposa, também muito angustiada, mas com o sentido de mãe protetora, perfeitamente aflorado, propôs a ponderação dos fatos. Com sua inteligência e paciência, propôs ao marido o exercício do raciocínio, propôs para o marido o exercício da calma, para só então tomarem uma decisão do que fazer.

Durante dias não houve sequer um bom dia, entre pai e filha. Meses se passam, e não se era mais possível disfarçar a gravidez e isso era terrível para o pai, que se dizia envergonhado, que renegava a filha e o que ela trazia no ventre, que ainda fazia-se sedento pelo desejo do aborto.

Passados dois anos, aquele homem rude tornou-se calmo, o sorriso amarelado e carregado da vergonha, deu lugar a um novo, reluzente cheio de orgulho e satisfação, pois o homem aprendeu a amar. Aquele bebê desprezado é hoje toda a razão de ser daquele homem, que teve a vida transformada pelo amor. O que a princípio foi motivo de inquietude, hoje é o principal alicerce de união e alegria daquele lar.

O tempo realmente não pára. É ele quem cuida das feridas, que trata das angústias e auxilia os corações desesperados. É ele quem faz esquecer os erros, os enganos. Pois na vida tudo passa, sejam os bons ou maus momentos, nada é eterno.

O que antes era a mais pura incompreensão, hoje pode ser o mais sublime afeto. Por isso é indispensável que olhemos ao nosso redor. É indispensável observarmos as coisas com mais atenção, cada detalhe, cada cor, cada lágrima e cada sorriso. Pois fazemos parte de um todo, somos todos ligados pela mesma força que rege o universo.

Tomar atitudes sem respeitar os critérios da mais profunda análise, pode por vezes abortar uma vida inteira, pois nem tudo é exatamente o que parece ser e contar apenas com o fator sorte pode nos trazer danos irreparáveis. Temos a tendência de transformar pequenos problemas em dramas intermináveis.

Amigo leitor, lembre-se que em nossa vida tudo passa, o tempo cura as feridas mas não apaga as cicatrizes. Mas depende única e exclusivamente de nós mesmos, decidir se devemos dar importância às marcas passadas. Tomar atitudes impensadas pode abortar uma vida inteira, por isso nunca devemos deixar de aprender a amar.

Pensemos nisso!

Reginaldo Cordoa, futuro Administrador de Empresas e Apaixonado pela Vida.
03/11/2006

Reginaldo Cordoa
Enviado por Reginaldo Cordoa em 03/11/2006
Código do texto: T281149
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Sobre o autor
Reginaldo Cordoa
Matão - São Paulo - Brasil, 46 anos
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Reginaldo Cordoa