FÁBRICA DE TECELAGEM JAPY - Jundiaí/SP

I – APRESENTAÇÃO:

A Fábrica do Japy, situada à Rua Lacerda Franco, Vila Arens, fundada em 1913 como fábrica de tecidos do Senador Antônio de Lacerda Franco, tendo iniciado suas atividades em 18 de novembro de 1914. Período de construção: início do século XX com um pavimento e uma chaminé. O imóvel foi muito importante para o período de início da industrialização na região de Jundiaí, do Estado e do País. Estudo realizado pela Secretaria Municipal do Planejamento e Meio Ambiente em 2004. A área tem 24.057,17 m2.

II – Um Pouco de História:

1. A referida fábrica, inicialmente começou fazendo sacos de estopa no início do século XX.

2. Passou a ser uma das fábricas de tecidos de Jundiaí, numa época de industrialização municipal, estadual e nacional.

3. A indústria era do Senador Antônio de Lacerda Franco . Bem mais tarde, foi locado 21.170,00 m², a distribuidora de Comestíveis Disco S.A de 1/5/1982 a 30/4/1995, em 27/12/2002 foi vendida aos Irmãos Russi Ltda e Nivoloni & Cia Ltda. dados extraidos naMatrícula 9.396 no 2º Cartório de Registro de Jundiaí em 15/10/2002.

4. Embora tenha sido deferido pedido de embargo do alvará de demolição pela Prefeitura Municipal de Jundiaí , não há

fiscalização, e nos finais de semana há constante depredação do prédio e a destruição do seu telhado.

5. A referida fábrica, inicialmente começou fazendo sacos de estopa e funcionou na Revolução Industrial brasileira, além de participar também da Revolução Constitucionalista de 32, fazendo uniformes dos soldados paulistas. Entre as personalidades ilustres que ali trabalharam, foi do compositor Adoniran Barbosa.

6. Passou a ser uma das fábricas de tecidos de Jundiaí, numa época de industrialização municipal, estadual e nacional.

7. Conforme Matrícula 9.376, a ‘FÁBRICA JAPY S/A’ ,foi averbado alteração para ‘Indústria JOSÉ JOÃO ABDALLA S/A’, no 1º Registro de Imóveis de Jundiaí, em 29/07/1948. A Indústria JJ Abdalla S/A acabou devendo à Fazenda Nacional e foi confiscada pela União. Por alguns anos o prédio ficou abandonado.

8. Os Supermercados e Comestíveis Disco S.A locaram o edifício por alguns anos.

9. Os proprietários atuais são os Irmãos Russi Ltda., inscrição no CNPJ/MF nº 50.947.761/0001-23, com sede em Itapevi/SP, na av. Portugal, 400, bairro Itaqui /SP e Nivoloni & Cia.Ltda, com sede nesta cidade, na Rod. Com. João Cereser, km 4,5 , Bairro Horto Florestal, inscrito no CNPJ/MF nº 50.968.403/0001-05, conforme matrícula 94.907 no Livro 2 de Registro Geral no 2º Cartório de Registro de Imóveis de Jundiaí, numa gleba de 24.057,17 m2 na Rua Lacerda Franco, 175, Vila Arens, Jundiaí/SP. Em 29/05/2003 o bem passou à N.R. Empreendimentos e Administração Ltda. Inscrita no CNPJ/ sob nº 02.912.778/0001-01 com sede na Rua Lacerda Franco, 175, sala 01, Vila Arens . Microfilme nº 195.003 de 17/06/2003, no mesmo Cartório, mas pelo que consta, é de propriedade da Nivoloni & Cia. e Ltda. somente mudou a denominação.

III– Bairro da Vila Arens - Jundiaí/SP

1- Localização Privilegiada:

1.1. Bairro Vila Arens: o mais antigo de Jundiaí/SP. Possui a Estação Ferroviária de Jundiaí, ex- São Paulo Railwy, com duas Vilas de Ferroviários tombado pelo CONDEPHAAT. Tem acesso ao Capital do Estado de São Paulo, e ligação com a ex- Estrada de Ferro Paulista. Rua Senador Franco Bueno ( homônimo do seu fundador).

1.2. No Bairro ainda tem um terminal de ônibus : Terminal Vila Arens, de onde partem coletivos para outros Terminais: Vila Rami, Vila Hortolândia, CECAP, Bairro da Colônia e diversas Vilas da cidade de Jundiaí.

1.3. O bairro é passagem para os municípios de Várzea Paulista e Campo Limpo Paulista.

2- Historia do Bairro:

2.1. O bairro é o celeiro da Revolução Industrial do Estado, e de Jundiaí, onde tinham diversas indústrias no fim do século XIX e início do século XX, principalmente de tecidos, com a Fábrica São Bento ( já demolida), a Fábrica de tecidos Japy e a Argos S/A ( do grupo JJ. Abdalla Ltda). A Argos S/A é da Prefeitura Municipal de Jundiaí, e abriga a Secretaria Municipal de Educação. Portanto, a Vila Arens está ligada ao desenvolvimento econômico da cidade.

2.2. As Estadas de Ferro: é onde está localizada a Estação Ferroviária da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, fundada no século XIX como São Paulo Railwy. Era o local onde reuniam as Cia. Paulista, a Sorocabana, Bragança , Mogiana. A ligação entre o centro da cidade e a Vila Arens era feito através de Bondes puxados a

cavalo que seguiam sobre a conhecida Ponte Torta, sobre o rio Guapeva.

A Estação Ferroviária da Estrada ao de Ferro Santos-Jundiaí, liga a cidade com São Paulo/SP na Estação da Luz e liga Jundiaí até Santos/SP, passando por várias cidades e bairros, ao longo da ferrovia.

2.3. Século XX - O Bairro foi o contato entre diversos outros bairros e alguns que se emanciparam e tornaram-se municípios, como Várzea Paulista e Campo Limpo Paulista. Tem Vilas de ex- ferroviários e operários em torno da Estação Ferroviária e das fábricas de tecidos.

2.4. Século XXI – O Bairro é bastante desenvolvido e independente, tendo inclusive sua própria entidade empresarial, como a UEVA – União dos Empresários de Vila Arens, desvinculada da ACE – Associação Comercial do centro da Cidade. Ainda é o pólo de passagem dos municípios vizinhos e de toda a cidade, através do Terminal Vila Arens.

2.5 Localização privilegiada: O trânsito do Bairro: a Vila Arens funciona como um ‘corredor’ ligando o centro a diversos bairros:Vila Progresso, Santa Gertrudes, Agapeama, Vila São Paulo, Vila Esperança, Vila Cristo Redentor, Vila Santana, Vila dos Ferroviários SJ, Vila Agrícola, V. Delvech, Vila Isabel Heber, V. Sta. Rosa, Jr. S.Bento, entre outros, além dos municípios Várzea Paulista e Campo Limpo Paulista.

3. Fábrica de Tecelagem Japy:

3.1. Fábrica Japy: Fundada em 1913, a fábrica de tecidos do Senador Antônio de Lacerda Franco iniciou suas atividades em 18/11/1914. Sendo a segunda indústria de tecidos mais importante do interior paulista.

3.2. Arquitetura: marcante com um pavimento.

Estrutura :de alvenaria auto-portante de tijolos de barro maciços.

Cobertura tipo shed com telhas francesas.

Janelas com caixilho de ferro e vidro e básculas centrais, frontão central com óculos e vidros coloridos.

Revestimento externo: tijolos aparentes e parte do soco de blocos irregulares de granito com junta desencontrada.

Chaminé: de alvenaria com tijolos à vista.

3.3. Patrimônio arquitetônico fabril: De todas as indústrias e prédios históricos que restam, é a única que mantém as características originais da época de sua construção.

3.4. Localização: Fica ao lado da Estação Ferroviária Santos –Jundiaí , facilitando o seu acesso até Santos/SP. Fica ao lado do Terminal Vila Arens, que tem acesso a todos os bairros da cidade.

4. Centro Cultural ‘JAPY’

4.1 - A ex- fábrica Japy fundada no início do século XX, tem uma importância histórica, cultural e patrimonial para a cidade, para o Estado e para a União, devido a sua história, sua arquitetura, espaço e sua localização, e deve ser preservada a todo custo.

4.2. O local tem um pavilhão grande e uns pequenos espaços, que podem ser adaptados para receber oficinas culturais, abrigar teatro de oficina, exposições culturais de artes plásticas, e abrigar a varias entidades culturais oficiais da cidade. Jundiaí não tem espaço para exposições itinerantes de artes visuais, nem lugar para oficinas artesanais, musicais e arte cênica. O Centro Cultural Japy seria bem vindo, pois tem lugar para tudo isso, além de um espaço grande para estacionamento e o privilégio de estar perto da Estação Ferroviária e do Terminal de ônibus Vila Arens.

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Regina Dragiça Kalman – Profª de História e Artes, Especialista em História do Brasil (Jundiaí, 25/10/2010).